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Ricardinho anuncia o adeus à seleção nacional, uma “história que termina da melhor maneira”, numa caminhada “incrível e inesquecível”

Numa emocionada conferência de imprensa na Cidade do Futebol, Ricardinho comunicou a "decisão mais difícil" da sua carreira, abandonando a seleção, pela qual disputou 187 jogos e marcou 141 golos, saindo como campeão do mundo e da Europa em título

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RODRIGO ANTUNES/LUSA

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A solenidade da ocasião, a juntar às últimas declarações públicas, faziam antever um momento marcante para o futsal português. E, no palco montado na Cidade do Futebol, um Ricardinho que não escondia a emoção confirmou a notícia que se vinha especulando: o até agora capitão da seleção nacional comunicou o fim do seu percurso com a camisola português.

"Vim aqui anunciar o fim de um ciclo. Apesar de me custar muito, foi sem dúvida uma caminhada incrível e inesquecível", foram as primeiras palavras do jogador, de 36 anos, que por Portugal fez 187 jogos e 141 golos e vincou "ainda ter alguns anos para dar ao futsal e jogar futsal nos clubes", sendo a "decisão somente com a seleção".

Ricardinho, que assumiu não saber "que o caminho fosse ser tão perfeito", revelou que esta foi "a decisão mais difícil" da sua carreira desportiva, mas que é "hora de dar lugar aos mais jovens". O canhoto pediu que "entendam" a sua decisão, assegurando ser "orgulhosamente português" e "continuar a apoiar a modalidade".

O jogador confessou "ter passado nos últimos dois anos os piores momentos desportivamente falando" do seu percurso desportivo, mas que, depois do "marco fenomenal" do Europeu ganho em 2018, "deus ainda tinha algo mais grandioso" guardado para a seleção, referindo-se ao Mundial conquistado este ano na Lituânia.

"Esta história termina da melhor maneira. Um campeonato da Europa, um Mundial, vários títulos individuais, que espero que os meus companheiros consigam bater no futuro", desafiou Ricardinho.

Mais à frente, na conferência de imprensa, o agora ex-10 da seleção nacional mencionou o "desgaste mental" e o quão exigente têm sido estes últimos 18 anos. “Não é que não me sinta útil e capaz, essa não é a questão. Tudo o que é a nível físico, sei que me posso superar, sei que trabalho e sei a forma como trabalho. A questão é a exigência que coloco em mim diariamente, e que tenho colocado nos últimos 18 anos da minha carreira. Em todos os lugares em que estive, sempre tentei ser preponderante, decisivo, ser o melhor profissional e exemplo. Acho que o consegui, nota-se também pelas conquistas em todos os países em que estive."

E continuou: "Mas causa também um desgaste mental, é aí que está, neste momento, a minha dificuldade. Foram muitos anos ao mais alto nível, a tentar dar o máximo, a tentar meter o nome e bandeira de Portugal o mais alto possível, seja coletivamente ou individualmente. E, ao mesmo tempo, tentar ser exemplo, tentar não falhar. Essa exigência é muito difícil. Penso que o fiz com grande sucesso, muitos anos".

Ricardinho, no fundo, diz que, embora se sinta útil, sente que chegou o momento de dar o lugar aos outros, porque está aí uma fornada com potencial e qualidade.

"Há um momento da nossa vida que, na minha opinião, é o mais difícil: saber sair, saber dar lugar aos outros. Temos de saber dar o lugar aos outros, até porque Portugal forma bem, tem potencial e talento a chegar. Às vezes, dar o passo ao lado não é sinal de fraqueza, é sinal que estamos a abrir portas a outros atletas para que o futuro seja mais brilhante. É o meu sentimento neste momento", explicou.