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Vai começar a era de LA Bron James

Arranca terça-feira a nova temporada do melhor basquetebol do Mundo, o primeiro ano da vida de LeBron James nos LA Lakers

Lídia Paralta Gomes

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Nisto do defeso, antes de Cristiano Ronaldo havia LeBron James. No campeonato das transferências-surpresa, leia-se. Antes de Ronaldo deixar o Real Madrid, onde muito boa gente acreditava que iria acabar a carreira, para assinar com a Juventus, já LeBron havia abandonado os Cleveland Cavaliers, a equipa do seu estado natal do Ohio, a sua primeira casa na NBA, da qual saiu como pária para voltar como herói, para assinar com os Los Angeles Lakers, a mais galáctica de todas as equipas da NBA.

Eles que, diga-se, até são parecidos. Nasceram com pouco mais de um mês de diferença (têm 33 anos, CR7 é mais novo) e são o mesmo tipo de jogador: mais máquinas que mágicos, mais pragmáticos que artistas. E talvez ambos com o mesmo objetivo em mente: provar que ainda podem operar pequenos milagres, tornar real o que até há um par de meses parecia francamente difícil. No caso de Ronaldo falamos de uma Champions que há tanto tempo escapa à Juventus. E no de LeBron James o objetivo é fazer regressar os LA Lakers a um título da NBA que não aparece desde 2010, sem esquecer, claro, as estatísticas individuais — LeBron tem três títulos no currículo, dois com os Miami Heat e mais um com os Cavs, e está, por isso, ainda distante dos seis de Michael Jordan ou até dos cinco de Kobe Bryant, o último grande Laker.

A ida de LeBron James para os LA Lakers é ‘a história’ desta nova época da NBA, que arranca terça-feira (portanto, de terça para quarta-feira em Portugal) — os Lakers estreiam-se apenas dois dias depois, frente aos Portland Trail Blazers. Para já, pelo que significa, lato sensu. LeBron vai para uma casa onde já estiveram Wilt Chamberlain, Kareem Abdul-Jabbar, Magic Johnson, Shaquille O’Neal ou Kobe Bryant, todos eles membros (ou futuros membros) do Basketball Hall of Fame — Kobe só é elegível em 2021 e ninguém acredita que não entrará no clube. Eles são a crème de la crème, the cream of the crop da NBA e todos eles tornaram os Lakers numa equipa campeã.

Também podemos falar dos valores envolvidos. LeBron James, que no penúltimo dia deste ano fará 34 anos, vai ganhar qualquer coisa como 129 milhões de euros nos quatro anos de contrato com os Lakers — mas nisto, dos negócios da NBA, falar de dinheiro é coisa mesquinha. Há que olhar para a big picture e a big picture é esta: irá esta transferência baralhar a lógica de uma competição que tem sido dominada pelos Golden State Warriors, três vezes campeões nas últimas quatro temporadas?

É possível que sim, mas nada disso se vai fazer numa temporada. Depois da retirada de Kobe Bryant, há dois anos, os Lakers tornaram-se um franchise semi-indigente na cadeia alimentar da NBA, com muito mais derrotas do que vitórias. O plantel é dominado por miúdos com talento, mas que não são exatamente certezas e por journeymen, jogadores que saltam de plantel em plantel normalmente para tapar buracos. E o papel de LeBron será tornar todos eles melhores e, nos próximos anos, convencer outras estrelas que os Lakers continuam a ser os Lakers: em 2019, por exemplo, Kevin Durant e Kawhi Leonard estarão livres para negociar o seu futuro e serão seguramente alvo da equipa de Los Angeles. Este será, portanto, um ano zero, mas um ano zero muito importante.

Mais do que basquetebol

Com mais uma ou duas estrelas, os Lakers voltarão seguramente ao lote dos favoritos ao título, mais ainda se conseguirem roubar Durant aos Warriors e numa fase em que os Spurs se desmantelaram por completo. Mas convém não esquecer que não faltam más experiências de arregimentação de estrelas aos Lakers. Em 2003, curiosamente o primeiro ano de LeBron na NBA, Karl Malone e Gary Payton juntaram-se a Kobe Bryant e a Shaquille O’Neal em Los Angeles, mas em junho o título foi para os Detroit Pistons. E em 2012 os Lakers enriqueceram um plantel que já tinha Kobe e Pau Gasol com Dwight Howard e Steve Nash apenas para tudo se desmoronar na 1ª ronda dos playoffs.

Mas esta transferência para os Lakers traz mais água no bico de LeBron, que não quer ser apenas um jogador de basquetebol. Politicamente engajado (há dois anos chamou “vagabundo” a Trump depois de o Presidente norte-americano atacar no Twitter o seu colega e rival nos pavilhões Stephen Curry), este verão abriu uma escola na sua cidade de Akron, no Ohio, para jovens desprotegidos. E agora com Hollywood ali ao lado, prepara-se para suceder a Michael Jordan no papel principal da sequela de “Space Jam”. Jordan, a sua sombra, o homem que provavelmente o separa do título de melhor se não de sempre, pelo menos das últimas décadas.

De resto, o que esperar desta época? Talvez uns Warriors ainda mais dominadores, agora que conseguiram DeMarcus Cousins por uma pechincha (tudo dependendo do periclitante físico do gigante, claro) e uns Boston Celtics que, sem LeBron nos Cavaliers, têm tudo (leia-se juventude a caminho da grandeza + Kyrie Irving e Gordon Hayward + excelente treinador) para serem os reis do Este.