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Português Jorge Viegas será o próximo presidente da Federação Internacional de Motociclismo

Viegas confirma à Tribuna Expresso que será candidato único às eleições de dia 1 de dezembro, após a desistência do austríaco Wolfgang Srb. Dar mais poder às federações nacionais será pedra basilar do seu mandato de quatro anos. Quanto ao regresso do MotoGP a Portugal, Viegas acredita ser possível, mas difícil. "Não pode ser só a minha vontade, é preciso que o Governo português diga 'nós assumimos o contrato'"

Lídia Paralta Gomes

O português com Marc Marquez, atual campeão do mundo de MotoGP

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Jorge Viegas vai ser o próximo presidente da Federação Internacional de Motociclismo (FIM), após a desistência do austríaco Wolfgang Srb, que disputava com o português a sucessão a Vito Ippolito nas eleições que terão lugar a 1 de dezembro, no final do congresso da FIM que decorrerá em Andorra.

Foi o próprio Jorge Viegas a confirmar à Tribuna Expresso que já recebeu por escrito a nota que dá conta da desistência de Wolfgang Srb, pelo que será candidato único nas eleições onde já tinha boas perspectivas de vitória, já que é apoiado pela maioria das 113 federações nacionais que fazem parte da FIM. O mandato tem uma duração de quatro anos.

Jorge Viegas, de 61 anos, foi fundador e presidente da Federação Portuguesa de Motociclismo entre 1990 e 2013 e desde 1992 que faz parte da estrutura da federação internacional. É desde 2016 membro do Conselho de Direção, mas já cumpriu também mandatos como vice-presidente da FIM e presidente adjunto da federação que rege os desportos motorizados a nível global.

Poder às federações

Faltando então apenas a formalidade que serão as eleições do próximo dia 1 de dezembro, Jorge Viegas diz que chegar à presidência da federação internacional é o alcançar "de um objetivo de vida", de algo que "sempre desejou muito".

Como grande pilar do trabalho a desenvolver nos próximos quatro anos, Jorge Viegas aponta a necessidade de voltar a dar poder às federações nacionais. "É preciso que voltem a ter o papel que deixaram de ter nos últimos anos", diz o próximo líder da FIM. "Todas as decisões têm sido tomadas um pouco à margem das federações nacionais e são elas que fazem o trabalho de base e que conseguem formar os campeões que conhecemos desde pequenos. Só assim se vai conseguir manter o nível de competição que é elevadíssimo".

Jorge Viegas sublinha ainda a importância de "criar condições para que os jovens pilotos cheguem ao topo" e que é nesse campo que cada federação nacional tem o seu papel, "num trabalho que não é tão visível e que é feito por milhares e milhares de voluntários por todo o Mundo".

Um trabalho que, reforça Viegas, continua a ser bem feito, pelo que é necessário recompensar as federações dando-lhes mais peso na hora da tomada de decisões. "Está tudo muito centralizado na administração da FIM e é preciso alterar esse estado de coisas. É preciso também que haja uma melhor distribuição de recursos pelas federações com mais necessidades. Há muito a fazer e passa por uma reorganização interna", continua.

Regresso do MotoGP "faz todo o sentido"

Jorge Viegas diz ainda estar "extremamente orgulhoso" por chegar ao topo, ao cargo mais importante dos desportos motorizados de duas rodas, até porque acredita que é a primeira vez que há um português "presidente de uma federação da primeira divisão". E que a sua chegada à presidência da FIM será, com naturalidade, positiva para o país.

"Não é por acaso que Portugal tem tido imensas provas a contar para campeonatos do Mundo e já teve o MotoGP que desapareceu por outras razões. Mas temos o Mundial de superbikes, de motocrosse, de enduro, de trial e isso consegue-se tendo dirigentes na federação internacional. Não é por acaso que essas provas têm vindo para cá e também não é por acaso que temos muitos pilotos nesses campeonatos", frisa.

Quanto ao MotoGP e um possível regresso de Portugal ao calendário da principal disciplina do motociclismo, Jorge Viegas acredita que faz todo o sentido mas que é "difícil".

"Nós perdemos o MotoGP porque alguns políticos consideraram que não era um evento que merecesse o apoio que estava a ter. O MotoGP manteve-se em Portugal durante 12 anos e podia e devia ter-se mantido, mas mudou a política de incentivos ao turismo desportivo e à organização de eventos em Portugal. Perdemos o MotoGP e agora é extremamente difícil voltar. É possível, mas passa pelo Governo. Eu consigo trazer o MotoGP para Portugal, então agora ainda mais facilmente, mas não pode ser só a minha vontade, é preciso que o Governo português diga 'nós assumimos o contrato'", explica.

Viegas diz que "se fosse político", o regresso do Mundial de motociclismo seria um objetivo. "Ainda por cima agora com o Miguel Oliveira na categoria principal, Acho que faz todo o sentido tentar trazer o MotoGP para Portugal".