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"Pimenta is back", porque Fernando Pimenta é ouro

O português foi o mais rápido nos 1000 metros em K1, em Szeged, na Hungria, onde bateu o atual campeão do mundo e ganhou o ouro. Foi a 98.ª medalha conquistada por Fernando Pimenta em provas internacionais (horas depois, seria a 99.ª, de bronze nos 500 metros) nesta que é a primeira, e a última, prova do ano, como disse no final, ainda ofegante

Diogo Pombo

Sergei Bobylev/Getty

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Sozinho, frenético, a pagaiar até à vitória em água doce, quase sem vento, os braços mecânicos a robóticos a propulsionarem-no para a frente logo no primeiro terço da corrida e lá foi ele, confortável e com quase uma canoa de avanço desde o meio quilómetro, imperturbável até chegar aos 1000 metros onde tinha a quarta medalha de ouro em Taças do Mundo à sua espera.

Foi assim a meio da manhã deste sábado, em Szeged, na Hungria, onde a velocidade planada e retilínea de Fernando Pimenta nunca deixaram os adversários aproximarem-se na água e apenas era acompanha, na margem, pelo pedalar dos curiosos, a terem de dar corda às pernas para as suas bicicletas ladearem o ritmo do português.

Mas reservas havia no depósito de alguém, um húngaro poupara-se, prudente ficou para os últimos 100 metros. Balint Kopasz resgata os esforços derradeiros, leva a sua canoa à do português, acabam quase perfilados, apenas com o nariz da embarcação a separá-los e ambos exaustos. Fernando não o esconde, os três minutos e 26 segundos e 48 centésimos de altas rotações contínuas curva-lhe o corpo após a meta, a cara ofegante.

(pode rever a prova de Fernando Pimenta, no vídeo em baixo, a partir dos 33 minutos.)

A força que lhe resta é para esmurrar, ao de leve, a canoa. Bate no peito a seguir. Volta a curvar-se com o cansaço. Precisa de um minuto para o oxigénio o restaurar.

Sai da água, os óculos e o boné com a pala para trás intactos, a pagaia em riste. Já consegue falar. "Sinto-me muito feliz por estarmos aqui, na primeira e última competição da época. É difícil para todos vir aqui, à casa da canoagem. Estou muito feliz, Pimenta is back. Tem sido muito complicado para mim, para o meu corpo e para a minha cabeça, fiquei desapontado por ver provas a serem canceladas. Estou pronto para dar o meu melhor nas duas provas que faltam", diz, ainda meio ofegante, a respiração a parar-lhe o inglês com muitas vírgulas.

O triunfo vale-lhe a 11.ª medalha em Taças do Mundo, a quarta revestida a ouro. "Dei um bom show, demos uma corrida fantástica", considerou. Voltou à água nem duas horas depois, para ser dois segundos mais lento a percorrer 500 metros do que o Balint Kopasz a quem ganhara no dobro da distância.

Essa prata foi a 56.ª medalha internacional de Fernando Pimenta, ainda em pleno modo conquistador aos 31 anos, numa volta ao sol em que ele e todos têm treinado muito mais do que competido. "Pimenta is back", disse, mas a impressão é sempre que o português nunca sequer chegou a ir embora e a levar consigo o hábito que é muito seu: ganhar.