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Não foi bonito, mas foi histórico: Tom Brady meteu os papéis da reforma de Drew Brees

O mítico quarterback colocou os Tampa Bay Buccaneers pela primeira vez numa final de conferência desde 2002, ao vencer o duelo de quarentões com Drew Brees em casa dos New Orleans Saints (30-20) naquele que foi muito provavelmente o último jogo da carreira de Brees

Lídia Paralta Gomes

Chris Graythen/Getty

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Há uma coisa chamada estatuto e esse estatuto é o que faz um New Orleans Saints - Tampa Bay Buccaneers ser o jogo mais esperado da divisional round dos playoffs da NFL em 2021. Porque frente a frente estariam Drew Brees e Tom Brady, os mais decanos dos decanos quarterbacks do futebol americano, Brees acabado de fazer 42 anos há umas horas, Brady com 43. E sete títulos entre eles.

Brees e Brady já não serão os mais perigosos quarterbacks da liga e os jogos mais espectaculares até estariam na conferência ao lado, com os QBs mais jovens. O tempo é inclemente, o braço já não é o que era, mas eles são história viva e ainda por cima era a primeira vez que se encontravam nos playoffs em 20 anos de idas e vindas na NFL. Primeira e provavelmente última. E o jogo não foi bonito: houve muitos erros, mais defesa do que ataque, mais jogo corrido do que vistosos ataques aéreos da oval e a vitória daquele que nestas duas décadas tem sido o mais cerebral, o mais impiedoso, inteligente e decisivo dos jogadores.

Tom Brady, pois claro.

O quarterback que esta temporada trocou os New England Patriots pelos Bucs está pela 14.ª vez numa final de conferência, depois da equipa de Tampa Bay bater os Saints por 30-20, resultado para o qual foi decisiva a exibição desastrada de Brees, que terminou o jogo com 134 jardas para um touchdown e três interceções. Três erros que Brady capitalizou, cada um deles, em pontos.

Se este foi realmente um adeus para Brees, não foi o mais bonito. A verdade é que num jogo em que os Saints até poderiam ser considerados favoritos, por terem uma equipa mais equilibrada que os Bucs, o único momento de brilhantismo da equipa de New Orleans aconteceu numa trick play protagonizada por Jameis Winston, o suplente de Brees, numa altura em que já era visível que o texano estava em dia não.

O momento do cumprimento entre os dois míticos quarterbacks no final do jogo

O momento do cumprimento entre os dois míticos quarterbacks no final do jogo

Chris Graythen/Getty

No final, Brees atirou beijos para os 3500 adeptos autorizados a ver o jogo no Mercedes-Benz Superdome, a sua casa nos últimos 15 anos, no que pareceu um definitivo adeus, mas na conferência de imprensa que se seguiu à eliminação sublinhou que vai tirar os próximos dias para decidir se de facto esta foi a última vez que o vimos em campo. Até porque Brees merecia outra despedida, não com um jogo tão pobre e, pior, com o seu estádio praticamente vazio devido à pandemia.

Quanto a Tom Brady, indiferente a toda a emotividade do jogo, segue para a final da conferência NFC, a sua primeira depois de duas décadas na conferência AFC. E num encontro em que esteve apenas sólido, sem erros graves e em que lançou dois passes para touchdown. Muitos duvidariam que Brady funcionasse fora da disciplina dos Patriots e de Bill Belichick, mas ele aí está, aos 43 anos, a fazer-nos a todos de tolos. Com Brady ao comando, os Tampa Bay Buccaneers voltaram aos playoffs pela primeira vez desde 2007 e levam já duas vitórias na fase a eliminar. Desde o único título da equipa da Florida, na temporada de 2002, que os Bucs não venciam um jogo nos playoffs.

Na próxima semana, outro duelo de futuros hall of famers, Brady de um lado, Aaron Rodgers, de 37 anos, do outro. Os Green Bay Packers, ainda mais a jogar em casa, num Lambeau Field que se prevê nevado, são favoritos, mas já sabemos que não podemos nunca ter a leviandade de não contar com Tom Brady, que vai em busca de uma 10.ª presença no Super Bowl.