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Falta uma vitória para todos tatuarem os anéis

No primeiro de três jogos em três dias, a seleção nacional de andebol venceu (34-27) a Tunísia, o teórico mais fácil dos adversários que terá de defrontar no torneio pré-Olímpico onde se discute a qualificação para os Jogos de Tóquio. No sábado há novo jogo (17h30, RTP2), frente à Croácia

Diogo Pombo

SYLVAIN THOMAS/Getty

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Perder quem, em vida, foi um companheiro e um amigo, tudo na mesma pessoa, é uma dor atenuável em nada, nunca o seria, ainda nem há dois meses as mãos e os braços, os pés e as pernas de Alfredo Quintana estavam a tapar bolas arremessadas contra um retângulo com redes portuguesas e, quase de um dia para o outro, Ele partiu, maiúsculo como era a proteger uma baliza.

Essa perda plasma-se na cara de cada um dos jogadores portugueses que se perfila em campo, ao início, alinhados para o hino e todos com calção, camisola e casaco preto, são homens de negro sem sorrisos ou esgar de animação no pavilhão de Montpellier, as suas faces parecem apertadas pelo luto que também aperta na braçadeira usada por todos e com ela carregam contra a Tunísia.

Nem 10 minutos se contam quando Portugal já tem cinco golos à maior neste primeiro jogo do torneio pré-Olímpico. André Gomes vai abalroando bloqueios dos adversários à distância ou suspende-se no ar área dentro, servido por Rui Silva, tudo se vai passando rápido e vertiginosamente porque a defesa da seleção corta várias tentativas e depois contra-ataca em poucos segundos. Também ajuda que os tunisinos não marquem em dois livres de sete metros seguidos.

O ímpeto inicial de Portugal dura até ficar com dois jogadores excluídos em simultâneo, dupla consequência de a Tunísia marrar, insistir e sempre procurar os curtos passes interiores para o seu pivô, o anafado Ghazi Ben Ghali, berrador efusivo a cada falta que sofre e infração ‘limpa’ que comete para travar um ataque português.

Por mais gritos que fizesse bater entre paredes do pavilhão, a Tunísia marca apenas dois golos em vantagem numérica. Na última oportunidade para a aproveitar, o guarda-redes Gustavo Capdeville defende o terceiro duelo de sete metros que nem um robô mentalista e de imediato encosta os lábios à braçadeira, às iniciais “AQ”, beijo de homenagem que ajudou a manter vida da vantagem portuguesa estável até ao intervalo (15-10).

Alexandre Dimou/Getty

No rearranque, o problema pivotal de Portugal continua, o nome muda mas a Tunísia explora os espaços entre adversários ao centro e Ryadh Souid marca dois golos e, outra vez, é o mais largo e pesado dos andebolistas tunisinos em campo a encontrar brechas na defesa portuguesa, ora em seis-zero, ou em cinco-um. Logo depois, esse pivô é excluído.

O embalo que se sucede é português, aparecem os passes sem olhar e enganadores do canhoto Belone Moreira, sentado esteve ele durante meia hora para só jogar na segunda parte e os seus 180 centímetros serem os maiores em campo em vários momentos da partida. Havendo a sua cabeça a pensar com a bola, Portugal é constante a enganar o adversário e a manter a constância dos quatro, cinco golos a mais no resultado.

Os muitos duelos que a Tunísia força, embalando vários rematadores de fora dos nove metros para aproveitar a altura e os quilos que muitos tinham a mais que os portugueses foi-lhes dando bastantes ataques finalizados, mas sem se aproximarem da eficácia de remate (76%) de Portugal, que terminaria o jogo com sete golos (34-27) a mais.

Muito mais terão de fazer no sábado (17h30, RTP2), nem 24 horas de descanso depois e contra a Croácia que é titânica no andebol e contra a qual não há vitórias no historial português, tão pouco havia rasto de Portugal neste torneio de qualificação olímpica e lá estão os portugueses, a honrarem a memória de quem tantas bolas defendeu para os ajudar a agora estarem a uma vitória de garantir presença em Tóquio, daqui a uns meses.

Se lá acabarem terão, cada um, a pele tatuada algures e a tinta desenhada com a forma dos cinco anéis olímpicos, é promessa e assim o garantiu Paulo Jorge Pereira, selecionador nacional que de jogo em jogo, torneio em torneio, vai ajudando Portugal a não parar de crescer no andebol de seleções.