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Uma já está. Falta a outra final

Portugal está a uma vitória dos quartos-de-final do Mundial de andebol porque ganhou por 33-29 à Suíça, que teve o melhor e mais decisivo jogador em campo e alguma alquimia deve existir no país para sublimar tipos à beira dos 40 que dependam das mãos para fazerem vida no desporto. Ganhando à França, no domingo, a seleção seguirá em prova

Diogo Pombo

ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/Getty

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Há suíços na Cidade 6 de Outubro - povoado fundado à força no meio do deserto, há pouco mais de três décadas, para virar capital que hoje é só uma cidade onde as pirâmides de Gizé são vizinhança mais próxima do que o Cairo - porque o bicho impregnado em toda a parte do mundo afetou, em força, os americanos que estavam de malas feitas para irem jogar andebol no Egito. Um surto obrigou a seleção dos EUA a abdica e aí está a Suíça no Mundial, onde não estava há 26 anos.

Foi uma espera mais barbuda do que a portuguesa, essa teve 18 voltas ao sol e a seleção nacional rapou-a meritoriamente, qualificando-se em campo, mas colide com os repescados suíços neste segundo de três jogos da main round a ter que lhes ganhar para manter cabeludas as hipóteses de chegar aos quartos-de-final e começa bem, a marcar nos três ataques iniciais.

Não que tenha pressa, qual quê de precipitações, mas vê-se Portugal a atacar e a finalizar rápido os movimentos contra quem se teve de apressar estar ali, sem que isso se note. Por cada engenhoca de Miguel Martins que pica um passe para o pivô Iturriza marcar, segue-se o pranto dos portugueses para tentarem conter o central Andy Schmid, que não falha um livre de sete metros e com os seus 37 anos muito fazia jogar a Suíça.

Cada duelo estático com Quintana é uma pincelada de classe, ele arma o braço e inventa sempre forma de contorcionar a bola baliza dentro, nos últimos 10 minutos da primeira parte a seleção consegue limitar-lhe a influência sem o impedir de ser o melhor marcador nessa meia hora de partida, com seis golos, cinco em cinco nos penáltis andebolísticos. Mas Portugal vence por dois ao intervalo.

Hora de entrada para Humberto Gomes, o quarentão de fato de treino que é dos mais eficazes a contrariar bolas neste Mundial, jogador mais valioso que houve em campo contra a Noruega. Nem ele bloqueia a mira de Schmid noutro livre, logo a abrir, embora tenha lugar de privilégio para ver, pouco depois, a seleção a arriscar mais interceções e a lucrar com isso.

ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/Getty

Aguenta uma margem de três ou quatro golos durante quase 10 minutos, Portugal embala, tem um interlúdio de tremeliques com um par de ataques com passe falhado e uma exclusão e os suíços chegam a aproximar-se até ao singular golo de distância - ou melhor, um certo suíço leva-os a reboque com a sua anciania majestosa, alguma alquimia deve haver no país para sublimar suíços à beira dos 40 que tenham o sustento no desporto dependendente das mãos.

É com Schmid sempre em campo, mas já nem tanto devido a ele, que a Suíça insiste nos ataques com sete jogadores de campo e dois pivôs a muscularem-se no meio do bloco português e aviva o jogo. Chega a estar a apenas um golo do empate e só a menos de três minutos do fim a seleção nacional consegue respirar à vontade.

O melhor indivíduo que o jogo tem é Andy Schmid, foram 60 minutos a saírem-lhe quase todas as coisas que tentou e quis fazer (terminou com 10 golos e Victor Iturriza com sete), mas tudo acaba num 33-29 e Portugal está vivo.

Bem vivaço, pois com esta primeira vitória na main round chega aos seis pontos que são os mesmos da grandalhona França, a nação dos seis títulos mundiais de andebol que resta defrontar aos portugueses no domingo, às 19h30, dia de eleições e de fazedura de figas para que a seleção nacional consiga a qualificação para os quartos-de-final do Campeonato do Mundo.

Falta uma vitória contra quem é mais difícil ganhar.

  • "É preciso correr, meus amigos". E eles bem que correram
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    Foi o que Paulo Jorge Pereira disse, num dos descontos de tempo, aos jogadores da seleção nacional que acabariam o encontro contra a Noruega, vice-campeã mundial, com um remate ao poste que teria deixado tudo empatado (28-29). No fim, os noruegueses festejaram como se estivessem a conquistar um troféu

  • Objetivos? Até agora, eficácia total
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    Apesar de algum desacerto no ataque e da tranquilidade só ter aparecido nos últimos minutos, Portugal bateu a Argélia (26-19) e segue para a Main Round do Mundial do Egito com os objetivos, para já, imaculados. Ou seja, só com vitórias

  • Os filhos do pai foram derrotados
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    Portugal entrou no seu quarto Mundial de andebol com uma vitória (25-23) contra os islandeses, que defrontaram pela terceira vez este mês e, como qualquer islandês, têm no apelido o primeiro nome do pai que de nada lhes serviu para contrariarem a seleção nacional