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Tremer, golear e apurar, os três estados que Portugal teve contra Marrocos

Portugal acabaria por golear (33-20) a seleção de Marrocos, à partida e em teoria um adversário inferior, mas nunca esteve a vencer até ao intervalo e chegou a estar com cinco golos a menos no resultado. Mas, afinadas as coisas, a seleção nacional acabou por garantir a passagem à segunda fase de grupos do Mundial de andebol

Diogo Pombo

KHALED ELFIQI/Getty

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A cara não engana, o tempo ainda não lhe carcomeu as feições, Miguel Martins é objetivamente jovem e caçula no subjetivo da seleção nacional, tem 23 anos e todos os jogadores salvo um vieram ao mundo antes de 1997, ele nem da Expo’98 se recorda, mas não é por isso que se retrai de se expor em campo e, contra Marrocos, prossegue a exposição que inaugurou contra a Islândia.

Este central de mãos ensopadas em habilidade, de olho sempre pronto a passes picados entre pernas rivais e com grande angular na cabeça para ordenar jogo, é o resgate de Portugal durante meia hora, dele é emanada a maior amostra de ordem na desordem que aflige a seleção durante a primeira parte do segundo jogo do Mundial, contra uma equipa apequenada pela teoria.

Mas, na prática, essa realidade com a qual as teorias anda às turras por mais lógica que possam ter, os marroquinos, constantemente a cruzarem linhas de corrida e a sombrearem a bola, afunilam a defesa portuguesa ao centro e, depois, são eficazes, chegam a estar a ganhar por cinco golos e a deleitarem-se com os vários erros de Portugal a atacar, desde cedo, em sete-zero (sem guarda-redes na baliza).

A seleção demora a atinar na defesa, eficácia é palavra amanteigada que raro é bater, ressaltar e retornar em mãos portuguesas, às tantas a estatística diz que a cada 10 remates, Portugal acerta menos de quatro e só tarde começa a acertar mais ataques, mais saídas na cara dos adversários, mais duelos com o guarda-redes de Marrocos, porque vai havendo mais Miguel Martins, que ao intervalo tem cinco golos e cinco com os seis (contra a Islândia) são 11, conta feita em jogo e meio.

Há 12-12 no descanso quando parecia difícil haver, o jovem central foi o melhor de um Portugal errático que nunca esteve a ganhar em 30 minutos e quiçá esse tenha sido o maior alarme necessário, porque, com muito pouco do jogador do FC Porto em campo, na segunda parte, Portugal melhora em tudo e muito.

A defesa cimenta-se e Gilberto Duarte é a cola de tudo, os mais de 100 quilos do pivô Slassi deixam de receber bolas no meio do bloco português e a seleção vira uma fábrica de produção industrial de contra-ataques. Quase todas as transições dão golo a Portugal e a vantagem chegar a ser de 10 golos, mesmo número que Marrocos conta sem fazer uma bola passar pelos 43 anos de Humberto Gomes, o ancião na baliza.

Estes outros 30 minutos são colados por um longo suspiro, há alívio na superioridade ou então foi o aliviamento dos problemas ao intervalo, corrigidos pela voz e pelas instruções do selecionador Paulo Jorge Pereira, que deixou a qualidade dos jogadores portugueses ser praticada sem mais dúvidas, sem que Marrocos aparentasse ser capaz de discutir o resultado - terminou 33-20.

Foi a segunda vitória em dois jogos, acabou por ser uma goleada a emergir da preocupação da primeira parte e assim é, sobretudo, uma garantia: Portugal será uma das 24 seleções apuradas para a segunda fase de grupos do Campeonato do Mundo, no Egito, o primeiro com um formato de 32 equipas.

  • Os filhos do pai foram derrotados
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    Portugal entrou no seu quarto Mundial de andebol com uma vitória (25-23) contra os islandeses, que defrontaram pela terceira vez este mês e, como qualquer islandês, têm no apelido o primeiro nome do pai que de nada lhes serviu para contrariarem a seleção nacional