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Caris LeVert foi trocado dos Nets para os Pacers. E isso pode ter-lhe salvado a vida

Nos exames médicos feitos antes de se juntar aos Indiana Pacers foi encontrado um tumor no rim esquerdo do jogador. LeVert ainda não sabe se o tumor é maligno, mas algo é certo: caso não tivesse sido trocado nesta altura da temporada, nunca teria sido diagnosticado tão cedo

Lídia Paralta Gomes

Steven Ryan/Getty

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As trocas na NBA são, muitas vezes, ingratas. Boa parte dos jogadores da NBA não se podem dar ao luxo de escolher o seu próprio destino e ter uma mala à porta não é mal pensado. De um momento para o outro, podem ser envolvidos num negócio que os coloca numa equipa do outro lado do país, sem pré-época ou tempo para adaptação.

São ossos do ofício.

Mas das inesperadas trocas podem sair coisas boas. Caris LeVert, por exemplo, seguramente não esquecerá o dia em que se viu envolvido na troca mais badalada da NBA dos últimos meses, a que levou James Harden para junto de Kevin Durant e Kyrie Irving nos Brooklyn Nets.

LeVert foi um dano colateral da troca. O base atirador estava na sua 5.ª temporada nos Nets e a assumir papel de relevo entre os períodos de ausência de Durant ou Irving, a cimentar as melhores médias na carreira em pontos, ressaltos e assistências, assumindo-se, aos 26 anos, como uma peça importante para a candidatura ao título da equipa de Brooklyn.

Mas para ter Harden, os Nets abriram mão do jogador nascido e criado no Ohio, enviado para os Indiana Pacers, equipa de pretensões mais modestas, mas onde poderia ter um papel ainda mais importante.

Subitamente, tudo mudou: durante os exames médicos, no fim de semana passado, foi encontrado um tumor no rim esquerdo do jogador.

Caris LeVert está agora naquele momento ao qual só poderemos chamar de limbo, à espera dos resultados de um exame que poderão trazer más notícias, caso o tumor seja maligno. Mas de algo o base tem a certeza: caso não tivesse acontecido a troca, não teria feito exames médicos nesta altura e não teria encontrado a massa no rim numa fase inicial. Um conjunto de acasos, de coisas que lhe fugiram do controlo e que poderão ter sido decisivos para lhe salvar a vida.

“De alguma forma, esta troca mostrou e revelou aquilo que se estava a passar com o meu corpo. Por isso estou a tentar ver as coisas desse prisma, com a humildade de perceber que esta troca poderá ter-me salvado”, disse o jogador aos meios de comunicação norte-americanos.

“Não tive qualquer sintoma, estava a jogar, não tinha perdido qualquer jogo esta temporada. Fisicamente, sentia-me a 100%”, disse ainda o jogador. Como qualquer equipa profissional, na NBA são feitos exames médicos a todos os jogadores no início da época, mas nada foi detetado então.

Sem ainda os resultados na mão, LeVert está impedido de treinar na sua nova equipa, nada que ocupe a cabeça do jogador que assume que neste momento “o mais importante é estar saudável e fazer por ter uma vida longa”.

“Não estou a pensar em basquetebol neste momento. Obviamente que quero jogar o mais rapidamente possível, sou um competidor e amo este jogo. Mas a saúde é o mais importante agora. E neste momento ainda não tenho respostas”, frisou ainda. Mesmo que o tumor não seja maligno, o jogador deverá passar pela mesa de operações para retirar a massa.

Caris LeVert já está habituado a levar chapadas da vida e a levantar-se a cada uma delas. Quando tinha apenas 15 anos, o basquetebolista foi o primeiro a encontrar o pai morto, em casa, vítima de um ataque cardíaco com apenas 46 anos. A sua mãe, Kim, sofre de esclerose múltipla e também é nela que o jogador vai encontrar a força para se manter positivo, ainda que admita que esta esteja a ser “uma semana dura”.

“Tento tirar o positivo de todas as situações. Se vocês conhecessem a minha mãe nem diriam que ela tem esclerose múltipla ou qualquer problema. Ela é uma mulher especial, qualquer pessoa que tenha uma conversa com ela vai dizer isto. Acho que vou buscar muito a ela. Fui criado da maneira certa por ela e pelo meu pai, antes de ele morrer”, revelou ainda aos jornalistas.