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Portugal chegou-se à frente, mas a seguir ficou para trás

Os chamados Heróis do Mar foram derrotados pela França por 23-32 e assim terminou uma aventura no Mundial que termina com quatro triunfos

Pedro Candeias e Lusa

ANNE-CHRISTINE POUJOULAT

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As palavras têm peso e quando Paulo Pereira disse aos jogadores portugueses que "para disputar o jogo até ao fim era preciso defender", percebia-se o desânimo na voz do selecionador que ele tentava disfarçar. Pereira procurava um último arrebite com aquele discurso: jogar à defesa era pouco criativo, mas era uma ideia concreto e poderia resultar perante o iminente descalabro emocional da equipa.

Acabado o tempo de desconto, porém, cavou-se o fosso entre Portugal e a todo-poderosa França; se antes os portugueses conseguiam relativas aproximações no marcador, reduzindo a diferença para um, dois, três golos, a partir de então os gauleses dispararam para os quartos de final do Mundial.

Convenhamos que o objetivo era possível, porque Portugal batera a França em duas ocasiões anteriores, mas seria complicado replicar sucessos passados no presente. A França, candidata natural ao título e com seis campeonatos no bolso (1995, 2001, 2009, 2011, 2015 e 2017), não se deixaria levar uma terceira vez. Ao intervalo, Portugal perdia por 12-16; no final, ficou 23-32, com os últimos segundos a serem usados por ambas as equipas para cumprimento simpáticos entre derrotados e vencedores.

Na primeira-parte, Portugal até fez o primeiro golo, mas os minutos seguintes demonstrariam que os franceses estavam noutro nível, de peso, locomoção, explosão e também criatividade, pois marcaram bastantes golos da zona dos nove metros e em cruzamentos entre laterais e pontas e combinações com o pivot. Já Portugal viveu sobretudo de André Gomes, com os seus remates em suspensão, e de Miguel Martins, com disparos ao nível da anca.

Depois, na segunda-parte, a seleção nacional deslaçou-se do jogo enquanto a França prosseguiu como uma locomotiva, disparando sobre Quintana e Humberto Gomes, aumentando a vantagem para uma margem irrecuperável.

Na classificação do Grupo III, a formação comandada por Paulo Pereira ficou no terceiro lugar, com seis pontos, contra oito da Noruega, segunda, e 10 da França, primeira, que se qualificaram para os quartos de final.