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Jaden é filho de Steffi Graf e Andre Agassi, mas a sua paixão não é o ténis: vem aí um talentoso jogador de beisebol

Aos 18 anos, o filho mais velho do mais mediático casal do ténis - que em conjunto tem 30 títulos do Grand Slam - não seguiu o desporto dos pais, mas vai a caminho de se tornar também ele atleta profissional: Jaden Graf Agassi é uma das grandes promessas do beisebol dos Estados Unidos

Lídia Paralta Gomes

Perfect Game

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Quem nunca formou na sua cabeça, ou em conversas com amigos, a ideia de um qualquer desportista perfeito? No futebol vamos buscar o pé direito de um, a impulsão de outro, a mentalidade de um terceiro. Na Fórmula 1, o instinto de x, a velocidade y, a regularidade de z. E no ténis, a direita de fulano, o serviço de sicrano, o jogo de pés de beltrano. Juntam-se assim pedaços de figuras já existentes que, na verdade, nunca se poderão fundir.

Mas e se a vida real nos desse a possibilidade de tal acontecer? Dos genes e dos sangues de dois protótipos de excelência se juntarem para criar o desportista ideal? No papel, a descendência do casamento Steffi Graf & Andre Agassi talvez fosse a mais bem apetrechada para chegar a tal propósito. E se a genética fosse tudo, Jaden Gil Graf Agassi seria, muito provavelmente, o tenista quase perfeito.

Acontece que a conta entre os 22 títulos do Grand Slam da alemã e dos oito do norte-americano, aos quais ainda podemos juntar duas medalhas de ouro em Jogos Olímpicos e as incontáveis semanas no número 1 dos rankings WTA e ATP (mais de 400 em conjunto…), não deram igual a um brilhante sucessor no ténis. Na mão, Jaden terá sempre não uma raquete de ténis, pela qual nunca teve grande afinidade, mas sim uma luva ou um taco de baseball.

Acabadinho de se formar no ensino secundário, Jaden está neste momento entre as boas promessas do baseball nos Estados Unidos, mas uma arreliadora lesão no cotovelo e a pandemia da covid-19 deverá para já atrasar a sua entrada na Major League Baseball (MLB), a liga de norte-americana de baseball, que lhe dedicou um artigo no seu site oficial. Já há muito comprometido com a Universidade de Southern California, casa de um dos mais importantes programas de desporto universitário do país, Jaden Agassi é um pitcher de 1.90m que aos 5 anos já batia as primeiras bolas no tee-ball, uma espécie de baseball mais simplificado que é muitas vezes o primeiro contacto das crianças com a modalidade.

“Eu adoro baseball. Adoro os meus colegas de equipa, de sobreviver e lutar com os teus irmãos. Cada jogo traz um conjunto de novos desafios e eu gosto muito de os tentar perceber”, revelou ao mlb.com o mais velho dos dois filhos de Steffi Graf e Andre Agassi, que também são pais de Jaz, uma menina nascida em 2003.

Sublinha a página oficial da MLB, valendo-se dos dados do site Perfect Game, dedicado à avaliação de jovens jogadores de baseball, que o jovem Agassi é o 2.º melhor jogador do estado do Nevada e o 171.º a nível nacional entre os jogadores que se graduaram da escola secundária em 2020 - uma avaliação por baixo para a qual muito contribuiu o facto de estar a recuperar de uma complicada lesão aos tendões do cotovelo do braço direito, com o qual lança. O conhecido portal atribuiu um 10 a Jaden, nota máxima, reservada para as “potenciais escolhas muito altas de draft ou promessas universitárias de nível Elite”.

Contudo, e mesmo que tivesse quase garantida a entrada na MLB através do draft de 2020, Jaden quer passar primeiro pelo baseball universitário, uma opção mais segura num ano em que a covid-19 trocou as voltas à liga norte-americana de baseball. Por causa da pandemia, o draft deste ano será reduzido de forma significativa: normalmente tem 40 rondas e mais de 1200 jogadores são escolhidos pelas 30 equipas da liga, mas em 2020 terá apenas cinco rondas, das quais sairão 160 novos profissionais.

“Tenho muito orgulho naquilo em que ele se tornou”, diz Andre Agassi sobre o filho mais velho ao mlb.com. “Sempre foi um miúdo muito ponderado, aprendeu a trilhar o seu próprio caminho e vai sempre dar um pouco mais de si para lá chegar. Só posso ficar orgulhoso de o ver jogar. E não precisa de se tornar um grande jogador para que eu adore vê-lo jogar”. Talvez Agassi esteja a tentar fazer precisamente o contrário do seu próprio pai: na sua autobiografia, “Open”, lançada há 11 anos, o norte-americano confessou como as exigências do pai o fizeram a certo ponto odiar o ténis.

A Jaden nunca foram exigidos resultados ou que se tornasse num futuro campeão de ténis. Cresceu pacatamente nos arredores de Las Vegas, quase sempre longe de grandes fanfarras, e o baseball sempre foi a grande paixão. Mas dos pais tenistas, Jaden retirou algo tão ou mais importante que o jogo de pés de Steffi ou aquelas respostas ao serviço de Andre: o espírito de sacrifício.

“Se há algo que me moldou foi a ética de trabalho de ambos. É um bênção aprender isso desde tão novo. Eu dou muito valor ao esforço que se tem de fazer para se ser o melhor em algo”, frisa Jaden.

O sangue pode não ter apontado para o ténis, mas também não mente: os apelidos Graf e Agassi não são só coisa do passado.