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O multimedalhado Emanuel critica o Sporting: “Era e é o meu clube do coração e a poucos meses dos Jogos cessaram o meu vínculo laboral”

Francisca Laia, outra canoísta que também deixou o clube de Alvalade, revela que Frederica Varandas confessou "não haver verba" para manter a secção

Lusa

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Os canoístas Emanuel Silva e Francisca Laia lamentaram hoje o fim dos vínculos contratuais com o Sporting, que suspendeu a modalidade, deixando alguns atletas do projeto olímpico sem clube a seis meses de Tóquio2020.

“Os que representam aquele que era e é o meu clube do coração, a poucos meses do importantíssimo evento, que são os Jogos Olímpicos, para os quais me apurei em tempo oportuno, fizeram cessar o vínculo laboral que tinha comigo, pondo em causa a minha preparação para os mesmos Jogos”, anunciou Emanuel Silva nas redes sociais.

O canoísta natural de Braga, de 35 anos, considera que o contrato rubricado com os ‘leões’ deveria ter terminado após as Olimpíadas em solo japonês, que foram adiadas por um ano, entre 23 de julho e 08 de agosto de 2021, devido à pandemia de covid-19.

“O vínculo laboral com o Sporting cessava no final da época desportiva, em 31/12/2020. Sucede que, no contrato celebrado entre as partes, está expressamente prevista a salvaguarda de situações em que as competições são adiadas. Vale tanto para o atleta, como para o clube, e foi algo devidamente salvaguardado com a então direção”, alegou.

Ao acompanhar João Ribeiro, Messias Baptista e David Varela na prova de K4 1.000 metros, Emanuel Silva somará a quinta participação olímpica em Tóquio, nove anos depois da medalha de prata conquistada com Fernando Pimenta no K2 1.000 metros.

“Aconteça o que acontecer, farei tudo o que estiver ao meu alcance para, com a exigível dignidade, representar o nosso país nos próximos Jogos Olímpicos”, apontou o multimedalhado canoísta, que representava o Sporting desde dezembro de 2013, após passagens pelo Clube Náutico de Fão e o Clube Náutico do Prado.

Já Francisca Laia despediu-se “com uma enorme tristeza” de Alvalade, ao fim de cinco anos de “dedicação e empenho diário”, revelando que a direção liderada por Frederico Varandas admitiu que “não havia verba para dar continuidade à canoagem no clube”.

“Sempre entendemos estar salvaguardados pela excecionalidade das circunstâncias, como tantos outros atletas que viram o seu ano desportivo condicionado pela pandemia! As competições foram efetivamente adiadas, mas foi-nos transmitida a cessação do contrato”, escreveu a atleta abrantina, que lutará em maio pela presença em Tóquio.

Francisca Laia, de 26 anos, estreou-se nos palcos olímpicos há cinco anos, no Rio de Janeiro, onde competiu em K1 200 metros, reforçando que “deu tudo para honrar a enorme instituição que é o Sporting CP e representá-lo com a máxima dedicação”.

“Foi um desafio que me permitiu crescer tanto a nível pessoal como desportivo. Tenho a certeza de que 2021 reservará novos desafios, mas também novas conquistas. Os objetivos mantêm-se inalterados”, concluiu a canoísta, formada no Clube Desportivo “Os Patos” e detentora de 23 medalhas em eventos nacionais e internacionais.

O Sporting descartou ainda as renovações com Artur Pereira e Kevin Santos, tal como tinha procedido em agosto com David Varela e Norberto Mourão, vice-campeão do mundo nos 200 metros da classe VL2 e com vaga garantida nos Jogos Paralímpicos.