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Presidente do COP insatisfeito: "O Governo dá mais atenção a outras áreas do que ao desporto. É evidente"

José Manuel Constantino falou na Cimeira das Federações Desportivas, organizada pelo COP, pelo Comité Paralímpico de Portugal (CPP) e pela Confederação de Desporto de Portugal (CDP), onde sublinhou o "estado de desconforto e insatisfação que é transversal a todo o tecido federativo"

Lusa

José Manuel Constantino é presidente do Comité Olímpico de Portugal desde 2013

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O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), José Manuel Constantino, afirmou esta quarta-feira que o Governo dá pouca atenção ao desporto português e às dificuldades sentidas pelo setor na sequência da pandemia de covid-19.

"O Governo dá mais atenção a outras áreas do que ao desporto. É evidente. Não estou a emitir uma opinião, é uma constatação de facto. Em todos os espetáculos que têm sido retomados tem havido a presença de uma alta figura do Estado português, mas até à data isso não aconteceu no desporto, o que revela a pouca atenção que é dada a este setor", apontou o presidente do COP.

O dirigente falava no final da Cimeira das Federações Desportivas, organizada pelo COP, pelo Comité Paralímpico de Portugal (CPP) e pela Confederação de Desporto de Portugal (CDP), e que resultou na aprovação, por unanimidade, de uma moção estratégica que apresenta um conjunto de medidas para revitalizar o desporto nacional.

Segundo o presidente do COP, esta moção será o ponto de partida nas conversações com as instituições governamentais e demonstra a "insatisfação" sentida pelas federações desportivas que a subscrevem.

"É uma forma de conhecerem a nossa posição relativamente ao que está a suceder e à forma como as questões do desporto têm vindo a ser tratadas, sendo evidente que existe um estado de desconforto e insatisfação que é transversal a todo o tecido federativo", referiu.

José Manuel Lourenço, presidente do CPP, espera que com o "mandato recebido pelas federações", através da aprovação unânime da moção, o Governo seja sensível às propostas que nela estão contidas.

"O Governo vai-nos ouvir. No entanto, uma coisa é ouvir e outra é concretizar as propostas que apresentamos. Mas estamos convictos de que seremos ouvidos numa postura de diálogo", antecipou o presidente do CPP.

Já Carlos Paula Cardoso, presidente da CDP, realçou que a cimeira de hoje prova que "é possível a união de todas as federações desportivas" e que a elaboração do documento é "um passo em frente num momento histórico e de dificuldades".

A moção estratégica, concertada entre as três instituições, agrega sete propostas e começa por pedir a retoma das atividades desportivas, paradas devido à covid-19, em segurança através do envolvimento das entidades públicas desportivas e das autarquias, num modelo de parceria.

Num segundo ponto, pede-se a inclusão da sustentabilidade da atividade desportiva no plano de revitalização económica e social elaborado pelo Governo, assim como a criação de um fundo especial de apoio ao desporto, com uma recapitalização das federações desportivas de forma a poderem ajudar o movimento associativo de base.

Entre as propostas apresentadas está também a criação de um grupo de trabalho com elementos da administração fiscal, da administração pública e do desporto que estude os apoios aplicados ao setor, e a promoção das políticas de aumento da empregabilidade no desporto e do agente desportivo benévolo.

Por fim, a moção estratégica elaborada pelo COP, CPP e CDP sugere a inclusão do desporto nas propostas de promoção turística que Portugal apresenta para o exterior e, por último, o aumento significativo da mobilização desportiva através do lançamento de uma campanha de promoção e valorização do desporto.