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A bolha da NBA ia quebrando Paul George. “Senti ansiedade, um pouco de depressão”

Depois de um início de série frente aos Mavericks para esquecer, o extremo dos Clippers marcou 35 pontos no jogo 5 e foi decisivo para colocar os LA Clippers na frente da eliminatória. A explicação para o mau momento seguiu-se: estar fechado num complexo há dois meses, por muitas atividades extracurriculares que possam existir, pode deitar um jogador abaixo psicologicamente e Paul George é o primeiro a admitir que a sua mente esteve "num lugar negro"

Lídia Paralta Gomes

Ashley Landis-Pool/Getty Images

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No papel, a bolha que a NBA formou na Disney World da Flórida parece perfeita, um verdadeiro parque de diversões para basquetebolistas. Para lá de terem todas as condições para terminar a época num ambiente seguro, os atletas têm à disposição um sem-número de atividades, desde pesca a golfe, salas específicas para videojogos ou jogos de cartas, além de espetáculos musicais e de humor ou barbeiro e manicure por marcação.

Mas mesmo com tudo à mão, faltará aos basquetebolistas uma coisa, a coisa mais importante: a vida que tinham antes. E fechados num complexo, sem a família e amigos por perto, há quem já comece a sentir os efeitos do isolamento.

Paul George é provavelmente o basquetebolista de mais alto perfil a admitir que a presença na bolha da NBA não é exatamente um conto de fadas, umas férias disfarçadas de competição. Com exibições muito abaixo do seu nível habitual nos primeiros jogos da eliminatória dos playoffs frente aos Dallas Mavericks, o extremo foi o elemento em destaque da vitória dos LA Clippers frente aos texanos no jogo 5 por 154-111, colocando a equipa de Los Angeles na frente do duelo (3-2).

O antigo jogador dos Indiana Pacers e Oklahoma City Thunder, que esta temporada se juntou a Kawhi Leonard para formar um dos mais temíveis duos da NBA nos Clippers, marcou 35 pontos, mais um do que os 34 que tinha marcado no conjunto dos jogos 2, 3 e 4. Além disso, tornou-se no primeiro jogador da história a marcar 35 pontos em 25 minutos ou menos, pelo menos desde que o shot clock foi introduzido na NBA, em 1954/55.

As más exibições, que parecem ter ficado lá atrás, tinham, no entanto, uma explicação. No final do jogo, numa conferência de imprensa confessional, Paul George admitiu que, algures no caminho, a bolha levou a melhor de si, colocando-o num "lugar negro".

“Subestimei a saúde mental, honestamente. Senti ansiedade, um pouco de depressão. Tudo por estar aqui fechado”, confessou, em declarações citadas pela ESPN.

Paul George teve um início de série frente aos Mavs para esquecer mas no jogo 5 voltou ao seu melhor

Paul George teve um início de série frente aos Mavs para esquecer mas no jogo 5 voltou ao seu melhor

Ashley Landis-Pool/Getty Images

“Simplesmente não estava lá. Nos jogos 2, 3 e 4 não estava lá”, disse ainda o jogador de 30 anos, que agradeceu aos colegas de equipa e staff dos Clippers o apoio que recebeu numa fase mais complicada: “Obrigado a todos que estiveram ao meu lado e tiveram uma palavra. Ajudaram-me muito a voltar a ficar mais animado”.

George, que teve também a ajuda do psiquiatra dos Clippers para enfrentar o momento de menor frescura mental, explicou ainda os desafios que a bolha impõe aos basquetebolistas que, em muitos casos, já vão para quase dois meses de isolamento na Flórida. E outros tantos faltam.

“Não é fácil estar aqui. Durante todo o dia, é só basquetebol. É difícil sair disso. Elogio a NBA por ter conseguido criar este ambiente, mas ao mesmo tempo é duro”, sublinhou, lembrando o quão importante é encontrar formas de sair do “modo de jogo” quando as partidas acabam, o que nem sempre é fácil num ambiente tão fechado.

Doc Rivers, treinador do Clippers, lembrou que o ambiente da bolha “não é um ambiente normal” e que não se pode pedir aos jogadores que estejam permanentemente no seu melhor.

“Na NBA perdem-se muitos jogos, mas antes perdias um jogo e ias para casa para junto da tua família. Aqui os jogadores vão para os seus quartos de hotel, estão com os colegas, vêem as outras equipas. É estranho, posso dizer-vos que é diferente”, diz Rivers, que revelou que teve uma longa conversa com Paul George em que o basquetebol não foi tema e que toda a equipa se uniu na hora de apoiar uma das estrelas da equipa.