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Alarmes para distanciamento social, concertos, golfe, pesca e meditação: assim vai ser a vida dos jogadores da NBA na Disney World

No início do próximo mês, 22 das 30 equipas da NBA vão entrar no complexo da Disney World, em Orlando, onde a temporada terá fechada. Os jogadores viverão durante as semanas seguintes numa bolha, mas onde terão à disposição tudo para passar da melhor forma o tempo enquanto estão confinados no parque da Disney

Lídia Paralta Gomes

Harry How/Getty

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O regresso da NBA está marcado para 30 de julho, com 22 das 30 equipas da liga a viajarem para o complexo da Disney World, na Flórida, onde será terminada a temporada regular, playoffs e finais. Os jogadores, pelo menos aqueles que estiverem dispostos a jogar, vão viver durante semanas numa espécie de bolha, um ambiente absolutamente controlado, mas onde a vida não será tão má assim, pelo menos se tivermos em conta o documento de 113 páginas a que o “The New York Times” teve acesso, em que são explicadas ao pormenor as regras para o retomar das atividades bem como tudo aquilo que estará permitido aos jogadores durante a permanência no resort da Disney.

E a vida para lá dos jogos não será particularmente chata para os jogadores, apesar das óbvias limitações que terão e do isolamento das famílias.

Assim, a NBA vai preparar os hotéis em que as equipas vão ficar alojadas com locais próprios para os jogadores terem atividades de lazer, como vídeojogos, ténis de mesa (nunca em duplas) ou espaços ao ar livre para jogar cartas. A liga vai também promover entretenimento diário, como concertos, espectáculos de comédia e cinema. Em cima da mesa, diz o “New York Times”, estará ainda a possibilidade dos basquetebolistas e staff terem acesso de forma privada ao parque de diversões da Disney.

Dentro do complexo da Disney, os atletas poderão ainda praticar golfe, ténis, natação, bowling ou pesca desportiva - a partilha de equipamentos está, no entanto, estritamente proibida. Espaços para praticar ioga e meditação, bem como serviços de saúde mental também estarão disponíveis.

A NBA vai ainda disponibilizar serviços religiosos de forma virtual e os jogadores podem ainda marcar idas ao barbeiro, manicures e pedicures.

Um alarme para controlar distanciamento

As equipas da NBA poderão começar a viajar para Orlando a 6 de julho para iniciar os primeiros treinos em conjunto. Antes disso, ainda nas respetivas instalações de cada emblema, todos os elementos autorizados a viajar serão submetidos a uma bateria de exames, não só à covid-19 mas também testes serológicos. A NBA não irá colocar entraves aos jogadores que, por motivos de saúde, familiares ou de consciência, optem por não participar neste retomar da liga. Apenas terão de notificar as suas equipas até dia 24 deste mês.

Será no ESPN Wide World of Sports Complex que os jogos vão decorrer

Será no ESPN Wide World of Sports Complex que os jogos vão decorrer

Chris Jackson/Getty

Já em Orlando, jogadores e staff serão novamente testados e terão de se manter em isolamento até terem dois testes negativos à covid-19. Os atletas serão aconselhados a usar máscara sempre que estiverem em locais em que é difícil manter o distanciamento e estão proibidos de frequentarem quartos que não os seus. Só serão autorizados a receber visitas de fora, como família e amigos, as equipas que ultrapassem a primeira ronda dos playoffs - as visitas terão, no entanto, de fazer quarentena antes e depois de entrarem no complexo.

Tal como nas ligas europeias de futebol que já regressaram, o protocolo não prevê que a NBA pare caso aconteça um caso positivo à covid-19.

A NBA vai promover ainda aquilo que poderá servir de ajuda aos jogadores na hora de manter o devido distanciamento social: um aparelho que pode ser usado pelos atletas e outros membros das equipas que ativa um alarme de cada vez que alguém está a dois metros ou menos de outra pessoa por mais de cinco segundos. Os atletas terão ainda a opção de usar tecnologia que permite medir a temperatura corporal e os níveis de oxigenação do sangue bem como outros factores que possam indicar um possível contágio.

Plataforma para promover a justiça social

Vários atletas, com destaque para Kyrie Irving, que tem sido o mais vocal neste tema, têm colocado reservas ao regresso da competição, numa altura em que os Estados Unidos vivem um momento conturbado em termos sociais e em que a luta contra o racismo é maior do que qualquer liga.

A NBA quer que esta fase final improvisada seja também uma plataforma para os jogadores se manifestarem pelos direitos civis das minorias. Aliás, no documento a que o “New York Times” teve acesso, a NBA sublinha que “o objetivo central” do recomeço da liga é mesmo esse: utilizar o espaço mediático para “chamar a atenção e tomar ações para questões como a injustiça social, incluindo o combate ao racismo sistémico”.

“Estamos em discussões com a associação de jogadores para desenvolver uma estratégia de como a NBA, as suas equipas e jogadores poderão falar destes importantes temas”, pode ler-se no manual distribuído pelas formações que estarão na Flórida a partir de julho.