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A melancolia de Mourinho: “O Zé tem que ser Zé até ao último dia. Tenho saudades das pessoas que me querem”

Mourinho diz que a paragem desde dezembro fá-lo sentir que entrou para o museu do futebol. E esse não é um bom sentimento

Andrew Yates

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O que para muitos seriam umas férias, para José Mourinho começa a ser uma tortura. O técnico português está sem clube desde dezembro de 2018, mês em que foi despedido do Manchester United, e até agora continua a assistir ao desporto que mais ama da bancada. E isso está muito longe de o satisfazer, confessou Mourinho, em entrevista à “Sky Sports” na segunda-feira à noite.

“Tenho tempo para pensar e repensar, para analisar e o que sente exatamente o 'Zé' é que está cheio de vontade. Os meus amigos dizem-me que desfrute do meu tempo, de julho, de agosto, do que nunca tive. Sinceramente, não consigo desfrutar. Não estou feliz o suficiente para desfrutar. Tenho saudades do futebol, estou com 'ganas', um compromisso comigo mesmo, com as pessoas que me querem, com os muitos adeptos que tenho pelo mundo e com todas essas pessoas que inspirei”, disse o treinador português.

Mourinho admite sentir todos estes meses de paragem fazem-no sentir que entrou para o museu do futebol. “O Zé tem que ser Zé até ao último dia, mas não vejo o último dia, porque o meu próximo movimento será o início. Não sinto que seja um ano mais para somar aos outros anos, em que trabalhei e ganhei títulos. Isso é história de museu”, explicou.

Em todo o caso, o técnico português não põe a possibilidade de optar por vir a treinar uma seleção. “Um jogo ao mês? Demasiado trabalho de escritório. Sem relvado, nem jogos. Esperar dois anos para o Europeu, esperar outros dois para um Mundial... não. Ainda não”, disse.