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Os medicamentos que não funcionaram, a frustração e a incerteza: em documentário Pau Gasol mostra tudo sobre a lesão que ditou o adeus à NBA

A recuperação de uma lesão não é um processo fácil para um atleta, mas Pau Gasol quer que as pessoas conheçam realmente aquilo por que passam os jogadores durante esses momentos. E vai fazê-lo através de um documentário onde além da lesão que acabou por acelerar a sua despedida da NBA, aborda também as relações familiares, o final da carreira e a irmandade com Kobe Bryant

Rita Meireles

Lisa Blumenfeld/Getty

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Em 2019, Pau Gasol contraiu uma lesão no pé direito que o levou até à mesa de operações e o afastou dos pavilhões até ao final dessa temporada, depois de apenas três jogos ao serviço dos Milwaukee Bucks. No verão seguinte assinou pelos Portland Trail Blazers, mas as dificuldades na recuperação fizeram-no sair em novembro. E foi aí que começou uma nova aventura: deixar registado o processo de recuperação.

“Tudo começou com essa lesão em Portland”, disse o espanhol aos jornalistas que marcaram presença no lançamento do seu documentário “Lo importante es el viaje”, com estreia marcada para sexta-feira. “Eu sabia que ia ser uma época complicada, especialmente na minha vida profissional, e também ia ser difícil de gerir a nível emocional, e eu queria capturá-lo e transmiti-lo. Queríamos transmitir como temos feito as coisas a nível familiar e o efeito que elas têm nas pessoas, algo muito difícil de ver e imaginar”.

O duro processo de recuperação é abordado pelo jogador de vários pontos de vista. Primeiro o seu, sendo que admite que as incertezas da altura foram uma tortura. “Era o que eu sentia. Foi muito difícil emocionalmente, estava a bater com a cabeça contra uma parede e simplesmente continuava a bater”, afirmou.

A frustração deveu-se também ao facto de, ainda que tenha seguido à risca tudo o que lhe era prescrito pelos médicos, seis meses após a operação tinha o nome, de novo, na ficha de lesionados. “Deixei-me levar pelo que os especialistas me disseram e vi que o osso não evoluiu. Também passei muitos meses a tomar medicamentos que não funcionavam”, confessou.

Por outro lado, o jogador procura abordar a forma como se lida com um problema destes a nível familiar. Gasol faz questão de salientar que os seus maiores apoios foram a sua família, além do fisioterapeuta Joaquín Juan. “Queria transmitir a dificuldade e a realidade por que passam muitos atletas e, em particular, jogadores da NBA”, explicou o jogador, mostrando-se consciente do quanto isso pode afetar a vida familiar.

Depois da tempestade

Ultrapassado todo este processo, Gasol acabou por deixar definitivamente a NBA e regressar ao Barcelona por uma época, antes de anunciar a retirada. Também esse tema será abordado no documentário.

Gasol voltou ao Barcelona para uma derradeira temporada antes de abandonar a competição

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Rodolfo Molina

“Pude reformar-me nos meus próprios termos e o tempo com o Barça, assim como ganhar um campeonato, foi um presente inesperado. Poder jogar nos meus quintos Jogos [Olímpicos], embora não pudéssemos lutar pelas medalhas, era um sonho para mim. Agora tenho de dar prioridade a outras coisas e estar mais presente em casa. Eu poderia ter jogado um pouco mais, talvez, em condições especiais como nos meus últimos meses, mas foi um bom momento e estou feliz por ter tomado essa decisão”, garantiu.

Além de protagonista, Pau Gasol é também um dos produtores executivos deste projeto que contará com quatro episódios e vários participantes: Phil Jackson, que foi seu treinador nos Los Angeles Lakers, os rivais Kevin Garnett e Tony Parker, assim como alguns ex-colegas de equipa como Shane Battier, Derek Fisher ou Lamar Odom.

Como não poderia deixar de ser, a relação com Kobe Bryant, ao lado de quem venceu por duas vezes a NBA, é também abordada no documentário. Gasol acabou por não conseguir esconder o desejo de ver retirada a sua camisola no Staples Center, em Los Angeles.

“Ainda é difícil para mim imaginá-lo, seria uma enorme honra e um momento muito emocionante. É difícil para mim ver-me ao lado desses grandes jogadores na história, na liga e na história dos Lakers, e também ao lado do que considero um irmão mais velho”, concluiu.