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Mike Tyson e o cato psicadélico que pode ajudar pugilistas com lesões cerebrais: "Estou mais leve"

O lendário pugilista, antigo campeão do mundo de pesos pesados, diz que as drogas psicadélicas o teriam ajudado com os problemas de saúde mental ao longo da sua carreira. Alguns cientistas parecem concordar com Tyson

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Donald Kravitz

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O chamado “cato peyote” é bem conhecido dos mexicanos, particularmente da tribo indígena Huichol. As cores vivas e os símbolos das suas roupas pintadas são, alegadamente, fruto das alucinações experienciados durante a ingestão desta planta rica em mescalina, em rituais xamânicos.

O próprio presidente do World Boxing Council (WBC), Mauricio Sulaimán, nascido no México, conta que os indivíduos pertencentes a essa tribo “tomam peyote e dizem que comunicam com os deuses”. “Eu respeito isso,” acrescenta Sulaimán. Diga-se que o WBC tem colaborado de forma controversa com a Wesana Health, uma empresa sediada em Chicago e que está a desenvolver medicamentos psicadélicos para o tratamento de traumas cerebrais repetidos.

O jornal inglês “The Guardian” refere que o próprio organismo regulador do boxe tem um projeto chamado “Clean Boxing Programme”, ou seja, um “programa para manter o boxe ‘limpo’”. A rigorosa testagem, a mais pequena associação dos pugilistas a uma substância classificada como ilegal pelo Governo dos EUA, não parece compatível com as declarações de Sulaimán, que desvaloriza.

“Temos tão pouco conhecimento do que se passa no cérebro, tens de estar aberto a encontrar formas de tornar o boxe e outras modalidades mais seguros e também o que pode ser usado para encontrar a cura,” diz Sulaimán. A palavra “cura” é a versão otimista do presidente do WBC para o desenvolvimento de qualquer tratamento para as lesões cerebrais que têm amaldiçoado a história do pugilismo.

Já a Wesana tem esperança de que ao recrutar um dos maiores pugilistas de sempre, Mike Tyson, enquanto conselheiro da direção, está a ajudar a compreender a tarefa. “Creio que se eu tivesse conhecido mais cedo o benefício das psicadélicas para uso terapêutico, teria tido uma vida muito mais estável,” disse Tyson ao “The Guardian”. “Tive muitos acessos em público e foram todos fruto de problemas mentais. As drogas prescritas faziam com que eu não me sentisse eu próprio mas, com as psicadélicas, sinto-me uma versão mais feliz e mais leve de mim próprio,” afirmou a lenda do boxe.