Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
Modalidades

Fernando Pimenta: “A situação laboral dos atletas é precária. A maioria está com contratos de prestação de serviços, a recibos verdes”

O medalhado olímpico em Londres e Tóquio lamentou que a "maioria dos atletas" estejam com "contratos de prestação de serviços, a recibos verdes, por um ou dois anos", e outros "nem contrato" tenham. Pimenta, que apelou à criação de um fundo de pensões, considerou ainda desajustada a carga fiscal aplicada aos atletas

Lusa

Murad Sezer

Partilhar

O canoísta e duplo medalhado olímpico Fernando Pimenta lamentou que a maioria dos atletas de elite esteja sujeita ao regime de recibos verdes precários. A denúncia do atleta foi feita perante a comissão de Educação, Ciência, Juventude e Desporto, no parlamento.

Os deputados de PS, PSD, BE, PCP, CDS-PP e ‘Os Verdes’ louvaram a iniciativa de Pimenta e da Comissão de Atletas Olímpicos serem ouvidos na oitava comissão parlamentar, numa reunião em que a importância da saúde mental dos atletas foi muito destacada, nomeadamente o exemplo da antiga triatleta e vice-campeã olímpica Vanessa Fernandes, que confessou ter chegado a ter pensamentos suicidas.

“A situação fiscal e laboral dos atletas é precária. A maioria dos atletas estão com contratos de prestação de serviços, a recibos verdes, por um ou dois anos, e outros nem contrato têm. Correm pelo amor aos clubes e às suas camisolas. A carga fiscal aplicada aos atletas é desajustada. Temos uma carreira curta e de desgaste bastante rápido”, defendeu Pimenta, 32 anos, medalha de prata em Londres 2012 e de bronze em Tóquio 2020, bem como recente campeão do mundo de K1 1.000 metros.

O canoísta, natural de Ponte de Lima, que representa o Benfica e foi quatro vezes campeão do mundo e cinco vezes campeão da Europa em diversas especialidades, apelou também à criação de um fundo de pensões, “já apresentado pelo Comité Olímpico de Portugal”.

“Há pouca valorização social e política do desporto. É dada pouca relevância, sendo nós exemplos de um estilo de vida ativa e saudável. O orçamento para o desporto é muito baixo em relação à importância que o setor tem”, acrescentou o canoísta, exemplificando com um rival húngaro, campeão olímpico, que vai gozar de uma pensão vitalícia pela sua boa prestação.

Os representantes dos diversos partidos políticos prometeram ter em conta os contributos apresentados e vir a discuti-los assim que possível, no parlamento, com vista à melhoria das condições dos atletas de alto rendimento, mas também pela promoção da prática desportiva pela população em geral, sobretudo os mais jovens, através do sistema de educação.