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A rapidez de Elaine Thompson-Herah não tinha só a ver com a pista trampolim de Tóquio

A bicampeã olímpica jamaicana tinha fixado um novo recorde dos Jogos Olímpicos e a proeza foi mais uma que ficou associada à tecnologia na pista de Tóquio, descrita como "um trampolim". Mas, no primeiro meeting da Diamond League após esse recorde, Elaine Thompson-Herah fez ainda melhor noutro piso: roubou sete centésimos de segundo à marca

Diogo Pombo

Jonathan Ferrey/Getty

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Durante as três semanas olímpicas Tóquio fertilizou-se em coisas várias, como quaisquer Jogos estes tiveram histórias-mil, superações à vista desarmada e recordes a serem batidos por atletas com anos sacrificados pelo desporto. Foram 67, mais dois do que os registados no Rio de Janeiro, em 2016. A evolução humana explica a própria existência destas marcas, criadas para serem batidas, mas a explicação não reside aí sozinha.

Mora, também, no que foi sendo posto em palavras por Andrea Vallauri, engenheiro que trabalha para a Mondo, em Turim.

O italiano liderou o projeto responsável por desenhar a pista olímpica de Tóquio e magicar os materiais que acolheriam as pisadas dos atletas. Foi citado pelo "New York Times" ou o "The Guardian", que o auscultaram pelos detalhes da inovação no que, vulgar e insuficientemente, chamamos de tartã. E Vallauri pormenorizou que, nesta pista, foram introduzidos grânulos de borracha tridimensionais que deram à superfície "um efeito de trampolim" e potenciais vantagens de 1-2% aos atletas.

Os recordes deixados em Tóquio aconteceram nesta tecnologia injetada na pista — custou à volta de €1.2 milhões — e à boleia de outras tecnologias que marcas como a Nike também usam nas sapatilhas colocadas nos pés dos atletas e essa forma de olhar para as coisas tocou em Elaine Thompson-Herah.

A jamaicana bateu o recorde olímpico dos 100 metros ao zarpar na distância em 10,61 segundos, extasiada por ser a mais rápida ainda antes de realmente o ser. "Poderia ter sido mais rápida se não tivesse apontado e celebrado tão cedo", reconheceria, no final, ao falar do singular centésimo de segundou que roubou à anterior marca e a atirou para dentro do saco da justificação de ter uma pista-trampolim debaixo dos pés.

A prova de que não terá sido isso, ou só isso, chegou agora.

Elaine Thompson-Herah voltou a ser a mais rápida dos 100 metros no sábado, em Oregon, EUA, na final do primeiro meeting da Diamond League após os Jogos, superando o tempo olímpico: 10,54 segundos. Desta vez, não houve festas antes de ultrapassar a meta com o corpo.

A velocista da Jamaica, rainha desta distância e dos 200 metros, aos 29 anos — é bicampeã olímpica de ambas, em 2016 e 2020 — voltou a acelerar bem para lá das mesmas adversárias de quem se escapuliu no Japão.

E, desta vez, também de Sha'Carri Richardson, que não participou nos Jogos devido a uma suspensão por ter sido detetado THC (marijuana) no seu sangue. A americana ficou no último lugar. "Após um mês fora e tudo com que tive de lidar, não estou nada desiludida", disse a atleta, que admitiu ter usado da substância para lidar com a morte da mãe biológica, que apenas conhecera em junho.