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Aliaksandra Herasimenia ganhou três medalhas olímpicas para a Bielorrússia. Agora o governo quer prendê-la

Uma das melhores atletas da história do país está a ser perseguida pelo regime de Alexander Lukashenko, depois de fazer parte da organização de protestos contra o ditador bielorrusso em agosto, após as eleições no país

Lídia Paralta Gomes

MARTIN BUREAU/Getty

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Nas piscinas olímpicas, ninguém levou o nome da Bielorrúsia tão longe quanto Aliaksandra Herasimenia. A nadadora, especialista em provas rápidas, conquistou três medalhas em Jogos Olímpicos, duas de prata em Londres 2012, nos 50m e 100m livres e uma de bronze quatro anos depois, no Rio de Janeiro, nos 50m livres. Um currículo onde estão ainda mais três medalhas em Mundiais e cinco em Europeus.

Mas num país onde a democracia tem as portas fechadas, nada disso parece contar.

De acordo com a revista “Swimming World Magazine”, Herasimenia, de 35 anos, está a enfrentar um processo criminal por parte do regime de Alexander Lukashenko, presidente do país desde 1994 e cuja vitória nas últimas eleições de agosto de 2020 foi alvo de protestos no país. Os resultados das eleições não foram reconhecidos nem pela União Europeia nem pelos Estados Unidos.

Herasimenia é uma das líderes da Fundação Bielorrussa para a Solidariedade do Desporto e apoiou e ajudou a organizar protestos nas ruas da Bielorrússia que pediam a saída de Lukashenko do poder e a realização de eleições livres e democráticas. As manifestações foram violentamente reprimidas.

A nadadora é agora acusada pelo governo totalitário de Lukashenko de espalhar falsas informações sobre as eleições do país e de “apelar na internet e nos meios de comunicação social a estados estrangeiros e organizações internacionais que tomassem ações que poderiam danar a segurança nacional da Bielorrússia”, diz um comunicado governamental citado pela “Swimming World Magazine”.

Caso seja considerada culpada de colocar em risco a segurança nacional da Bielorrússia, Herasimenia poderá ser condenada a cinco anos de prisão.

Em outubro de 2020, Herasimenia encontrava-se no exílio em Vilnius, capital da Lituânia, onde também se refugiou Svetlana Tikhanovskaya, líder da oposição bielorrussa. Foi a partir daí, numa reportagem para a agência AFP, que a antiga velocista revelou que pelo menos 20 atletas bielorrussos foram banidos de treinar no seu país, depois de se terem juntado aos protestos pela democracia. Vários foram mesmo presos. É desde a Lituânia que Herasimenia tem ajudado alguns desses atletas e continuado a pressionar as instituições internacionais para agirem contra o regime.