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Noah Lyles parecia ter batido recorde mundial de Bolt dos 200 metros. Mas afinal tinha corrido 15 metros a menos

Tudo aconteceu nos Inspiration Games, um novo formato da Liga Diamante que coloca atletas a competir uns contra os outros em diferentes pontos do planeta. Na Flórida, Lyles lutava pelos 200m com Christophe Lemaitre e Churandy Martina, ambos na Europa, e no fim da prova pulverizou o recorde mundial de Bolt. O problema é que Lyles estava a correr na pista errada

Lídia Paralta Gomes

CHANDAN KHANNA/Getty

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A pandemia da covid-19 obrigou a algumas soluções criativas para certos atletas e modalidades retomarem a sua atividade e um exemplo disso foram os chamados Inspiration Games, a etapa suíça da Liga Diamante de atletismo que, em vez de se realizar apenas em Zurique, disputou-se em seis países em simultâneo de forma remota, inclusivamente em Portugal, com Pedro Pablo Pichardo a vencer a competição do triplo-salto no Estádio Universitário, em Lisboa, contra Christian Taylor e Omar Craddock, que se encontravam em Walnut e Brandenton, nos Estados Unidos, respetivamente.

Mas o momento insólito desta competição inovadora aconteceu na prova dos 200 metros. Em competição, o campeão do Mundo, o norte-americano Noah Lyles, em Brandenton, na Flórida. E deste lado do Atlântico, o francês Christophe Lemaitre, a competir em Zurique, e o holandês Churandy Martina, em Papendal.

Cada um no seu estádio, sozinhos. Com o tiro de partida, os três atletas partiram ao mesmo tempo, com a prova a ser acompanhada em televisores com ecrãs tripartidos. E quando Lyles cortou a meta, a surpresa: o tempo de 18.90 segundos batia por larga margem o impossível recorde mundial de Usain Bolt de 19.19, nos Mundiais de Berlin, em 2009.

A reação foi de incredulidade, mas poucos minutos depois o tempo-canhão seria explicado: a organização colocou Lyles a correr na pista errada, pelo que o velocista norte-americano de 22 anos apenas fez 185 metros e não 200.

"Não podem brincar assim com as minhas emoções", escreveu Lyles no Twitter, depois de conhecer o imbróglio. O norte-americano acabaria desclassificado, ainda que sem qualquer culpa, com a vitória e os respetivos 10 mil dólares de prémio (cerca de 8,8 mil euros), a ficarem para Lemaitre.