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Como o homem forte do atletismo mundial fez vista grossa ao doping russo para não perder patrocinadores

Lamine Diack, antigo presidente da federação internacional de atletismo, assumiu em tribunal ter suspendido processos disciplinares por doping contra a atletas russos para “salvar a saúde financeira” do organismo que liderou até 2015

Lusa

Christian Petersen

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O ex-presidente da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF), o senegalês Lamine Diack, assumiu esta quinta-feira em tribunal ter decidido suspender processos disciplinares por doping contra a atletas russos para “salvar a saúde financeira” do organismo que liderou.

Lamine Diack, que está a ser julgado por corrupção em Paris, admitiu que a revelação de tantos casos de doping causaria um escândalo e pesaria nas negociações com os patrocinadores.

“A saúde financeira [da IAAF] tinha que ser protegida e eu estava pronto a fazer esse compromisso”, disse o senegalês, de 87 anos, que presidiu à IAAF (atual World Athletics) entre 1999 e 2015.

Diack, o principal arguido no processo que envolve acusações de corrupção, abuso de poder, lavagem de dinheiro e associação criminosa, negou qualquer relação entre a “gestão” dos casos de doping russos e um financiamento de 1,5 milhões de dólares (cerca de 1,3 milhões de euros) para as eleições de 2012.

Durante a fase de investigação, Diack já tinha admitido que as sanções à Rússia foram “geridas” para não manchar a imagem do país antes do Mundiais de 2013, disputados em Moscovo, numa altura em que a IAAF negociava contratos de patrocínios e transmissões televisivas.

O adiamento de algumas sanções permitiu que alguns atletas participassem nos Jogos Olímpicos Londres2012 e conquistassem várias medalhas.

Na segunda-feira, o ex-diretor do gabinete antidopagem IAAF, o francês Gabriel Dollé, admitiu em tribunal “arranjos” às regras de doping com a necessidade de “evitar escândalos” para salvar patrocínios.

No final de 2011 e início de 2012, quando o passaporte biológico, uma nova ferramenta no arsenal das armas antidoping, começou a surtir efeito, aumentaram as suspeitas sobre a Rússia e foi elaborada uma lista de 23 atletas suspeitos.

Dollé disse que Lamine Diack pediu para considerar a "situação financeira muito crítica” da IAAF e que, naquele momento, a lista causaria um “escândalo”, que influenciaria o curso das negociações com os patrocinadores e causaria o colapso do organismo.

Para “evitar o escândalo”, a Dollé terá sido pedido uma “gestão fundamentada”, que implicava não sancionar oficialmente e publicamente os atletas, mas sim com uma “suspensão não oficial” e “discreta”, que, no fundo, era contrária à regulamentação.