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Os jogadores da NBA uniram-se pela justiça social e o Papa Francisco quis ouvir a sua experiência

Cinco basquetebolistas da NBA e elementos da associação de jogadores foram convidados pelo Papa Francisco para falarem no Vaticano sobre as ações tomadas nos últimos meses na luta contra o racismo e no apoio ao movimento Black Lives Matter. A reunião aconteceu esta segunda-feira

Lídia Paralta Gomes

Kevin C. Cox/Getty

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Tudo começou na última semana com um contacto de um assistente do Papa Francisco com a associação de jogadores da NBA: atento às ações pela justiça social empreendidas pelos jogadores da liga norte-americana de basquetebol no reatar da temporada, o chefe da igreja católica queria saber mais. E foi assim que cinco jogadores da NBA, acompanhados por vários elementos da associação de jogadores, se reuniram esta segunda-feira no Vaticano com o Papa Francisco.

Kyle Korver e Sterling Brown, dos Milwaukee Bucks, Jonathan Isaac, dos Orlando Magic, Marco Belinelli, dos San Antonio Spurs e Anthony Tolliver, dos Memphis Grizzlies, foram os jogadores que viajaram dos Estados Unidos para o Vaticano numa visita relâmpago e acertada em poucos dias. O encontro com o Papa aconteceu na manhã desta segunda-feira e, de acordo com as informações prestadas à ESPN por um responsável pela associação de jogadores, para lá de querer saber mais sobre as ações de protesto e apoio aos movimentos civis organizadas pela NBA, Francisco quis também ficar a par dos planos para o futuro.

“Estamos muito honrados por ter esta oportunidade de estar no Vaticano e partilhar as nossas experiências com o Papa Francisco. O seu espírito aberto e vontade de discutir estes assuntos são uma inspiração e lembram-nos que as nossas ações tiveram um impacto global e devem continuar”, disse Kyle Korver.

Já Anthony Tolliver sublinhou a “incrível experiência” de estar com o Papa Francisco e de receber o seu “apoio e bênção”.

“Estamos entusiasmados para começar a nova temporada revigorados para continuar a apoiar a mudança e unir as nossas comunidades”, sublinhou ainda o veterano dos Grizzlies.

Os basquetebolistas da NBA, em conjunto com a associação de jogadores e com a própria liga, aproveitaram o regresso da competição após largos meses de paragem devido à pandemia da covid-19 para mostrarem apoio à luta pela igualdade racial e ao movimento Black Lives Matter, que tomou as ruas após a morte de George Floyd em maio, vítima de violência policial.

Vários jogadores da NBA estiverem mesmo nas manifestações nos dias que se seguiram à morte do cidadão afro-americano, levando depois para a bolha que se formou em Orlando novas formas de luta. Grande parte dos jogadores inscreveram mensagens pela igualdade nas camisolas e o slogan “Black Lives Matter” foi gravado no soalho dos pavilhões da Disney World, onde a temporada foi concluída.

Quase todos os jogadores e treinadores optaram por se ajoelhar durante o hino norte-americano antes dos jogos - curiosamente, Jonathan Isaac, um dos únicos jogadores que escolheu não se ajoelhar, foi um dos jogadores presentes na audição com o Papa.

Sterling Brown, outro dos jogadores presentes, ganhou recentemente em tribunal uma ação depois de ser vítima de violência policial. Em 2018, o basquetebolista afro-americano dos Bucks foi mandado parar pela polícia alegadamente devido a uma simples infração de estacionamento, mas terminou manietado no chão e agredido com uma arma de electrochoque.

Os Bucks foram ainda protagonistas de uma das ações com mais repercussão durante as semanas em que a NBA esteve isolada na Flórida, ao recusarem entrar em campo horas depois da polícia de Kenosha, no Wisconsin, estado da equipa de Milwaukee, ter abatido a tiro o afro-americano Jacob Blake. Uma ação que acabou seguida por outras equipas - numa altura em que já se jogavam os playoffs, a NBA esteve parada vários dias.