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Carli Lloyd podia ter trocado o soccer pela NFL. Não o fará - e a culpa é de Portugal

Depois de impressionar com o seu pontapé potente num treino dos Philadelphia Eagles, a duas vezes campeã do Mundo de futebol e duas vezes melhor jogadora do planeta recebeu um convite para fazer um encontro de pré-época na NFL. Mas nesse mesmo dia, a seleção nacional dos Estados Unidos joga... frente a Portugal. O convite terá de ficar para outra altura

Lídia Paralta Gomes

Catherine Ivill - FIFA/Getty

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São precisas várias páginas para explicar todo o currículo de Carli Lloyd, assim que abreviemos para o mais importante: duas vezes campeã mundial de seleções pelos Estados Unidos, em 2015 e 2018; duas vezes campeã olímpica, em 2008 e 2012 e duas vezes a melhor jogadora do Mundo pela FIFA, em 2015 e 2016.

Em frente à baliza, Lloyd é precisa e letal, com nervos de aço, como atentam os 114 golos marcados pela seleção nacional dos EUA, dois dos quais no último Mundial. São também características essenciais para se ser um bom kicker na NFL. O kicker é aquele jogador que no futebol americano tem como tarefa essencial chutar aos postes, coisa que a jogadora do Sky Blue FC faz e muito bem.

E seja a bola redonda ou oval.

Há uma semana, Carli Lloyd passou pelo campo de treinos dos Philadelphia Eagles, a sua equipa do coração na NFL, e a visita não foi apenas de cortesia. A atacante tentou vários pontapés aos postes e impressionou quem a viu, não só pela precisão mas também pela distância, já que conseguiu acertar um field goal de 55 jardas - para se ter uma comparação, até hoje existiram apenas 20 tentativas para lá das 60 jardas em jogos da temporada regular da NFL.

O treino de Carli Lloyd não passou despercebido a várias equipas da NFL e foram mesmo feito alguns convites à atleta. Um deles, revelou o agente da jogadora, James Galanis, seria para a atacante fazer um encontro de pré-época, o que tornaria a futebolista na primeira mulher a jogar por uma equipa da NFL. James Galanis não quis revelar qual foi a equipa que convidou Lloyd a testar o seu pontapé na bola oval, mas sabe-se que o jogo em questão seria esta quinta-feira, já que o motivo da recusa de Lloyd é-nos bem próximo: é que na quinta-feira, a seleção de futebol dos Estados Unidos recebe Portugal, num encontro que já está na história - nunca um jogo particular da seleção que é a atual campeã do Mundo teve tantos bilhetes vendidos.

Contudo, este não é necessariamente o fim de linha para Carli Lloyd no futebol americano. Aos 37 anos, a futebolista já não é propriamente uma jovem, mas a posição de kicker é aquela que está menos dependente do factor físico, num desporto de muito contacto. “Se ela meter isso na cabeça, vai fazê-lo”, garantiu Galanis à ESPN. À Fox Sports, o agente disse acreditar que a jogadora é “perfeita” para a posição. “Ela adora jogar sob pressão, tem um dos remates mais potentes do futebol feminino e chuta também muito bem de longe. Estamos a levar em consideração o que significaria isto para o desporto: ela seria a primeira mulher a jogar ao lado de homens, já viram o que faria isso pela igualdade de géneros? Conhecendo a Carli, é exatamente isso que torna o desafio interessante para ela. Tivemos várias conversas sobre o assunto na última semana”, revelou.

Soccrates Images/Getty

A própria Carli Lloyd não colocou a hipótese de lado. “Sei que posso trabalhar a minha técnica e que faria bem a posição. Seria um momento definidor, não há razões para que as mulheres não possam jogar”, disse à NBC Sports.

As dificuldades? Habituar-se a um balneário de durões, nada que assuste demasiado a futebolista. “Não tenho medo. Quem tem medo, não age. O que de pior pode acontecer? Eu não conseguir entrar na equipa final? Mas pelo menos tentei e talvez possa mudar o cenário”.