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Mundial 2018

Aquela altura do ano em que ver anúncios de futebol é um prazer. Como estes

Quão bom, bonito, inspirador é esta altura da vida, em que o Mundial está aí à porta e tudo quanto é marca associada ao futebol nos quer impressionar e começa a fazer anúncios? A resposta é difícil de quantificar, dadas as emoções que vídeos como estes despertam nos adeptos (e, arriscamos, até em quem não gosta assim tanto de bola)

Diogo Pombo

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Por fim, o longo e sentido suspiro que, ciclicamente, dura quatro anos em quem nutre algum carinho por futebol e, por arrasto, sofre das maiores ressacas desta vida, está a terminar. O primeiro jogo do Campeonato do Mundo, a prova das provas, é já esta quinta-feira e a espera que dura desde 2014 está a dias de ser satisfeita.

Mas há bastante tempo, por certo, que já se estava a mexer quem muito pode lucrar e beneficiar com isto de andarem muitos tipos a correr, entre duas balizas e dentro de um rectângulo de relva, atrás de uma bola, pelo bem dos seus países.

Há marcas de chuteiras, roupa desportiva, carros, eletrodomésticos, auscultadores, cerveja e outros afazeres, em nada relacionados com futebol, que aproveitam a visibilidade da competição (a FIFA estima que 3.2 biliões de pessoas tenham assistido ao último Mundial) para se promoveram. Limarem a sua imagem junto do público, dar a conhecer um certo produto ou oferta, ou, simplesmente, fazerem coisas bonitas, inspiradoras e facilmente apreciáveis, só porque sim.

Este ano, por exemplo, a Federação Portuguesa de Futebol optou por utilizar os próprios recursos e construir um anúncio de apoio à seleção nacional, cheio de imagens motivacionais que se misturam com ditados e expressões populares portuguesas. Está aqui e, em baixo, ficam outras quatro amostras de como estamos na melhor altura do ano para nos sentarmos, termos um qualquer tipo de ecrã à frente e apreciar o que o melhor a publicidade nos tem para oferecer.

Os genes argentinos

Os argentinos têm um especial e peculiar talento para anúncios relacionados com futebol. Apelam sempre, mas sempre, ao que não é palpável e mais mexe connosco, apontam à alma e vão em busca do sentimento.

Por isso dão à luz anúncios como este, da revista Olé, onde um casal norueguês visita uma clínica de fertilidade, é-nos sugerido que escolhem um dador argentino e a sugestão confirma-se pela forma como o eventual filho se comporta na infância - anormalmente emotivo para a estereotipada frieza nórdica.

"Exigem menos de Deus"

A Quilmes tem uma longa tradição a manter, quase como um legado publicitário que lhe cobra em exigência a cada grande competição em que a seleção argentina jogue. A marca de cerveja já foi inventora de muitos e inspiradores anúncios (há anos, por exemplo, pôs Deus a falar com os argentinos) e, agora, decidiu colocar Oscar Ruggeri, campeão do mundo com a Argentina, em 1986, no meio de um relvado, com um chapéu de chuva.

O estádio está à pinha de gente e o antigo futebolista começa a dialogar, e responder, com alguns adeptos que vão criticando os jogadores da seleção argentina. O discurso que lhe sai da boca, claro, é do tipo que nos faz sentir capazes de mover uma montanha ao pontapé depois de o ouvirmos.

Brasileiragem

"Olhem onde vocês estão! É para chegar lá e passar por cima! É para dar a vida! Isto é o Brasil, é sem medo! Esta camisa aqui tem história!".

É com estas frases a serem gritadas e exclamadas, com tudo, que acaba este anúncio que, uma vez mais, a Nike preparou para o Brasil e a sua seleção. É tão típico associarmos a famosa marca desportiva com o país da ginga que, lá para o meio, até há uma referência ao que aconteceu há 20 anos, quando saiu um dos melhores anúncios de sempre destas fases pré-Mundial.

Uma mixórdia de tudo um pouco

Luzes berrantes, sons intrusos e agressivos, muita coisa a acontecer ao mesmo tempo. Em minuto e meio de confusão organizada, a Adidas resolveu misturar muitas estrelas que patrocina (futebolísticas e não só) para criar uma campanha alusiva ao futebol, sim, mas também à nova linha de chuteiras (as maiores marcas criam modelos específicos para o Mundial) e roupa.

A mensagem, mesmo que pareça transmitida aos repelões, é uma de união, arrojo e desafio ao status quo.

O fator Zlatan

Bom, Zlatan a ser Zlatan e a ter piada a sê-lo. É um filme feito e repetido, desta vez, pela Visa, que imaginou um cenário em que o carismático sueco, hoje a gozar dos derradeiros momentos da carreira nos LA Galaxy, nos EUA, revela ao mundo que vai tentar qualificar-se para o Mundial - jogando sozinho contra o mundo.

Islândia

Este anúncio é uma colagem de pedaços de história do futebol islandês: os três rapazes a bateram uma bola na praia de areia escura, algures na década de 40, formam uma alusão aos Jónson, os primeiros três irmãos a jogarem juntos numa seleção; Albert Guðmundsson assina pelo Arsenal em 1946; depois, Ásgeir Sigurvinsson, que viria a tornar-se no jogador do ano da Bundesliga, pelo Estugarda, corre até ao quarto para resgatar as chuteiras, antes de a erupção de um vulcão cobrir de lava a cidade de Eldfell.

Estes e outros episódios históricos, aliados a figuras marcantes do futebol islandês, compõem o anúncio que a Icelandair dedica à seleção do país pequeno, inóspito e gélido que volta a estrear-se numa grande competição.