“Não me venham agora com complexos”, diz Rui Moreira sobre a polémica com Rosa Mota
Na cerimónia inaugural do 'Super Bock Arena Pavilhão Rosa Mota', presidente da Câmara do Porto desvalorizou a polémica sobre o nome do requalificado Palácio de Cristal. Rui Moreira lembra que a cidade, muito antes de ser conhecida pela ligação ao FC Porto, aos seus músicos ou cultura, já tinha o seu nome internacionalmente associado ao vinho
28.10.2019 às 17h42
João Silva
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Rui Moreira tentou esvaziar a polémica em torno do novo nome do Pavilhão Rosa Mota, contestado pela ex-campeã olímpica, por figurar em primeiro lugar a marca de uma cerveja e não o seu na toponímia do equipamento projetado para acolher congressos até 5.500 lugares sentados e eventos desportivos e culturais. O presidente da Câmara do Porto lamentou a ausência de Rosa Mota, que, apesar de garantir sentir “um enorme constrangimento”por ver o seu nome associado a uma bebida alcoólica, diz ter acordado com a vereadora independente, Catarina Araújo, que aceitaria o novo logótipo como se a Super Bock surgisse como “suplemento, ou seja, em segundo lugar.“Não me venham agora com complexos por haver o nome que está associado a um grupo de bebidas alcoólicas. Quando a cidade não era conhecida pelas suas músicas, cultura e pela sua irreverência, já era conhecida pelo seu vinho, ainda antes de ser internacionalmente reconhecida pela ligação ao FC Porto”, afirmou Rui Moreira, que preferiu destacar a importância para os portuenses do histórico Palácio de Cristal, equipamento durante longos anos “envergonhou a cidade” por estar em ruína e sem uso.
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“As pessoas que gostam da Rosa Mota gostam que este pavilhão esteja reabilitado”, garantiu, recordando que a primeira vez que o visitou, com um grupo de escuteiros, após ter sido eleito presidente do município, temeu “que o telhado caísse em cima cabeça”. Sem nomear o seu antecessor, Rui Rio, o autarca advertiu que o projecto existente não era viável, na altura, pelo volume do investimento público, embora realce que, mesmo que fosse possível, “não o teria feito”.
“O público e o privado podem casar para benefício de todos”, referiu, frisando que, hoje, mão é dia para desfiar ”um rosário de queixas”, mas para visitar um estrutura que é “uma solução com presente e um extraordinário futuro”. Além de direitos na utilização do equipamento, a Câmara do Porto irá receber da sociedade Círculo de Cristal S.A. € 4 milhões ao longo de 20 anos, preservando os jardins e o espaço público em redor, que continua sob gestão municipal e de usufruto público.
Jorge Silva, administrador do consórcio Círculo de Cristal, constituído pela Lucius e pela PEV Entertainment, também optou por destacar as virtualidades do reabilitado pavilhão, que custou mais de € 8 milhões e terá capacidade para receber eventos nacionais e internacionais “de grande envergadura e fundamental para a economia do turismo”.
O responsável pela administração do espaço também preferiu passar ao lado da polémica com Rosa Mota, dizendo apenas que “foi sempre tratada com carinho”. Questionado sobre o facto de a ex-atleta não se rever na nova toponímia do pavilhão e, eventualmente, exigir a retirada do seu nome, Jorge Silva assegurou “que tudo está devidamente licenciado”.
Manuel Violas, presidente do Conselho de Administração do Super Bock Group, também fitou a celeuma, assegurando se trata de “um espaço magnífico, que vem beneficiar a cidade e que garante um novo ponto de encontro para milhares de pessoas. Violas, sem “imodéstia” lembrou ainda que a Super Bock nasceu na vizinhança do Palácio de Cristal e, tal como Rosa Mota, a cerveja portuense conquistou o mundo e vários prémios internacionais.
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