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Inês Henriques prepara a transição “de atleta para a enfermeira”, mas garante que “ainda não é um término” e sonha com Paris 2024

A atleta de marcha Inês Henriques anunciou, esta sexta-feira, que começou a preparar o final da carreira, mas em declarações à Tribuna Expresso garantiu que o fim não será para agora. A atleta pretende analisar a situação ano a ano e deixa mesmo em aberto uma ida aos Jogos Olímpicos de Paris

Rita Meireles

tiago miranda

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Inês é a atleta que lutou, e continua a lutar, pela inclusão da prova feminina dos 50 quilómetros de marcha nas principais competições a nível mundial. A atleta que há quatro anos, feitos esta sexta-feira, conquistou o mundo ao vencer a prova em questão no Campeonato do Mundo de Londres. Que, um ano depois, em 2018, chegou ao topo da Europa.

E Inês é a atleta que agora decidiu que está na hora de preparar “a transição de atleta para a enfermeira”, como explica numa publicação que fez na rede social Instagram. Contudo, isto não é o fim para a atleta de 41 anos.

“Ainda não é um término”, explica Inês Henriques à Tribuna Expresso. “Já iniciei a época, estou neste momento a fazer treinos de corrida, mais para a frente vou introduzir a marcha. Mas tudo de forma tranquila para que adapte o meu corpo, para não ter problemas físicos como tive no ano passado. Vai ser uma transição gradual e controlada”, diz.

Instagram

A atleta portuguesa está neste momento à espera da decisão, que deverá chegar no final do ano, em relação à prova olímpica de marcha em 2024, em Paris. Com o fim da prova masculina de 50 quilómetros, fala-se agora na possibilidade de incluir os 35 quilómetros para ambos os géneros.

“Tenho 41 anos, daqui a três anos terei 44, ainda tenho possibilidades nos 35 [quilómetros] de fazer algo bonito. Mas isso vai depender do meu corpo, agora é ano a ano porque são muitos anos de atleta, muitos anos ao alto nível”, diz.

Inês defende a necessidade de fazer a transição, que culminará com o final da carreira, de uma forma gradual para que o “impacto psicológico seja o menor possível”, lê-se na publicação da atleta. Por enquanto, optou por começar a exercer a profissão de enfermeira, uma vez que, mesmo não tendo exercido ainda, tem uma licenciatura na área.

“Vou ser integrada no Complexo Desportivo de Rio Maior, onde ainda não temos serviço de enfermeira. Pode ser algo em que posso ser uma mais valia para o complexo, tendo em conta a minha licenciatura em enfermagem e a minha experiência como atleta”, explica Inês.

Ainda assim, tem a noção de que vai necessitar de uma fase de adaptação. “Mesmo tendo uma licenciatura em enfermagem sinto que não estou capaz de exercer já a profissão, pelo facto de ter terminado em 2014 e nunca ter exercido”, diz, realçando que vai contar com o apoio do complexo desportivo e, caso necessite, da escola onde fez a licenciatura.

É quando fala sobre Rio Maior, e da importância da cidade na sua carreira, que a voz de Inês treme. Emocionada, a atleta recorda: “Eu dei muito a Rio Maior, mas Rio Maior também me tem ajudado neste processo [de transição]. Sabem que esta época foi dura para mim, mas eles estiveram sempre lá e, mesmo não cumprindo o objetivo de estar nos Jogos Olímpicos, nunca deixaram de me apoiar”.

São as pessoas que a incentivam, que param para a apoiar durante um treino ou que se aproximam só para dizer ‘olá’. Inês considera que essas são as coisas que o dinheiro não paga.

“Eu podia ter ido para outro clube e ganhar mais dinheiro, mas há atitudes das pessoas que o dinheiro não paga e eu estou muito grata por isso”, afirma.

JEAN-CHRISTOPHE BOTT

Certezas sobre o futuro ainda não existem. Inês toma todas as decisões com o treinador Jorge Miguel e, por enquanto, estão focados nessa transição. “Neste momento tenho-me sentido bem, este ano estou a regenerar por mim própria, sem grande suplementação, sem massagem, e estou a gostar da forma como estou a sentir o meu corpo”, diz.

A enfermagem entra aqui como uma forma de mudar o foco, sendo que poderá dar “um ânimo diferente”, que será “uma boa solução para que exista outra motivação''.

Paris em 2024? Logo se vê.