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“Ando há 20 anos a dizer que somos melhores do que eles”. Portugal ganhou à Espanha e está nas meias-finais do Mundial de futsal

A seleção nacional de futsal chegou a estar a perder por dois golos, mas, na segunda parte, logrou encostar a Espanha no seu próprio campo e fabricar muitas oportunidades, até empatar tudo. No prolongamento, Portugal voltou a marcar (4-2) e foi melhor do que a bicampeã mundial, como Jorge Braz, o selecionador nacional, às tantas desabafou durante um desconto de tempo. Seguem-se as meias-finais do Campeonato do Mundo

Diogo Pombo

Alexander Scheuber - FIFA

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São mais de 20 anos a viver com constância num palácio de grandeza e isso é muito tempo. Nos seis últimos Mundiais, a Espanha chegou a cinco finais, o que é um berbicacho dividido pelo quinteto de espanhóis que nesse dado momento estão no campo, a carregar com todo um estatuto contra o adversário que seja.

A seleção nacional é campeã europeia de futsal, estatutariamente falando é e tem um conjunto de jogadores para causar tremeliques nas cabeças de quaisquer adversários, mas, no pavilhão de Vilnius, tem a tal Espanha, a equipa degustadora de feitos (ganhou duas edições, em 2000 e 2004) de quem se colocar à frente dela e este momento era o dos quartos-de-final de mais um Campeonato do Mundo.

A primeira parte é um tu-cá-tu-lá constante, embora ameno, umas quantas oportunidades para cada equipa e um desperdício partilhado em doses semelhantes. Portugal não marca, Espanha tão pouco, o intervalo dá repouso antes de outros 20 minutos nos quais os vizinhos ibéricos arrancam de rompante.

Em 60 segundos que são minutos porque o relógio tem feitio próprio no futsal e pára se a bola não rolar, os espanhóis marcam dois golos por Adri (21') e Adolfo (22'). Precipitam a urgência nos portugueses, por alguns momentos inclinam o campo e a seleção nacional chega a parecer inoperante. Ricardinho, Bruno Coelho, Pany ou Bruno Coelho não congeminavam entre eles forma de desfazer o imbróglio constante com que a Espanha amordaçava a seleção nacional.

Até que, quando Jorge Braz, o selecionador, já rodara bastante os nomes e a equipa jogava sem os habituais, os supostos melhores que têm de estar em campo quando é um momento dos difíceis, Portugal começou a crescer, e crescer, e crescer sem parar até um o risco de uns e o erro de outros virar a agulha — quando a seleção já criava e rematava muito, Bruno Coelho disparou de longe e a bola foi à figura do guarda-redes.

A intervenção amanteigada de Jesus Herrero desviou-a para a baliza que protegia (31') e o estatuto de Portugal no microcosmos deste jogo explodiu. A seleção continuou a encostar a Espanha na sua metade do campo, remates atrás de remates, e foi numa bola parada e executada como notoriamente se praticou, e muito, em treino, que Zicky empatou tudo (36').

Alexander Scheuber - FIFA

Parecia uma questão de tempo até os portugueses inventarem maneira de marcar mais, houvesse mais tempo. E houve, mas, após o breve descanso antes do prolongamento, o ritmo abrandou mesmo que a tendência não tanto, só que o ímpeto devorador de quem quer que fosse os cinco portugueses em campo tinha amainado um pouco, ao ponto de parecer que uma oportunidade de carregar tinha sido desperdiçada.

As aparências sempre são enganadores e quando uma carambola desvio entre Raya e João Matos para a seleção nacional ficar a ganhar (43') pela primeira vez, bastou o pequeno intervalo entre partes do prolongamento para a urgência espanhola se precipitar com tudo para cima de Portugal. Era o estatuto, a pressa e a necessidade a misturarem-se num cinco contra quatro (guarda-redes avançado) para massacrar a seleção.

Só que esses cinco minutos da segunda parte do prolongamento foram fogo de vista entremeado com a capacidade enorme de Portugal, a defender-se junto à baliza, organizado e em bloco, provando na prática o que desabafo de Jorge Braz desvendara do pensamento teórico do selecionador nacional — "Ando há 20 anos a dizer que somos melhores do que eles", soltou, durante o último dos descontos de tempo.

Tão melhor foi Portugal neste jogo que Pany ainda faria o quarto golo (48') numa baliza sem gente e a vitória chegaria em apoteose no pavilhão de Vilnius, onde os portugueses presentes entoavam o hino. A seleção nacional está nas meias-finais do Mundial de futsal, a engrandecer o seu estatuto, e volta a jogar na quinta-feira, às 18h, contra o Irão ou o Cazaquistão.