Tribuna Expresso

Perfil

Modalidades

Nélson Évora terminou contrato com o Sporting

O campeão olímpico do triplo salto já não está ligado ao clube de Alvalade. O atleta de 36 anos, que ainda em 2019 foi medalha de prata nos Europeus de atletismo, não chegou a acordo com o Sporting para a renovação do contrato. Nélson Évora chegara ao Sporting em 2016, vindo do Benfica

Lusa

josé carlos carvalho

Partilhar

Nelson Évora, campeão olímpico do triplo salto nos Jogos Olímpicos Pequim2008, vai deixar o Sporting após o fim do contrato com o clube, no sábado, confirmou à "Lusa" fonte oficial do Sporting, esta sexta-feira.

O atleta, de 36 anos, e o clube não chegaram a acordo para a renovação do vínculo iniciado em outubro de 2016, de acordo com a mesma fonte ‘leonina’, acrescentando que tinha sido lavrado tendo em vista os Jogos Olímpicos Tóquio2020, que foram adiados para 2021, devido à pandemia de covid-19. Segundo a mesma fonte oficial do emblema lisboeta, o Sporting já assegurou a renovação de grande parte dos principais atletas integrantes do projeto olímpico do clube.

Durante as quatro épocas de verde e branco, Nelson Évora conquistou os títulos europeus em pista coberta, em Belgrado, em 2017, e ao ar livre, em Berlim, no ano seguinte, assim como as medalhas de bronze nos Mundiais de 2017, em Londres, e ‘indoor’ de 2018, em Birmingham, sem que tivesse alcançado ainda os mínimos para Tóquio2020, fixados em 17,14 metros.

No total, o saltador conquistou 11 medalhas em grandes competições no triplo salto.

Em 2007, sagrou-se campeão do mundo, em Osaka, no Japão, com o seu recorde pessoal (17,74 metros), tendo ainda conquistado a medalha de prata nos Mundiais ao ar livre de 2009, em Berlim, e de bronze em pista coberta de 2008, em Valência, em Espanha.

A carreira do saltador, que vestiu as camisolas de Benfica, entre 2004 e 2016, e FC Porto, entre 2002 e 2004, foi marcada por muitos êxitos e várias lesões graves, como foram os casos de uma fratura de esforço na tíbia, em 2010, uma lesão no calcanhar, em 2011, e nova fratura de esforço, em 2012.

Mas a cada contrariedade, Évora respondeu com resiliência e com resultados, conseguindo superar os 17 metros várias vezes em 2015, quando arrecadou a medalha de ouro nos Europeus 'indoor', em Praga, e a de bronze nos Mundiais, em Pequim.

Desde 2016, fixou-se em Madrid, no grupo do cubano Ivan Pedroso, antigo campeão do salto em comprimento.

O cubano naturalizado português Pedro Pablo Pichardo, que lhe sucedeu no Benfica, com um triplo salto de 17,95 metros, em Doha, em maio de 2018, ‘roubou-lhe’ o recorde nacional na especialidade que detinha desde 2006, quando superou o anterior máximo, então na posse de Carlos Calado.

  • O que se passa dentro da cabeça dele: como Nelson Évora não estava mesmo acabado

    Modalidades

    O que leva um tipo a quem iam amputando uma perna a regressar ao sítio onde os ossos se desfizeram, uma e outra vez, e testar os limites do seu corpo? Resposta: a busca pelo salto perfeito, que ele diz existir dentro dele e que ele encontrará mais dia menos dia. É a fé e a confiança que o movem e o levam a pular para lá do que é exigido a um campeão olímpico e mundial que não tem mais nada a provar a ninguém - a não ser a ele próprio. Este é um trabalho que publicámos em agosto de 2014, quando o saltador se preparava para os Europeus e falava das metas que tinha traçado para 2015 e 2016: mostrar que não estava acabado. E não estava mesmo: este domingo, 12 de agosto de 2018, sagrou-se campeão da Europa de triplo salto ao ar livre e a Tribuna Expresso republica esta reportagem