Tribuna Expresso

Perfil

A Casa às Costas - Mundial

Luís Neto: “Num estágio do Zenit, Danny, Hulk, Criscito, Garay, Javí Garcia arrancaram a cama do meu quarto, papel higiénico em todo o lado”

Luís Neto fecha este ciclo de "A Casa às Costas" especial com entrevistas a jogadores que estiveram presentes numa das seis fase final de mundiais antes da Rússia 2018. Aos 30 anos, e depois de uma época emprestado ao Fenerbahçe, o jogador que nasceu para o futebol no Varzim, está de regresso ao Zenit, da Rússia, mas confessa ter a ambição de jogar num grande português, até porque essa ainda é, na sua opinião, a melhor montra para a chamada à seleção.

Alexandra Simões de Abreu

Stuart Franklin - FIFA

Partilhar

Nasceu numa família ligada ao futebol, certo?
Sim, nasci no centro da Póvoa do Varzim e todos os meus tios jogavam na 1ª. divisão. O meu pai também, mas depois optou por ir trabalhar para o banco. A minha mãe é manicure, pedicure. Tem o gabinete dela em casa.

Tem irmãos?
Tenho uma irmã mais velha 4 anos.

Qual é a primeira imagem que vem à cabeça quando se fala de futebol?
Sempre vivi perto dos meus primos. No primeiro andar vivia eu, com os meus pais e a minha irmã, em baixo viviam os meus avós e a irmã do meu pai que tem três filhos, dois deles homens que também jogam. Nós tínhamos um quintal onde jogávamos futebol. Lembro-me que o meu avô dizia que nós arrancávamos as telhas da parede do quintal onde jogávamos, com 7, 8 anos. Já chutávamos com força.

Nunca quis ser outra coisa senão jogador de futebol?
Não sei se em pequeno dizia que queria ser jogador de futebol, mas era aquilo que mais gostava de fazer e parecia-me a mim que tinha um bocado de jeito. Andava sempre com os mais velhos e qualquer jogo que houvesse eu intrometia-me, era uma espécie de mascote.

Luís Neto ainda bebé

Luís Neto ainda bebé

D.R.

Torcia por que clube?
O meu primeiro clube é o Varzim, desde sempre. Gosto mais do Varzim do que qualquer outro clube. Tenho uma costela do Benfica porque o meu pai é do Benfica e o meu avô também era.

Como e quando é que surge o futebol mais a sério?
Por volta dos meus 8 anos tive um pequeno problema com uma professora que a nível didático não era, digamos, o normal dos professores. Comecei a dizer aos meus pais que não queria ir à escola, que não queria mais aquela professora. O meu avô, na sua forma mais genuína de me convencer a voltar à escola, disse-me que se eu voltasse para a escola ele metia-me no Varzim. Naquela altura aquilo para nós era o melhor que podia acontecer.

Mas que problema foi esse com a professora?
Era um pouco rude. Nós éramos novos e ela às vezes soltava a mão e eu não achava aquilo normal.

Contou aos seus pais o que é que se passava?
Não, dizia que não gostava. Quando somos miúdos às vezes escondemo-nos um bocadinho. Sempre que me aproximava da escola dizia que não queria ir e ficou decidido que eu iria mudar de escola. Mas entretanto surgiu essa situação do meu avô. Eu mudo de escola na mesma, mas acaba por ser o início da minha história no futebol porque a partir daí nunca mais saí do Varzim.

Luís Neto no dia do seu baptizado, com os pais

Luís Neto no dia do seu baptizado, com os pais

D.R.

Quando é que se estreia na equipa principal?
Faço a minha formação toda no Varzim, vou a todos os torneios e assino contrato profissional com o Varzim por 3 anos, aos 16 anos. Estreio-me aos 17 ou 18 anos num Varzim-Benfica em que o Benfica é eliminado. Entrei aos 88 minutos, o Varzim na altura estava na 2.ª divisão e eliminou o Benfica da Taça de Portugal.

Estava muito nervoso?
Sim, estava e aquilo parecia o jogo inteiro, o estádio estava cheio, era contra o Benfica e nós estávamos a ganhar, com o tempo extra foram uns 6 minutos. Só toquei uma vez na bola (risos) e foi para chutar e fazer um balão para a frente porque havia muita pressão.

Nessa altura já jogava como central?
Já.

Luis Neto abraçado à irmã, com o avô e primos

Luis Neto abraçado à irmã, com o avô e primos

D.R.

Como e quando é que a sua posição foi definida?
Naquela altura não havia as escolinhas como há hoje, entrávamos diretamente para os infantis mas não havia competição, os mais novos treinavam com os mais velhos e inicialmente jogava a lateral direito. Quando fiquei mais alto e rápido, ainda nos infantis, tive o mister Caixeira, disse-me que com ele ou jogava a número 6 ou a central. Só que na altura o recrutamento não estava muito forte. Ele disse-me: “Se eu conseguir arranjar alguém bom aqui para trás vais para número 6, se não conseguirmos eu quero-te a jogar a central”. E assim foi, comecei a ser central e às vezes também jogava no meio campo. O mister Caixeira marcou-me muito.

Porquê?
Ele faz parte da história do Varzim. Foi um treinador que apanhou escolinhas e infantis, ou seja a base. Aquelas fornadas de iniciados e juvenis passava tudo pela mão dele, numa idade em que supostamente é a mais complicada para um treinador, porque tem detetar a qualidade, mas tem de aliar o facto de os miúdos terem de continuar a estudar. Tem que se ser um bocadinho mais professor e amigo e ele conseguia fazer isso. Quase todos os jogadores que saíram do Varzim e que singraram, passaram pela mão dele.

Luís Neto, o 4º em baixo, no plantel de infantis do Varzim

Luís Neto, o 4º em baixo, no plantel de infantis do Varzim

D.R.

Continuou os estudos até onde?
Terminei o 12.º ano, fiquei um ano a fazer a substituição da matemática por 3 disciplinas, na altura acho que era o ensino recorrente para fazer a matemática que era o meu “tendão de Aquiles” e no ano a seguir entro na faculdade de Desporto e Lazer, no Algarve. Entretanto peço a troca para Coimbra, porque na altura era júnior, treinava nos seniores e tinha o meu primo Ricardo, que é guarda redes que jogava na Académica e que tinha casa mesmo ao lado da faculdade. No ano a seguir, fiz os 3, 4 primeiros meses na faculdade, mas como também já tinha começado a jogar no Varzim , começou a ser um bocado complicado. Tinha que ir de comboio, não tinha ainda a carta de condução, e pedi novamente transferência, para o Porto. Entretanto sou transferido para o Nacional e a partir daí... Há 8 anos que estou fora.

Quando se estreou na equipa principal do Varzim nesse jogo contra o Benfica, quem era o treinador do Varzim?
Era o Diamantino Miranda. Gostei de trabalhar com ele. Era muito exigente. O Varzim na altura estava sempre a fazer equipas para subir de divisão. Tinha muitos jogadores que podiam facilmente jogar na 1ª Liga. Na altura os jogadores que se perfilavam para poder jogar nos seniores era eu, o André André, o Yazalde, o Marafona, ou seja todos os que ainda estão na 1ª divisão e com boas carreiras. Ele ensinava-nos muito e só posso agradecer porque foi com ele que evoluí muito nas minhas capacidades a nível tático, técnico, a nível mental.

Luís Neto, o primeiro em pé à esquerda, no Varzim

Luís Neto, o primeiro em pé à esquerda, no Varzim

D.R.

Como é que vai parar ao Nacional?
Através da empresa que ainda hoje trabalha comigo, Team of future. Na altura surgiu a possibilidade da Académica em outubro ou setembro, porque terminava o meu contrato e o Varzim apresentou-me uma renovação, mas como tinha o meu primo Ricardo na Académica, eles falaram comigo e era a minha ideia ir para lá. Só que tinham que pagar direitos de formação ao Varzim, e a Académica não tinha capacidade de pagar. Surgiu o Nacional com uma proposta de 5 anos, em que pagava o que fosse preciso ao Varzim. Assinei um pré-acordo em janeiro, fiz o que restava da época no Varzim, sabendo que no ano seguinte ia para o Nacional.

Quando vai para a Madeira sai pela primeira vez do “ninho” dos pais.
Exatamente.

Custou-lhe muito?
Custou-me mais de janeiro a maio, pensar que ia sair do meu meio. Que ia deixar os meus primos, que ia deixar todo a gente, é um povo pequeno, é uma cidade pequena, custou-me a ideia de ter de sair dali, porque temos ali as nossas raízes. Mas a partir do momento em que cheguei, não me custou nada.

Foi viver sozinho?
Na altura tinha a minha namorada que estava a acabar o curso de contabilidade e gestão, na faculdade, e que é a minha atual mulher, a Andreia. Conhecemo-nos na escola com 15 anos.

Ela foi consigo para a Madeira?
No ano da Madeira não houve tempo, foi um ano de transição vieram os meus tios, chegaram a ir os meus pais, a minha irmã, amigos, um pouco de tudo para fazer companhia e claramente vinha a Andreia que me ajudou a escolher a casa. Como na altura éramos namorados e queríamos que ela terminasse o curso, ela ia lá por temporadas.

Luís Neto, o primeiro à direita na fila de cima, esteve uma época no Nacional da Madeira

Luís Neto, o primeiro à direita na fila de cima, esteve uma época no Nacional da Madeira

D.R.

Correu bem essa época no Nacional?
Correu. Tive um treinador muito bom, o mister Pedro Caixinha.

Passou da 2ª para a 1ª Divisão. Notou muita diferença?
Temos sempre receio. Começamos a pensar que os jogadores da 1ª passam melhor a bola, são mais rápidos e mais fortes, o que é normal. O Nacional tinha ido à Liga Europa, tinha um grupo definido, muito bem formado, com jogadores experientes, de 1ª Liga, com muito nome e a pré época foi também para aprender, para criar laços com os jogadores. Havia muitos brasileiros, muitos jogadores da Eslovénia, do Montenegro, croatas e só havia 6 ou 7 portugueses. O início foi de aprendizagem, foi o adaptar-me a viver fora, a começar a fazer as minhas coisas. Graças a Deus tive ajuda e uma das pessoas que mais me ajudou, e que é um amigo para a vida, é o Márcio Madeira, que encontrei lá. Foi das primeiras pessoas a dar-me a mão e a não mais a largar. Foi um passo fundamental na minha carreira, ter ido para o Nacional.

Antes do Nacional ainda esteve para ir para o Benfica, não foi?
Assinei contrato com o Nacional em janeiro e o Benfica surge em março num acordo que o Varzim faz para ganhar algum dinheiro e em que dá a preferência de 3, 4 jogadores do clube, eu incluído. Iam iniciar as equipas B’s. Mas a minha decisão já estava tomada, deixei claro que aquilo que eu queria era ir para a 1ª Divisão e para o Nacional porque tinha sido o clube que tinha feito mais força para eu assinar.

Luís Neto e a mulher, Andreia, já gravida

Luís Neto e a mulher, Andreia, já gravida

D.R.

Como surge o Siena de Itália?
O Siena surge quando estávamos em pré temporada, em França. Em agosto eu estava à procura de casa na Madeira porque tinha terminado o arrendamento da casa onde estava e o proprietário não queria voltar a alugar. Entretanto, o Moreno, que era o capitão, disse-me: “Acho que devias tentar aguentar mais 15 dias, 3 semanas porque o Patacas, que na altura era o director desportivo , disse-me que o presidente lhe tinha dito que estava iminente a tua venda”. E eu aguentei. Quando estamos em França a fazer a pré temporada, o Patacas ligou-me a dizer que o presidente já tinha acordado tudo com um clube italiano, eu na altura não sabia que era o Siena, e que eu teria de viajar para acordar o meu contrato e fazer os exames médicos.

Quando recebeu a notícia de que ia para Itália, gostou da ideia, ficou com receio, como é que foi a sua reação?
O Siena tinha sido castigado por problemas de viciação de resultados, com pontos negativos no campeonato. Mas depois de uma época no Nacional, no final já estava um bocadinho cansado das viagens e pensei que era uma boa oportunidade. O meu sonho, depois de chegar ao futebol profissional, era jogar em Itália, era apaixonado pelos defesas italianos, Maldini, Cannavaro, Nesta.

Eram esses os seus ídolos?
Não eram ídolos, eram jogadores que eu seguia. Na altura o futebol italiano era o melhor futebol do mundo, toda a gente queria jogar no Milan, no Inter, onde estavam jogadores consagrados, eu era maluco por aquilo e por muito que o Siena não fosse um grande clube, pensei que era um passo, a nível financeiro também melhor. A cidade apesar de ser pequena era uma cidade histórica, onde se vivia muito bem, comia-se muito bem, na zona da Toscana, perto de Florença. Disse para mim, é agora. Apanhei um táxi para o aeroporto e fui para Itália. Cheguei a Roma e fui tratar de fazer os exames médicos, assinar o contrato e entrei logo em estágio com o Siena.

Luís Neto em ação pelo Siena

Luís Neto em ação pelo Siena

Claudio Villa

Nessa altura como é que reagiu a família e em especial a sua namorada?
Tive a sorte de ter tido uma base forte que sempre me apoiou, nunca me puxou para trás, e nunca deu uma opinião para influenciar mais do que devia. Sempre souberam até onde podiam ir na opinião. Eu, depois, tinha a minha percentagem nas decisões, a par do meu representante, e sempre foi para melhorar. Foi sempre a dar bons passos, nunca se tentou dar um passo maior do que a perna. Foi tudo ponderado.

Vai para Itália sozinho ou a Andreia vai consigo?
Vou para Itália sozinho e fico um mês num hotel para arranjar casa, porque estávamos em pré-temporada. Arranjo casa e quem vem primeiro até é o meu tio Vitoriano que é neste momento o treinador adjunto do Varzim, a minha madrinha e a minha prima. São as primeiras pessoas a ver a casa e depois, sim, veio a Andreia e em Itália já levamos uma vida mais de casal. Ela entretanto já tinha terminado o curso; é aí que as coisas começam a ficar mais sérias entre nós.

Como é que foi a adaptação tanto ao futebol, como ao país?
O futebol italiano era mais tático, mais detalhado, dava-se atenção ao pormenor, um bocadinho mais físico do que aquilo a que estava habituado. Uma equipa maioritariamente com jogadores italianos. Para mim foi uma grande experiência: fiz 24 jogos até dezembro e as coisas correram-me muito bem, só tenho boas memórias do pouco que vivi lá.

E em relação ao país e à cidade onde estava?
Em relação ao país sou um bocado suspeito porque sempre quis aprender italiano, e tive oportunidade de fazê-lo e fazer aquilo de que mais gostava. A cidade era tranquila, era um povo como é o da minha cidade da Póvoa, embora não tivesse praia. Dentro ou fora de muralha, era uma cidade típica italiana, com monumentos antigos, onde se comia muito bem

Depois de Itália, Luís Neto veste as cores do Zenit da Rússia

Depois de Itália, Luís Neto veste as cores do Zenit da Rússia

D.R.

Como é que surge então o Zenit?
O Zenit surge na altura em que abre o mercado. Falava-se na oportunidade de eu ir para um clube maior em Itália, só que o Siena estava a passar por alguns problemas financeiros, na altura pagavam de três em três meses e em janeiro necessitavam de pagar muitos salários e não me queriam emprestar. Os clubes davam 1 milhão, não davam mais, e o Siena tentou fazer a melhor venda possível. Na altura era o Zenit de São Petersburgo e o Dínamo de Kiev que estavam interessados. Entretanto, fechou o mercado mas como ainda ficava aberto para o leste, eu pensava que já não saía ou que ficava até maio, a minha intenção era ficar até maio e depois continuar no futebol italiano. Mas um pouco à semelhança do que aconteceu com o Nacional, o Siena tinha chegado a acordo com o Zenit e um dia estava a sair para o treino e ligaram-me. “Estás dispensado do treino, vem ter a Milão que vamos negociar o teu contrato. Chegámos a acordo com um clube e queremos que estejas a par de tudo”. E foi assim.

Qual foi a sua reação quando soube que era o Zenit?
Eu falava muito com o Bruno Alves, somos da mesma cidade, e falava muito com ele nos anos em que ele esteve no Zenit. Sempre nos demos muito bem, às vezes encontrávamo-nos nas férias e falávamos sobre como era e como não era e eu também fui criando a minha própria ideia, inconscientemente sem saber que um dia iria jogar na Rússia. Mas penso que tinha a ideia que toda a gente tinha, que era a de um país não só frio a nível de temperatura, mas também a nível cultural. Falei com o Bruno e com o Danny e as primeiras coisas que me disseram foi: “Pega nas malas e vem-te embora. Não tens problema nenhum, estás connosco”. A realidade é que tinha muitos russos na equipa que faziam parte da seleção e o ambiente não era o mais saudável. Mas era uma grande equipa e ia dar um salto quer a nível financeiro, quer a nível de jogar competições europeias.

Nessa altura foi ganhar quantas vezes mais?
3, 4 vezes mais.

Luís Neto no Zenit

Luís Neto no Zenit

D.R.

Como foi o impacto quando chegou?
Não foi positivo porque aterrei no aeroporto mais antigo, em fevereiro, com temperaturas negativas, com neve por todo o lado. Ainda por cima cheguei de noite, por isso a imagem nunca é a melhor. Mas o Bruno e o Danny ajudaram-me bastante na mudança. O Bruno inclusivé deixou-me ficar em casa dele até eu arranjar casa; na altura a mulher dele também estava em Portugal. Fiquei em casa dele 3 semanas, um mês, eu parecia o filho mais novo (risos). O Bruno tinha motorista. Ou seja o que habitualmente se passa, da pessoa ficar num hotel, como o que aconteceu em Itália, a tentar resolver as coisas todas sozinho, o Bruno diminui essa tarefa, ajudou-me bastante. Entretanto, havia um T2 vago no prédio dele, dois pisos abaixo, e eu disse logo que sim. Isso amenizou um bocadinho a mudança radical que tinha sido.

Desportivamente como é que foi?
Começou muito bem porque quando cheguei, passados 3 dias jogamos com o Liverpool para a Liga Europa e passamos aos quartos de final. Mas a nível do campeonato tive algumas dificuldades. O inverno é rigoroso, os campos não eram tão evoluídos como são hoje em dia, apanhávamos campos que, com o frio, estavam muito pesados e nos primeiros tempos senti algumas dificuldades. O primeiro ano e meio de Rússia a nível desportivo custou-me.

Conseguiu aprender russo?
Consegui. Não escrevo perfeito, mas consigo entender quase tudo e hoje em dia já falo com os russo na língua deles.

Luís Neto, à direita, num jogo entre o Zenit e o Spartak de Moscovo

Luís Neto, à direita, num jogo entre o Zenit e o Spartak de Moscovo

Epsilon

Tem alguma história engraçada de lá que possa partilhar?
Nos primeiros tempos na Rússia, como não sabia o que falar, quando era parado pela polícia, entregava os documentos e o passaporte porque não tinha tradutor e depois para ter o meu passaporte de volta, tinha que pagar. Mas tenho outra melhor.

Força.
Uma vez, estávamos em estágio no Algarve porque íamos jogar com o Benfica para a Liga dos Campeões e o mister Villas-Boas disse que tínhamos a noite livre. O meu filho estava lá em baixo, mas optei por ir dormir ao hotel. O meu quarto era mesmo ao lado do quarto onde os meus colegas se juntavam para jogar, ouvir música, conviver. Quando chego oiço muito barulho nesse quarto e vou lá espreitar. Estavam o Danny, Hulk, Criscito, Garay, Javi Garcia, entre outros e vi que ficaram com cara de caso. Fui para o meu quarto porque estava cheio de sono e quando entro, eles tinham destruído o meu quarto todo! Arrancaram a cama, estava tudo virado do avesso, tinha papel higiénico a fazer de fita em todo o lado, tudo destruído. Fiquei furioso mas eles entraram no quarto logo a seguir, a rir, abraçaram-me e passado um bocado lá acalmei (risos). Mas o quarto ficou num estado...

Disse que nessa altura já era pai.
A Andreia engravida pela primeira vez na Rússia, mas as coisas não correm bem e aos 3 meses perdemos o bebé. Depois voltamos a tentar e nasce o Rodrigo. Nasceu em 2015. Na madrugada do jogo em que fui campeão da Rússia.

Assistiu ao nascimento dele?
Não, a Andreia veio para Portugal para ter o bebé. Eu vim depois de ser campeão. O mister Villas-Boas deu-me 3 dias para vir a Portugal ver o meu filho que, como nasceu mais cedo do que o normal, ainda esteve quase um mês na incubadora.

Qual foi a sensação de ver pela primeira vez o seu filho?
(risos) Não há palavras, é a melhor do mundo. Esses dias foram felizes.

Luís Neto e a mulher com uma camisola do Zenit, com o nome do filho de ambos

Luís Neto e a mulher com uma camisola do Zenit, com o nome do filho de ambos

D.R.

Regressa à Russia e a Andreia vai consigo ou fica cá com o Rodrigo?
Entretanto termina a temporada, tenho férias, volto, voltamos sempre mais cedo para fazer a pré-temporada, como estou agora a fazer na Áustria, e normalmente só voltamos no final de julho que é quando começa o campeonato ou alguma competição europeia. Ou seja, quando começa o campeonato é quando ela volta com o Rodrigo. Faço uma época com o mister Villas- Boas, faço outra com o mister Lucescu...

E depois vem o Mancini que não conta consigo.
Exatamente. Eu voltei da Taça das Confederações com Portugal, que durou um mês e tal, chego a casa, a Portugal e no dia seguinte vou direto para a Áustria, para fazer a pré época com o Zenit, porque íamos começar o campeonato dali a 13, 14 dias. Comecei a jogar e havia muitas mudanças. Em tão pouco tempo nunca pensei que um clube pudesse mudar tanto. Mudou desde médicos, a dirigentes, a staff, tudo e mais alguma coisa... jogadores. A nível de opções e a nível de atmosfera não ia muito de encontro ao que estava habituado no clube e surge a possibilidade de experimentar outro campeonato. Falei com as pessoas com quem tinha que falar, fui sincero com eles, disse-lhes que era uma boa oportunidade para mim, porque depois de 5 anos na Rússia, precisava de outro estímulo, precisava de outra aventura. Inicialmente não foram muito receptivos, porque entretanto quando tudo estava para se concretizar, esteve quase tudo a cair porque o Zenit não estava a conseguir contratar um jogador para que eu pudesse sair.

Luís Neto, à esquerda, com dois amigos de infância, Emanuel e Ricardo, em S. Petersburgo, na Rússia

Luís Neto, à esquerda, com dois amigos de infância, Emanuel e Ricardo, em S. Petersburgo, na Rússia

D.R.

Entretanto vai para a Turquia.
Sim, para o Fenerbahçe.

É uma cultura completamente diferente. Como é que foi essa experiência?
Uma grande experiência também. Quer a nível pessoal, a nível familiar, a nível desportivo. Achamos que era altura de experimentar outras coisas e foi com as pessoas mais próximas que decidimos que era o melhor. É um grande clube, com grandes condições, uma cidade fantástica com uma vida enorme, com muitas opções. O Rodrigo começou a ir à escola, uma escola internacional do Canadá, o tempo muito mais agradável que permite andar mais tempo fora de casa. Acabamos por ter um saldo positivo por aquilo que aconteceu no último ano.

E o futebol muito diferente?
Sim, um bocadinho diferente do da Rússia. É um futebol mais apaixonado, é o desporto número 1 no país. Tudo gira à volta do futebol, os dérbis e clássicos são fantásticos de se jogar. 85 a 90% dos clubes têm estádios novos, modernos, com temperatura sempre boa para jogar, os relvados são muito bons, a qualidade dos espetáculos é muito boa. Quase todas as equipas têm muitos jogadores estrangeiros porque têm dinheiro, o que torna o campeonato muito competitivo.

Teve outros portugueses a jogar consigo no Fenerbahçe?
Não há portugueses, mas há brasileiros. Conheci e estive com o Tiago Lopes que jogava no Kayserispor, fui à final com o Miguel Lopes, com o Hélder Barbosa, joguei contra o Tiago Pinto, contra o Varela, o Castro que já o conhecia, o Beto. Nas folgas muitas vezes cruzávamo-nos no aeroporto.

A sua mulher foi-se adaptando bem, tanto à Rússia como à Turquia?
Sim.

Luís Neto, à direita na fila de trás, com um dos 11 do Zenit

Luís Neto, à direita na fila de trás, com um dos 11 do Zenit

D.R.

É verdade que tem como objetivo jogar em Portugal num dos grandes clubes?
Sempre disse que o meu caminho foi um caminho diferente. Não foi jogar num clube mediano ou num bom clube em Portugal e depois ir para fora. Não tive a oportunidade. Fiz o meu caminho, fui para Itália e depois para a Rússia, mas é normal que a partir do momento em que entramos na seleção, começamos a apercebermo-nos da realidade que têm os jogadores que jogam em Portugal e a importância que aqui se dá ao facto de estarem todos os fins de semana na televisão. Existe mais pormenor e mais rigor em relação à opinião dos jogadores que jogam em Portugal porque está à vista, está mais próximo. Acaba por se perder um bocadinho o rastro dos jogadores que vão para fora. As pessoas sabem onde é que nós estamos mas como não passa na televisão... tirando a Liga Europa ou a Liga dos Campeões, acabamos por perder um bocadinho visibilidade, e a opinião para a seleção é um bocadinho influenciada por isso.

Diz isso também por causa desta convocatória para o mundial da Rússia? Esteve na pré-convocatória mas…
A minha opinião sobre isso não é baseada na ida ao Mundial, não tem mesmo nada a ver. Para mim o não ter ido ao Mundial é uma coisa totalmente à parte, porque acabo por não ter 2, 3 meses muito felizes na Turquia, principalmente os últimos. Apesar de ter sido sempre acompanhado pelas pessoas do staff de Portugal, o mister acabou por decidir levar os melhores. Gostaria de me colocar à prova no nosso campeonato. Foi por isso que disse que gostaria de um dia jogar num grande português, ou hoje ou amanhã, mas gostaria de ter essa possibilidade. Agora pode acontecer, como pode não acontecer.

Luís Neto teve de adaptar-se a jogar com neve, na Rússia

Luís Neto teve de adaptar-se a jogar com neve, na Rússia

Epsilon

Tem contrato com o Zenit até 2019?
Sim.

Vai continuar emprestado ao Fenerbahçe?
Não. Já estou a fazer a pré época no Zenit. O presidente do Fenerbahçe com quem eu assinei foi a eleições no início de junho e perdeu, entrou outro presidente e o treinador saiu também.

Vai voltar à Rússia então.
Neste momento estou a fazer a pré época no Zenit, que também mudou de treinador. Quero ter ainda algumas certezas, estou em fase de reflexão para ver aquilo que é melhor para mim, atendendo às ofertas que têm chegado. Certamente tomarei a melhor decisão.

De entre essas ofertas há clubes portugueses?
Neste momento, não.

Luís Neto com a Supertaça que conquistou pelo Zenit, em 2015

Luís Neto com a Supertaça que conquistou pelo Zenit, em 2015

Epsilon

Quando é convocado pela primeira vez para uma seleção?
A primeira vez que sou pré convocado é pelo Paulo Bento. Já não me recordo bem para o quê, foi em agosto, estava ainda no Nacional, foi uns dias antes de ir para Itália. Acho que era para uns jogos amigáveis. Depois sou convocado quando já estou no Siena, quando Portugal joga o apuramento para o Mundial do Brasil. Jogamos na Rússia, em Moscovo e jogamos em casa, penso que com a Irlanda do Norte no estádio do Dragão. Foi a minha primeira dupla jornada. No ano a seguir vou ao Mundial do Brasil.

Qual é a sensação quando se é chamado a primeira vez?
É de surpresa, surpresa total. Estava no Nacional e não imaginava que poderia estar nos planos da seleção. Quando me disseram até pensei que estavam a brincar. Foi-me informado pelo diretor e pelo mister Pedro Caixinha e achei que estavam a brincar. Joguei num jogo amigável contra o Equador, em Guimarães, estava lá toda a minha família, a Andreia, foi toda a gente porque era a minha estreia. Perdemos 3-2. Mas estava muito sensível nesse dia porque estar a cantar o hino e ver as pessoas da minha família ali, foi complicado, estava muito emocionado.

Foi titular ou substituiu alguém?
Joguei de início. Acho que correu bem. Nós perdemos e a nível de colectivo naturalmente que perder nunca é bom. Acabou por ser a estreia que teve que ser, mas acho que acabou por ser positivo.

Luís Neto com a mulher e o filho

Luís Neto com a mulher e o filho

D.R.

Quando começou a ser chamado para fazer a qualificação para o mundial, pensou logo que ia jogar a fase final, no Brasil?
Comecei a pensar que seria provável estar no Brasil, mais tarde. Atendendo que também estava a fazer uma boa época no Zenit, sempre a jogar. Portugal já tinha na altura o Pepe e o Bruno Alves, uma dupla que se conhecia muito bem, tinha um grupo muito forte, mas só facto de pertencer ao lote escolhido, para mim era um orgulho enorme.

Quando é convocado para estar no Brasil, voltou a sentir uma emoção diferente?
Sim. Era a minha primeira grande competição. Estar entre os 23 melhores do país é quando realizamos que tudo vale a pena. O ter ido para fora, ter jogado na Rússia, os esforços que se fazem quando não se está no nosso país. É aquele momento em que sentimos que fomos recompensado e que todos os sacrifícios valeram a pena.

Foi praxado na seleção?
Sim (risos). Tive que discursar. Hoje em dia canta-se e discursa-se, na minha altura só tínhamos de discursar e havia uma invasão do quarto por alguns jogadores e algumas brincadeiras mais privadas, nada extremo, mas algo para nos colocar ainda mais dentro do grupo.

Quando festejou a conquista do campeonato pelo Zenit, Luís Neto não se esqueceu das raízes e do seu Varzim

Quando festejou a conquista do campeonato pelo Zenit, Luís Neto não se esqueceu das raízes e do seu Varzim

D.R.

Vamos voltar ao Mundial do Brasil. Do que se lembra?
Fizemos jogos de preparação com o México, ganhamos 3-0 , fiz o jogo todo com o Bruno, com a República da Irlanda joguei com o Ricardo Costa e depois começa o Mundial, com o jogo com a Alemanha.

Em que perdemos 4-0.
Não cheguei a jogar um jogo do Mundial.

Mas, estando no banco, o que se recorda desse jogo com a Alemanha?
Antes do jogo, pelo menos a nível de preparação, o grupo era unido, tínhamos um ambiente muito saudável. Jogamos contra a Alemanha e as coisas não começaram a correr bem, o Pepe acabou expulso na primeira parte, depois o Fábio lesionou-se e o Hugo Almeida também, se não me engano. Foi um primeiro jogo que mexeu muito a nível mental com aquilo que tínhamos trabalhado e preparado para o início do Mundial. Ali abanou um pouco tudo aquilo que tinha sido construído, e nos dois jogos a seguir sofremos um pouco por aquilo que aconteceu com a Alemanha.

Depois da estreia os ânimos estavam muito alterados?
Ninguém estava feliz com o que aconteceu. A seleção portuguesa é forte e perder 4-0...

Luís Neto, de t-shirt branca, no balneário do Zenit com alguns colegas de equipa

Luís Neto, de t-shirt branca, no balneário do Zenit com alguns colegas de equipa

D.R.

Lembra-se de alguma coisa em especial que o Paulo Bento tenha dito ao intervalo ou no final desse jogo?
Basicamente o que o mister disse foi que era o início e que ainda havia muito campeonato pela frente. Tínhamos mais dois jogos para poder passar à fase de grupos e não nos devíamos deixar abater pelo que tinha acontecido naquele primeiro jogo, tínhamos perdido só 3 pontos.

Estavam à espera que com os EUA e com o Gana as coisas fossem mais fáceis.
Sim. Começamos bem com o golo do Nani, entretanto os EUA dão a volta, nós conseguimos terminar com um empate que acabou por dar uma réstia de esperança até ao último jogo, apesar de que tínhamos de fazer muitos golos contra o Gana...

Tinham de ganhar por 4.
Exato. Mas os episódios menos positivos iam acontecendo e não foi um Mundial feliz para Portugal.

Quando vão para o jogo com o Gana ainda acreditavam?
Não se falava muito disso mas quando começa a chegar a altura do jogo, achamos que dentro do campo em 90 minutos, tudo é possível. Era essa a ideia, era esse o espírito quando estávamos no balneário, mas acabou por não acontecer. Ganhámos por 2-1, tivemos muitas oportunidades mas.... Se tivéssemos começado a competição de outra maneira...

Luis Netio, à esquerda, foi emprestado ao Fenerbahce a época passada

Luis Netio, à esquerda, foi emprestado ao Fenerbahce a época passada

Anadolu Agency

Acha que nessa altura a equipa já estava um bocado dependente do Ronaldo?
Tínhamos um grupo bom, boas individualidades e uma boa base construída pelo mister, o Cristiano teve aquele problema no joelho, também não estava a 100%, fez o esforço que achou necessário para ajudar a seleção. Resumindo, tentamos, toda a gente fez o melhor possível mas acabou por não ser um Mundial muito feliz.

Recorda-se de alguma coisa que tenha sido dita pelo Paulo Bento ou por outra pessoa quando Portugal é eliminado?
Quando somos eliminados todos reconhecemos que podíamos ter feito mais, as coisas podiam ter sido diferentes. Mas já não havia nada a fazer e cada um voltou para as suas famílias, para descansar. Entretanto começou outro caminho na seleção.

Na sua opinião o que é que correu mal?
Não consigo nomear um ou outro motivo específico para aquilo que aconteceu. A Alemanha agora também era a favorita para ser campeã e sai na fase de grupos. Às vezes surgem dificuldades que não se pensam vir a ter em determinado jogo, ou às vezes um jogo que pode ser decisivo a nível mental para o resto da competição, como aquele com a Alemanha acaba por ser demasiado pesado. Não só o resultado mas o facto do Pepe ter sido expulso, o Fábio teve uma ruptura e não jogou mais, o Hugo Almeida idem, o Hélder Postiga idem, ou seja houve uma série de acontecimentos que influenciaram bastante.

Luís Neto, à esquerda, no jogo da seleção com o México, em julho de 2017

Luís Neto, à esquerda, no jogo da seleção com o México, em julho de 2017

Laurence Griffiths

Depois do Mundial do Brasil quando é que volta a ser convocado?
Depois volto a ser convocado pelo mister Fernando Santos. Quando acaba o Mundial ainda vou à seleção com o mister Paulo Bento, quando Portugal perde com a Albânia em casa. E, na primeira chamada do mister Fernando Santos não vou, entra o Fonte. Depois, já não me lembro quando, é que sou chamado novamente para a qualificação do Euro 2016. Jogo contra a Sérvia.

Só faz esse jogo, porque acaba por não ir ao Euro 2016. Não vai porquê? Tem ideia?
Não estava com muitas expectativas. O mister tinha um grupo de 4 centrais que jogava constantemente. Só quando faltava um é que ia eu. Eram o Pepe, o Bruno, o Ricardo Carvalho e o Fonte. Eu já suspeitava que não ia ao Europeu. Todos estavam a jogar e a ter bom rendimento.

Marafona, Bruno Alves, Luís Neto e André André, ao serviço da seleção

Marafona, Bruno Alves, Luís Neto e André André, ao serviço da seleção

D.R.

Para este Mundial da Rússia voltou a ter esperança?
Sim. Até à última pré-convocatória, dos 35, tinha as minhas expectativas. Toda a gente do grupo dos 35 de certeza que sonhava ter o seu nome nos 23, eu pensava o mesmo, mas como também já disse, e não posso ser mais sincero possível, a partir do momento em que o meu nome não estava, passei automaticamente a ser um dos que apoiou Portugal.

Desta vez custou-lhe mais?
É claro que parece que fazemos ali 1, 2 dias de luto para lidar com o momento que é menos positivo, mas depois é uma questão pessoal e como disse, como jogador e como pessoa nunca fui de guardar rancor e na minha cabeça estava ser mais um para ajudar Portugal. Há 7, 8 anos, quando estava no Varzim se me dissessem que ia estar nos 35 melhores de Portugal para um Mundial, achava que era impossível.

Mas mantém como objetivo jogar pela seleção?
Sem dúvida. Portugal sempre foi bem servido de defesas e acredito que continuará a ser, por isso o meu objectivo passa sem dúvida alguma fazer parte dos eleitos, sempre.

Luís Neto com o filho, Rodrigo

Luís Neto com o filho, Rodrigo

D.R.

Jogou mais algum desporto sem ser futebol?
Gostava de voleibol.

Hoje segue algum desporto para além do futebol?
Gosto de futsal, mas futebol é o número 1.

Tem algum hóbi ou coleciona alguma coisa? Tem alguma coisa que goste muito de fazer?
De jogar Counter Strike online com os amigos. É tipo um jogo de guerra, polícias contra terroristas. É um jogo antigo mas que eu e os meus amigos gostamos de jogar.

Luís Neto abraça o amigo Márcio Madeira

Luís Neto abraça o amigo Márcio Madeira

D.R.

Quem foram as maiores amizades que fez no futebol?
Vou tentar não ser injusto com ninguém ou não me esquecer de ninguém. O André André, o Márcio Madeira, o Bruno Alves, o Raul Meireles.

Dos treinadores que já teve, qual foi o que mais o marcou?
O Pedro Caixinha e o André Villas-Boas, os dois. O mister André tinha uma forma de levar o grupo a pensar como um só, de uma só maneira, uma maneira diferente do normal. Conseguia ter estratégias para nos fazer pensar num só modo para atingir um objetivo. A gerir um grupo era mestre. O mister Caixinha foi de uma exigência máxima e foi talvez o treinador que mais acreditou em mim.

Dos campeonatos em que jogou, qual foi aquele que mais prazer lhe deu jogar até agora?
O italiano.

Luís Neto a conversar com o filho Rodrigo de 3 anos

Luís Neto a conversar com o filho Rodrigo de 3 anos

D.R.

Tem mais alguma história engraçada que possa partilhar?
No Varzim, no meu 1º ano como profissional, fomos uns 6 ou 7 que passamos de juniores a seniores e um deles na brincadeira bateu de frente com o capitão. Quis ser engraçado, mas em plano de superioridade, só que o capitães reuniram-se e decidiram fazer alguma coisa. Raparam-lhe o cabelo. O problema é que no estágio a seguir resolveram rapar o cabelo a todos os que tinham subido, um por um. Eu ainda tentei fugir mas entraram no meu quatro 10 jogadores com máquina na mão e acabaram por conseguir fazer-me uma falha, no cabelo. Tive que acabar por cortar com máquina zero e quando cheguei a casa a minha mãe apanhou um susto porque pensava que eu estava doente (risos). Andei duas semanas de boné. Eu andava sempre com o cabelo grande, foi um choque (risos).