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A NBA foi ao Vaticano: um jogador “pensava que o convite do Papa era um e-mail fraudulento”. Outro disse que ele é “super chill”

O Papa Francisco convidou o sindicato de jogadores da NBA para uma reunião no Vaticano, onde elogiou os esforços dos jogadores na luta contra o racismo e desigualdade social nos Estados Unidos. Os basquetebolistas e representantes presentes falam de um encontro marcante e de um Papa "relaxado"

Lídia Paralta Gomes

VATICAN MEDIA HANDOUT/EPA

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Quando recebeu um mail do Vaticano, onde leu que o Papa Francisco convidava a Associação de Jogadores da NBA para um encontro em Roma, Kyle Korver achou que alguém o queria enganar.

“Pensava que era um email fraudulento”, disse o jogador à imprensa norte-americana após a reunião com o Papa, na segunda-feira, em que Francisco ouviu cinco basquetebolistas da NBA e os representantes do sindicato dos jogadores. Trinta minutos em que o líder da igreja católica quis elogiar e saber mais sobre as ações dos jogadores na luta contra a desigualdade e o racismo, que marcaram a fase final da última temporada.

Kyle Korver, um dos mais veteranos da liga, com 39 anos, é um caucasiano que foi um dos instigadores da greve dos Milwaukee Bucks após os acontecimentos de Kenosha, em que o afro-americano Jacob Blake foi abatido pela polícia. A ele, na delegação da NBA, juntaram-se o colega de equipa Sterling Brown e Marco Belonelli, Jonathan Isaac e Anthony Tolliver, todos eles membros ativos no sindicato de jogadores, representado em Roma pela diretora executiva Michele Roberts.

O Papa recebeu a delegação da NBA num encontro que durou cerca de 30 minutos

O Papa recebeu a delegação da NBA num encontro que durou cerca de 30 minutos

VATICAN MEDIA HANDOUT/EPA

Cada jogador teve a oportunidade de falar individualmente com Francisco e em declarações citadas pelo “New York Times” Anthony Tolliver revelou que o Papa foi “super chill”.

“Ele estava muito mais relaxado do que alguma vez imaginei que um Papa pudesse estar”, disse o jogador dos Memphis Grizzlies, que revelou ainda que Francisco lhes falou de como em jovem gostava de ver os Harlem Globetrotters.

Apesar de curto, o encontro-surpresa com o Papa deixou uma forte impressão nos jogadores, ainda em choque por tomarem consciência de que a sua luta pela justiça social chegou à figura máxima da igreja católica. Ao Papa ofereceram um livro onde estão relatadas as iniciativas sociais às quais os jogadores se uniram nos últimos meses, bem como uma t-shirt do movimento Black Lives Matter.

“Esta visita é a confirmação que o nosso trabalho está a fazer a diferença. E a confirmação vem de alguém cuja vida foi passada a dar-se aos outros. Ter o Papa a dizer-nos que o que estamos a fazer é exatamente aquilo que devemos fazer dá-nos alento para continuar a fazê-lo”, sublinhou Michele Roberts no final da reunião.