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NBA, esse desporto “de doidos” em que um jogador pode ser transferido a meio de um jogo. Aconteceu a Harrison Barnes, dos Mavericks

O extremo estava em pleno jogo dos Dallas Mavericks frente aos Charlotte Hornets quando se soube que tinha acabado de ser trocado para os Sacramento Kings. Até num desporto que tantas vezes trata os seus jogadores como mercadoria, este timing é coisa inaudita

Lídia Paralta Gomes

Icon Sportswire/Getty

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“Ainda agora estava ao lado do Wesley Johnson enquanto ele punha perfume e brincava com querer estar bem cheiroso para a mulher quando chegasse a casa… Este desporto é de doidos. A vida dele e da sua família mudou assim de rápido”.

Isto foi que o jornalista Darnell Mayberry escreveu no Twitter mal soube que Wesley Johnson tinha sido transacionado dos New Orleans Pelicans para os Washington Wizards, logo após o final do encontro entre os Pelicans e os Chicago Bulls, na noite de quarta-feira.

Wesley Johnson é um rapaz de 31 anos, escolhido no draft de 2010 pelos Minnesota Timberwolves e que daí para cá já correu meia América. Deixou o Minnesota em 2012, numa troca com os Phoenix Suns, onde esteve apenas uma temporada antes de assinar com os Los Angeles Lakers. Em Los Angeles viveu até outubro de 2018, depois de também ter passado pelos Clippers, antes de ser novamente trocado. Johnson fez então novamente as malas para se mudar para New Orleans e agora, menos de quatro meses depois, terá de se fazer de novo à estrada, agora para a capital Washington D.C.

A vida de Wesley Johnson é a vida de boa parte dos jogadores da NBA. É certo que os salários que ganham não dão direito a que provoquem muita pena ao comum mortal que tem de trabalhar das 9h às 17h para ganhar o salário mínimo, mas num desporto que é também um negócio, os jogadores são muitas vezes mercadoria que serve de moeda de troca para se conseguir outra mercadoria - e sem sequer serem consultados no processo.

A cada época de trocas (a da NBA acaba esta quinta-feira), os jogadores sabem que hoje podem estar numa cidade e no dia seguinte a mudar toda a sua vida para o outro lado do país.

Mas, pelo menos, Wesley Johnson soube da troca já em casa. Harrison Barnes, extremo dos Dallas Mavericks, foi trocado a meio de um jogo.

Sim, a meio de um jogo.

Os Mavericks jogavam em casa frente aos Charlotte Hornets quando vários sites especializados lançaram a notícia de que Barnes havia sido trocado para os Sacramento Kings. O extremo de 26 anos sentou-se no banco no 4.º período e ali ficou, não se sabendo ao certo quando é que o jogador teve noção do que a sua vida estava, ali, a ser mudada por alguém.

Os colegas de equipa, pelo menos, nada sabiam da troca de Barnes. Dirk Nowitzki, o veterano alemão de 40 anos, diz que apenas percebeu que algo se estava a passar quando Barnes não o substituiu, como habitualmente, no início do último período do jogo, deixando grandes elogios ao colega por ter continuado no banco em vez de arrumar as trouxas e deixar o pavilhão. “Ele é melhor homem que eu. Qualquer outro tinha-se posto a andar, mas ele é genuinamente um bom tipo, que tem ligações fortes a vários dos colegas”, sublinhou Nowitzki, em plena 21.ª época ao serviço dos Mavs.

Já o francês Nicolas Batum, jogador dos Hornets, assegurou que nesta roda-viva que é o período de trocas da NBA, nunca tinha visto nada assim: “Já vi jogadores serem trocados durante um treino, no avião, no autocarro da equipa, coisas assim. Mas durante um jogo? Nunca vi tal coisa”.

A fúria de LeBron

Numa semana em que muito se falou no poder das estrelas da NBA, nomeadamente depois de Anthony Davis ser criticado por pedir publicamente para ser transferido dos Pelicans, LeBron James aproveitou o infortúnio de Harrison Barnes para lançar duras farpas às equipas que, de acordo com o jogador dos LA Lakers, nunca são tão escrutinadas quando põe e dispõe da vida de um ativo.

Barnes aqui a tentar acompanhar LeBron James num jogos dos LA Lakers frente aos Mavericks

Barnes aqui a tentar acompanhar LeBron James num jogos dos LA Lakers frente aos Mavericks

Sean M. Haffey/Getty

“Portanto, deixem-me adivinhar: agora já está tudo bem porque eles fizeram o que era melhor para a equipa, certo? Trocar um jogador enquanto ele estava literalmente a jogar e tinha ZERO ideia. Não estou a bater em quem o trocou porque isto é um negócio e num negócio tens de fazer o que sentes que é melhor, mas gostava muito que esta narrativa também servisse para quando um jogador pede para ser trocado ou deixa uma equipa e que este deixasse de ser tratado como um egoísta/ingrato”, escreveu King James no Instagram.

Talvez LeBron fale de forma interessada, já que Anthony Davis quer jogar nos Lakers, mas não deixa de ser um apoio de peso para outros colegas, bem menos mediáticos e com muito menos poder de escolha.