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"Trabalhei com 17 homens fantásticos. Queremos continuar a este nível, o nível dos melhores do mundo": Jorge Braz à chegada a Lisboa

A seleção nacional chegou às 13h50 à casa da Federação Portuguesa de Futebol, onde foi, primeiro, recebida no exterior por cerca de 50 adeptos, e também algum aparato policial, e, depois, pelos funcionários do organismo, que cantaram o hino português

Lusa

RODRIGO ANTUNES

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O selecionador Jorge Braz afirmou esta segunda-feira, no regresso da seleção portuguesa de futsal a solo luso, que a equipa só pensa agora em “desfrutar” do estatuto de melhores do mundo, depois da conquista do Mundial da Lituânia.

“Trabalhei com 17 homens fantásticos. Homens de caráter. Queremos continuar a este nível, o nível dos melhores do mundo. Somos os melhores do mundo e queremos desfrutar disso”, afirmou Jorge Braz aos jornalistas, na Cidade do Futebol, em Oeiras.

A seleção nacional chegou às 13h50 à casa da Federação Portuguesa de Futebol, onde foi, primeiro, recebida no exterior por cerca de 50 adeptos, e também algum aparato policial, e, depois, pelos funcionários do organismo, que cantaram o hino português.

“Aquele canto está a ficar pequeno”, brincou Jorge Braz, apontando para o local da Cidade do Futebol onde são expostos os troféus conquistados e onde minutos antes foi colocada a taça de campeões mundiais de futsal.

“Era aqui que queríamos estar. Agora, queremos estar de forma contínua. Andamos há muito anos a trabalhar para estarmos nas finais e ganharmos títulos”, frisou o técnico de 49 anos.

Em conversa com os jornalistas, Ricardinho lembrou a fase difícil que viveu antes do Campeonato do Mundo, quando foi submetido a uma operação e esteve seis meses sem jogar.

“Foi muito difícil, mas quis fazer o meu último Mundial em condições e consegui. Parece que o homem lá em cima tinha alguma coisa guardada para nós”, disse o ‘capitão’ da seleção nacional, acrescentado, em tom de brincadeira, que espera que a conquista do Mundial “sirva de inspiração para a seleção de futebol”.

O guarda-redes Bebé, outro dos veteranos da equipa das ‘quinas’, destacou que é o único jogador não profissional que esteve a defender as cores nacionais na Lituânia.

“Na minha carreira, o momento mais difícil que vivi foi quando saí do Benfica. Ir para uma realidade nova, no Leões de Porto Salvo, em que sabia que o nível ia baixar um pouco. Acordava às 6h30 para ir treinar, depois ia trabalhar e voltava a treinar à noite. Sou o único não profissional deste grupo e, para mim, este título tem um sabor ainda mais especial”, disse o guardião de 38 anos.

Por seu lado, Pany Varela afastou o rótulo de ‘herói da final’, devido aos dois golos que marcou, e destacou o espírito vitorioso da seleção nacional.

“Somos 17 grandes obreiros, mais o ‘staff’ e o público que foi perfeito. Todos tivemos espírito de ganhar. Acabámos de tocar no céu. Daqui a cinco, 10, 15 anos o que vai ficar é que Portugal foi campeão do mundo. Não caí em mim ainda”, confessou.

A comitiva portuguesa campeã mundial será recebida no Palácio de Belém pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esta segunda-feira pelas 15h00.

A seleção portuguesa de futsal sagrou-se no domingo pela primeira vez campeã mundial, ao vencer por 2-1 a Argentina, que detinha o título, na final do Campeonato do Mundo de 2021, disputada em Kaunas, na Lituânia.

Portugal chegou a deter uma vantagem de dois golos, graças ao ‘bis’ de Pany Varela, aos 15 e 28 minutos, mas a seleção sul-americana, que defendia o título mundial conquistado em 2016, na Colômbia, reduziu por Claudino, aos 28, e manteve a incerteza até ao fim.

Portugal, que tinha como melhor resultado de sempre na competição o terceiro lugar alcançado em 2000, na Guatemala, tornou-se o quarto país a erguer o troféu, depois de Brasil, Espanha e Argentina, juntando o título mundial ao europeu, que conquistou, também pela primeira vez, em 2018, na Eslovénia.