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Ginasta alemã assume posição contra a “sexualização da ginástica” e compete com fato de corpo inteiro

Ginasta alemã Sarah Voss decidiu competir em provas europeias com um fato de corpo inteiro por se sentir mais “confortável” assim. A mesma decisão foi tomada por outras atletas e apoiada pela federação de ginástica do seu país. É preciso acabar com a “sexualização da ginástica”

Sarah Voss nos Campeonatos da Europa de ginástica artística que decorrem em Basileia, na Suíça

FABRICE COFFRINI/GETTY IMAGES

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As ginastas só utilizam fatos de corpo inteiro em competições internacionais por motivos religiosos mas houve alguém que desafiou isso. Sarah Voss, ginasta de nacionalidade alemã, decidiu competir com um fato desses nos Campeonatos da Europa de ginástica artística que decorrem em Basileia, na Suíça, por outras razões.

“Nós, mulheres, queremos sentir-nos confortáveis na nossa pele e, na ginástica, isso vai-se tornando cada vez mais difícil à medida que se cresce. Quando era pequena, não dava importância às roupas justas, mas quando entrei na puberdade e apareceu a menstruação comecei a sentir-me mais desconfortável”, afirmou a ginasta em entrevista à emissora de televisão pública alemã ZDF. “Esperamos que as ginastas que se sentem desconfortáveis com os fatos habituais se sintam encorajadas a seguir o nosso exemplo”, acrescentou.

A decisão de Sarah Voss foi apoiada pela federação alemã de ginástica (DTB, na sigla original), que fez saber que as atletas que representa estão a tomar uma posição contra a “sexualização da ginástica”, até para prevenir abusos sexuais. Outras ginastas da seleção alemã, como Elisabeth Seitz e Kim Bui, também vão competir com um fato de corpo inteiro, adiantou ainda a federação.

De acordo com as regras da Federação Internacional de Ginástica (FIG), as pessoas que competem podem usar um “fato de peça único, com pernas cobertas”, desde que se trate de um design elegante, o que significa que nenhuma atleta que decida usar um fato diferente do habitual está a desrespeitar as normas. A esse propósito, Elisabeth Seitz afirmou, segundo a BBC, que os atletas e as atletas treinam sempre com fatos de corpo inteiro e que, a partir de certa altura, começaram simplesmente a questionar-se por que razão não podiam usar os mesmos fatos nas competições.

Ainda de acordo com o canal britânico, também a federação de ginástica da Holanda louvou a decisão, tendo um porta-voz afirmado que muitas vezes os juízes de determinadas provas deram pontuações mais baixas a atletas que tentaram competir com fatos mais confortáveis.