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Para a NBA, a saúde mental é assunto sério

Na próxima temporada, todas as equipas da NBA terão de ter uma equipa de profissionais destacados para questões de saúde mental. Nos últimos anos, vários jogadores admitiram ter sofrido de depressão e ansiedade

Lídia Paralta Gomes

DeMar DeRozan foi um dos basquetebolistas da NBA que admitiu a sua luta contra a depressão

Hannah Foslien/Getty

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Kevin Love terá sido o primeiro a colocar preto no branco aquilo que quase nenhum atleta profissional gosta de admitir: às vezes o nosso cérebro prega-nos partidas. Em março de 2018, num texto confessional publicado no “The Players’ Tribune”, o poste dos Cleveland Cavaliers contava a história do dia em que sentiu o seu corpo a dizer-lhe que estava prestes a morrer.

O que o poste estava a sofrer nesse momento era um ataque de pânico. Percebeu semanas mais tarde, quando deixou todas as carapaças de lado e se sentou numa cadeira em frente a um psicoterapeuta.

A confissão de Kevin Love foi o empurrão necessário para que outros colegas de profissão dessem eles próprios um passo em frente. DeMar DeRozan, base dos San Antonio Spurs, admitiu então a sua luta contra a depressão, sobre o sentimento de, como explicou então, “ter o mundo inteiro em cima”. Royce White era um dos mais talentosos jogadores da classe de 2012, mas os problemas graves de ansiedade e o medo de voar nunca o deixaram ter lugar cativo numa das 30 equipas da liga.

Os casos de Love, DeRozan e White poderão muito bem ter sido catalisadores para a NBA, tradicionalmente a mais aberta e menos conservadora das grandes ligas norte-americanas, a tomar medidas. De acordo com o portal “The Athletic”, a NBA está a preparar um conjunto de regras que terão de ser seguidas por todas as equipas já na próxima temporada, de forma a que estejam mais preparadas para ajudar os atletas nas questões mentais.

Kevin Love passou 29 anos a achar que a saúde mental era um problema dos outros. Até sofrer um ataque de pânico em pleno jogo

O jogador dos Cleveland Cavaliers colocou em palavras os minutos em que, naquela noite de 5 de novembro, frente aos Hawks, o seu corpo lhe pareceu dizer "estás prestes a morrer". Ele que pensava ser "a última pessoa a precisar de ajuda"

As equipas serão assim obrigadas a ter em permanência “um ou dois profissionais de saúde mental”, bem como um psiquiatra disponível para gerir questões que possam afetar os jogadores.

Obrigatório será também que cada equipa tenha um “plano escrito para emergências de saúde mental”. A privacidade e confidencialidade dos possíveis tratamentos terão de ser igualmente asseguradas pelas equipas. A NBA vai ainda promover uma discussão mais alargada deste novo programa no dia 12 de setembro, durante uma reunião sobre saúde e bem-estar com as equipas.

A NBA foi a primeira das principais ligas norte-americanas a ter disponível um psicólogo clínico ao serviço das equipas, tendo no último ano já lançado algumas recomendações sobre saúde mental. Agora, a ideia é ir mais longe e responsabilizar cada um das formações a levar a sério as questões psicológicas, tão ou mais relevantes que uma lesão física. O próprio comissário da Liga, Adam Silver, admitiu numa conferência em março que se vivem "momentos de grande ansiedade" e que há "muitos jogadores insatisfeitos", culpando, por exemplo, a pressão que as redes sociais colocam em cima dos atletas.