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“Não me venham agora com complexos”, diz Rui Moreira sobre a polémica com Rosa Mota

Na cerimónia inaugural do 'Super Bock Arena Pavilhão Rosa Mota', presidente da Câmara do Porto desvalorizou a polémica sobre o nome do requalificado Palácio de Cristal. Rui Moreira lembra que a cidade, muito antes de ser conhecida pela ligação ao FC Porto, aos seus músicos ou cultura, já tinha o seu nome internacionalmente associado ao vinho

Isabel Paulo

João Silva

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Rui Moreira tentou esvaziar a polémica em torno do novo nome do Pavilhão Rosa Mota, contestado pela ex-campeã olímpica, por figurar em primeiro lugar a marca de uma cerveja e não o seu na toponímia do equipamento projetado para acolher congressos até 5.500 lugares sentados e eventos desportivos e culturais. O presidente da Câmara do Porto lamentou a ausência de Rosa Mota, que, apesar de garantir sentir “um enorme constrangimento”por ver o seu nome associado a uma bebida alcoólica, diz ter acordado com a vereadora independente, Catarina Araújo, que aceitaria o novo logótipo como se a Super Bock surgisse como “suplemento, ou seja, em segundo lugar.“Não me venham agora com complexos por haver o nome que está associado a um grupo de bebidas alcoólicas. Quando a cidade não era conhecida pelas suas músicas, cultura e pela sua irreverência, já era conhecida pelo seu vinho, ainda antes de ser internacionalmente reconhecida pela ligação ao FC Porto”, afirmou Rui Moreira, que preferiu destacar a importância para os portuenses do histórico Palácio de Cristal, equipamento durante longos anos “envergonhou a cidade” por estar em ruína e sem uso.

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Antiga campeã olímpica queixa-se que o seu nome deveria figurar em primeiro lugar e não em segundo no renovado Palácio de Cristal. Em protesto, Rosa Mota não vai à inauguração do pavilhão da discórdia, tal como os vereadores da oposição. Rui Moreira lembra que o nome da atleta nunca figurou no equipamento, mas que agora ficará gravado no exterior do Super Bock Arena Pavilhão Rosa Mota

“As pessoas que gostam da Rosa Mota gostam que este pavilhão esteja reabilitado”, garantiu, recordando que a primeira vez que o visitou, com um grupo de escuteiros, após ter sido eleito presidente do município, temeu “que o telhado caísse em cima cabeça”. Sem nomear o seu antecessor, Rui Rio, o autarca advertiu que o projecto existente não era viável, na altura, pelo volume do investimento público, embora realce que, mesmo que fosse possível, “não o teria feito”.

“O público e o privado podem casar para benefício de todos”, referiu, frisando que, hoje, mão é dia para desfiar ”um rosário de queixas”, mas para visitar um estrutura que é “uma solução com presente e um extraordinário futuro”. Além de direitos na utilização do equipamento, a Câmara do Porto irá receber da sociedade Círculo de Cristal S.A. € 4 milhões ao longo de 20 anos, preservando os jardins e o espaço público em redor, que continua sob gestão municipal e de usufruto público.

Jorge Silva, administrador do consórcio Círculo de Cristal, constituído pela Lucius e pela PEV Entertainment, também optou por destacar as virtualidades do reabilitado pavilhão, que custou mais de € 8 milhões e terá capacidade para receber eventos nacionais e internacionais “de grande envergadura e fundamental para a economia do turismo”.

O responsável pela administração do espaço também preferiu passar ao lado da polémica com Rosa Mota, dizendo apenas que “foi sempre tratada com carinho”. Questionado sobre o facto de a ex-atleta não se rever na nova toponímia do pavilhão e, eventualmente, exigir a retirada do seu nome, Jorge Silva assegurou “que tudo está devidamente licenciado”.

Manuel Violas, presidente do Conselho de Administração do Super Bock Group, também fitou a celeuma, assegurando se trata de “um espaço magnífico, que vem beneficiar a cidade e que garante um novo ponto de encontro para milhares de pessoas. Violas, sem “imodéstia” lembrou ainda que a Super Bock nasceu na vizinhança do Palácio de Cristal e, tal como Rosa Mota, a cerveja portuense conquistou o mundo e vários prémios internacionais.