A Volta não é só andar de bicicleta. E há quem se esqueça disso
Em vésperas de ver a 81ª Volta a Portugal partir para a estrada, fomos viver um dia nas corridas, para conhecer por dentro como se constrói o pelotão
31.07.2019 às 10h41
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Albert Einstein disse um dia que “a vida é como andar de bicicleta, para manter o equilíbrio é preciso manter o movimento”. Na estrada, o equilíbrio é muito mais do que uma questão de teoria da física. Desde os passos necessários para colocar uma corrida na estrada à forma como cada equipa e cada corredor se prepara para atacar o seu objetivo. Um equilíbrio que passa pela força mental, pela união quase familiar que se cria entre todos aqueles que vivem no pelotão e em seu redor, pela capacidade de sofrer e de ter prazer com a mesma humildade que caracteriza os que sabem ser mais uma peça de uma enorme engrenagem que transforma o ciclismo numa roda-viva de emoções à flor da pele. Desde tudo o que é preciso organizar para que a prova parta para a estrada até ao momento em que chega ao fim.
As equipas vão-se agrupando junto ao ponto de partida. Sente-se no ar a relação natural com uma rotina muitas vezes repetida. Primeiro, os carros vão ocupando o espaço antes vazio. Depois, as bicicletas vão sendo retiradas e montadas, revistas uma a uma, confirmando-se o seu estado. Não se sente azáfama alguma, tudo parece feito dentro do tempo, ao contrário do que se passa com as pessoas da organização, que seguem agora em ritmo de corrida bem mais intenso. Cada ciclista tem a sua rotina própria. Alguns, talvez mais experientes, estão sentados, esperando pacientemente o momento de pegar na bicicleta. Outros, mais jovens, devidamente equipados, cumprem um ritual que, de modo a não falhar, precisa de uma ordem de repetição mais rápida, claramente ensaiada. À volta dos carros vão também sendo revistos equipamentos, ferramentas, águas, tudo o que possa fazer falta durante a prova. Na estrada não haverá tempo para interrupções.
Quilómetro Zero
As equipas vão-se agrupando junto ao ponto de partida. Sente-se no ar a relação natural com uma rotina muitas vezes repetida. Primeiro, os carros vão ocupando o espaço antes vazio. Depois, as bicicletas vão sendo retiradas e montadas, revistas uma a uma, confirmando-se o seu estado. Não se sente azáfama alguma, tudo parece feito dentro do tempo, ao contrário do que se passa com as pessoas da organização, que seguem agora em ritmo de corrida bem mais intenso. Cada ciclista tem a sua rotina própria. Alguns, talvez mais experientes, estão sentados, esperando pacientemente o momento de pegar na bicicleta. Outros, mais jovens, devidamente equipados, cumprem um ritual que, de modo a não falhar, precisa de uma ordem de repetição mais rápida, claramente ensaiada. À volta dos carros vão também sendo revistos equipamentos, ferramentas, águas, tudo o que possa fazer falta durante a prova. Na estrada não haverá tempo para interrupções.
Quando a direção da prova chega ao local da partida, já tudo está montado, e o parqueamento vai-se fazendo conforme a ordem de saída de cada viatura. Na frente, a caravana publicitária, a comunicação social, alguns convidados, o comandante do destacamento da GNR, o diretor da prova, um número alargado de motos (da GNR e da organização), o carro de apoio neutro, o carro do comissário, todos aqueles que veremos acelerar pela estrada à frente dos ciclistas; depois, atrás deles, o carro do comissário presidente, o do médico, mais o apoio neutro, mais todos os carros das equipas, as ambulâncias e, finalmente, o carro-vassoura. A passagem do tempo faz-se ao ritmo de uma autêntica estafeta. Os que se apressaram a montar as estruturas descansam, agora, junto ao café, onde estão tantos outros que só mais tarde entrarão em funções.
Junto das equipas já todos parecem estar equipados e acelera-se o passo para assinar o livro de ponto, para se rever um último cuidado necessário devido à dureza das etapas anteriores. A comunicação social percorre livremente o espaço, tal como uns quantos adeptos, amigos e familiares dos corredores. É a familiaridade que se destaca. Conhecem-se todos de outras tantas voltas. Conhecem-se os diretores, os técnicos, os mecânicos. Conhecem-se as famílias. Abraçam-se, enquanto conversam e debatem ideias do que se poderá passar. A estratégia do ciclismo define-se na estrada. Baseia-se no conhecimento do percurso e dos concorrentes, no plano que se pensou até chegar o dia da prova, mas assenta, sobretudo, no momento, nas sensações na estrada, na capacidade física de cada um. Expectativas animadoras todos têm. No fim da corrida, no entanto, só um acabará por ganhar.
Falta cada vez menos tempo para o início da etapa. Cerca de 20 minutos, naquele que será um dos momentos mais tranquilos do dia. Como se, na organização, se esperasse apenas o soar do tiro de partida para que tudo voltasse a ser ação. Como se, entre os ciclistas, houvesse a perfeita noção do que se seguirá e que a única forma de o enfrentar é mesmo respirar fundo, esperar. O ambiente das conversas vai-se acalmando e levando para um silêncio que toma conta de cada um dos que andam em volta do ponto de partida, apesar da música e das palavras animadas do speaker, que tem a missão de manter a excitação elevada. Contam-se os minutos para o início da corrida, e todos os ciclistas estão agora no local da partida simbólica, à espera do sinal. As pessoas da organização e das equipas correm para os respetivos carros, enquanto a polícia ocupa os seus lugares. Está tudo pronto para que se inicie a prova. Na derradeira frase do speaker ecoa um “está dada a partida”.
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