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O adeus de uma campeã, aos 23 anos, por uma dor crónica

Missy Franklin, a nadadora mais vitoriosa dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, onde conquistou quatro medalhas de ouro, despediu-se da modalidade: "Estou pronta para não sentir dor todos os dias. Estou pronta para me tornar uma esposa e, um dia, uma mãe". Ansiedade, depressão e insónias pesaram na decisão

Carol Fontes

Missy Franklin

Simon Hofmann/Getty Images

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Aos 23 anos, Missy Franklin já poderia até ter escrito uma biografia. Com 16 Mundiais e dois Jogos Olímpicos no currículo, a americana decidiu retirar-se do desporto de forma precoce. As dores no ombro tornaram-se crónicas e insustentáveis. Sem conseguir baixar as suas marcas nas piscinas, a nadadora decidiu sair de cena.

Numa carta publicada esta quarta-feira pela ESPN, Franklin disse adeus, de modo emocionado, aos adeptos e a todos os que a apoiaram ao longo da carreira. "Provavelmente, esta foi a carta mais difícil que eu já tive de escrever. Tenho muitas palavras para dizer e eu agradeço a todos vocês por me deixarem compartilhá-la com vocês e continuarem a apoiar-me. Hoje, anuncio que me retiro da natação competitiva", disse Missy Franklin.

"Estou pronta para não sentir dor todos os dias. Estou pronta para me tornar uma esposa e, um dia, uma mãe. Estou pronta para continuar crescendo a cada dia para ser a melhor pessoa e modelo que eu posso ser. Estou pronta para o resto da minha vida", acrescentou a pentacampeã olímpica.

A americana foi a nadadora mais vitoriosa dos Jogos de Londres 2012, onde conquistou, aos 17 anos, quatro medalhas de ouro e uma de bronze. Entre as provas, estão os primeiros lugares nos revezamentos (4x200m livre e 4x100m medley) e nos 100m e nos 200m de costas, sendo a última um recorde mundial que permanece intacto. O terceiro degrau no pódio veio nos 4x100 livres.

A americana ainda carrega na bagagem um ouro no Rio 2016 no revezamento 4x200 livre. Em Mundiais, ela soma 18 medalhas, sendo seis ouros em Barcelona, na Espanha, em 2013. Ao todo, são 27 pódios em disputas internacionais na elite da natação. Em 2011 e 2012, Franklin foi eleita a melhor nadadora do mundo.

As constantes dores no ombro impediam a sua evolução e, sem conseguir alcançar os tempos planeados, Missy acabou por ter de lidar com outros problemas fora das piscinas. A ansiedade, a depressão e as insónias pesaram na decisão. No início do ano passado, ela foi submetida a uma cirurgia, mas não se viu livre da tendinite crónica, o que lhe impediu de manter o mesmo nível na modalidade.

"Enquanto eu me preparava para as Olimpíadas do Rio, em 2016, falava abertamente sobre os problemas que enfrentei, que incluíam as dores no ombro, sempre que eu tentava treinar ou competir, a depressão, a ansiedade e e a insónia", lembrou a ex-nadadora à "espnW", secção do portal dedicada ao público feminino.

O início do fim

A esperança de repetir o passado foi por água abaixo na Olimpíada do Rio, quando a nadadora não conseguiu classificar-se para nenhuma final. Franklin fechou a conta só com um ouro, oriundo das fases preliminares do revezamento 4x200 livre. Após a sua participação olímpica, a americana não obteve os resultados de outrora e ficou longe dos holofotes das grandes competições de natação.

Técnica, versatilidade, preparação física e velocidade são outras das suas grandes marcas. A simpática nadadora da seleção americana despontou cedo no desporto. Começou a nadar aos cinco anos porque a mãe morria de medo de água e não queria que a filha passasse pelo mesmo. Aos 13, Missy classificou-se para as triagens olímpicas dos Estados Unidos, contudo, não entrou para o grupo de Pequim 2008. A estreia veio quatro anos mais tarde. No último ciclo olímpico, no entanto, viveu um calvário com as dores nos ombros, mas não desistiu facilmente.

Até amadurecer a decisão de pendurar os fatos de banho, ela passou por um longo processo de aceitação. Recentemente, em setembro, ficou noiva do ex-nadador Hayes Johnson e tem dedicado o seu tempo para estar ao lado de crianças e em ações de caridade. O seu maior sonho agora é ser mãe. E novo capítulo de sua história está em aberto. "Levei muito tempo para dizer as palavras: 'Vou reformar-me'. Um longo, longo tempo. Mas agora eu estou pronta".

Missy Franklin se aposenta aos 23 anos

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John Leyba/Getty Images

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