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Miguel Oliveira: a casa é tua, campeão, estás à vontade

Começou à frente, esteve sempre na frente e acabou em primeiro. Miguel Oliveira conquistou o Grande Prémio de Portugal em MotoGP, fez história e fê-la sendo imperturbável, sem que houvesse alguém que sequer ameaçasse a sua vitória na última corrida da temporada. O piloto português termina na 9.ª posição do mundial de motociclismo

Diogo Pombo

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

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Miguel só tinha alcatrão à frente e uma longa e escura reta, ninguém ao lado e todos atrás, a respirarem o fumo emanado do seu escape furioso que parte em primeiro. Lá vai o português rapidíssimo em Portugal, o mais rápido nas voltas dadas em qualificação que lhe deram a honra de partir na dianteira pela primeira vez no MotoGP.

Ele voou sobre duas rodas para aterrar na pole position, soprado pelo “vento português” que o ajudou e com o qual brincou. Miguel estava feliz da vida e sorridente, sem capacete, agora tem-no posto, o pulso dobrado fá-lo zarpar alcatrão fora e o mesmo vento só pode estar a soprar outra vez a favor da perícia de quem lhe é conterrâneo.

Feita a primeira volta, Miguel e logo um segundo e trinta e quatro centésimos mais rápido que o perseguidor mais próximo, à terceira acelera-se e faz a melhor volta até então, à quarta, quinta e sexta prossegue a sua conquista de tempo aos demais e no resto das 25 voltas continua solitário, sem sombras no encalço.

Só ele e o alcatrão.

A corrida de Miguel Oliveira e assim, vertiginosa e fugida a toda a gente no Autódromo Internacional do Algarve, a jigajoga do seu corpo em cima da mota e os joelhos a rasparem na pista em ângulos que deixam a gravidade nervosa são uma dança constante. E ele segue imperturbável até ao fim, até ver a bandeira axadrezada a ser agitada para ele agitar o seu punho cerrado no ar.

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

Por certo estaria aos berros dentro do apertado capacete, em êxtase, um caldeirão de emoções que transborda quando encosta a moto no paddock, pousa a bandeira de Portugal e mergulha no abraço com o pai, a mãe e a namorada, ainda o capacete lhe ampara a cabeça e quando o tira ja nao ha o que lhe contenha as lágrimas.

O piloto de Almada ganhou em Portimão e por isso em casa, a área de residência é todo um país quando quem emigra por um sonho vem competir ao território onde nasceu. E histórico por todas as razões e mais algumas: nunca um portugues vencera uma corrida em Portugal, também porque só em agosto houve um lusitano a ganhar no MotoGP, precisamente o tipo que este domingo não quis nada com ninguém no alcatrão.

Miguel Oliveira e o campeão do Grande Prémio de Portugal, ganhou a derradeira corrida da temporada e, para o ano, ja estara na equipa de fabrica e não na satélite da KTM, terá uma moto alvo de toda a atenção e investimento, por isso, imaginem o que poderá fazer por esse mundial fora.

E, quando regressar a Portimão, não se sabendo quando isso será, sabe-se que o portugues bem poderá ficar à vontade. Porque estará em casa, a defender o título que é seu.