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Jornalistas dos EUA estão otimistas para o draft de Neemias Queta: “É difícil imaginar um mundo em que uma equipa não veja valor nele”

Para os que antes andavam distraídos, em 2019 Neemias Queta fez com que todos soubessem o seu nome ao declarar-se como elegível para o draft da NBA do ano em questão. Mas algum tempo depois recuou na decisão e optou por continuar no basquetebol universitário, ao serviço dos Utah State Aggies. Dois anos depois voltou a inscrever-se e a Tribuna Expresso procurou saber junto de jornalistas norte-americanos se Neemias está efetivamente a um passo de se tornar o primeiro português a chegar à NBA

Rita Meireles

Utah State

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Neemias Queta juntou-se aos Utah State Aggies em 2018, ano em que deixou Portugal para ir atrás do sonho da NBA. Três anos depois, despediu-se do basquetebol universitário com uma longa lista de conquistas a nível individual e coletivo. Com 414 pontos, 57 assistências e 84 desarmes de lançamento na sua primeira época, Neemias foi eleito rookie do ano e melhor jogador defensivo da temporada na conferência Mountain West. Entre a temporada 2018/2019 e as 17 anteriores apenas dois jogadores conseguiram números superiores a 400 pontos, 50 assistências e 80 desarmes de lançamento: um foi Neemias, o outro chama-se Anthony Davis, atual campeão da NBA ao serviço dos Los Angeles Lakers.

Na última época ao serviço dos Aggies os números foram ainda mais impressionantes: 433 pontos, 294 ressaltos, 77 assistências, 31 roubos de bola e 97 desarmes de lançamento, ao longo de 29 jogos disputados onde foi titular em todos. Depois desta época, e de uma tentativa abortada no passado, tornou-se evidente que a candidatura ao draft de 2021 estaria no caminho de Neemias. E assim foi.

Hoje, entre análises, entrevistas e, supomos, muitas folhas de Excel, são vários os jornalistas especializados na NBA que analisam cada detalhe do jogo de Neemias e companhia para tentar desvendar o draft do próximo mês de julho. A boa notícia? Sim, a maioria considera que a probabilidade de Neemias se tornar, este ano, o primeiro português a chegar à NBA é muito grande. Mas se por um lado essa questão reúne consenso, por outro o lugar da lista em que o seu nome irá aparecer, após ser escolhido por uma das 30 equipas, divide opiniões.

“Penso que ele será selecionado na segunda metade da segunda volta”, diz John Hollinger, colunista no The Athletic, à Tribuna Expresso. Quanto à equipa que possa vir a escolher Neemias, John não arrisca, uma vez que na segunda ronda do draft as trocas são muito frequentes e feitas mesmo na noite dos resultados. Ainda assim, quando questionado sobre o interesse já noticiado de equipas como os Toronto Raptors ou New York Knicks, o colunista aponta para o norte.

“Ele ainda é um jogador em desenvolvimento e Toronto talvez tenha o melhor programa de desenvolvimento de jogadores da liga, e mais, os Raptors têm uma boa história com jogadores internacionais. Além disso, Toronto precisa muito de ajuda na posição central, pelo que Queta estaria em posição de conseguir minutos se desse provas no treino”, afirma John. No caso dos Knicks o desafio pode ser maior, uma vez que o colunista considera que eles estão em modo win-now e podem não conseguir ser tão pacientes.

Confiante de que Neemias vai ser um dos escolhidos no draft, Bryan Kalbrosky, jornalista nos websites HoopsHype e For The Win, considera que o “consenso é a segunda metade da segunda ronda, neste momento”. Em declarações à Tribuna Expresso, o jornalista assume que essa é uma zona onde há vários jogadores em situação semelhante. “Ficará resumido à forma como ele se comporta nos treinos e entrevistas das equipas, assim como a forma como as equipas planeiam utilizar as suas segundas escolhas”, diz.

Entre os Raptors e os Knicks, Bryan considera que ambos podem ser interessantes para Neemias. Por um lado os primeiros com uma longa história de desenvolvimento de jogadores internacionais e com uma decisão a tomar, depois de ficarem de fora dos playoffs. Caso optem por reconstruir a equipa, para o jornalista Neemias poderá ser uma boa escolha. Por outro lado, os Knicks. “Nova Iorque pode ser mais duro porque o treinador Tom Thibodeau é conhecido por rotações mais curtas, tornando mais difícil para os rookies conseguir tempo de jogo imediatamente”, diz, realçando que, ainda assim, Tom Thibodeau é um treinador muito defensivo e isso poderia ajudar na evolução do português.

Chad Ford, por outro lado, está mais otimista. O criador da newsletter e podcast “Chad Ford's NBA Big Board” escreveu, recentemente, que o destino de Neemias pode estar no final da primeira ronda.

Elogiado por todos

“É difícil imaginar um mundo em que uma equipa não veja valor em Neemias Queta”, afirma Bryan Kalbrosky. O jornalista descreve o poste português como “um jogador especial”, uma vez que consegue misturar várias capacidades, como os ressaltos, passes e jogo defensivo, conseguindo ainda pontuar. Para Bryan a simples presença de Neemias já obriga a atenção de muitos, graças aos seus mais de dois metros de altura e 112 Kg.

John Hollinger também não poupa nos elogios ao português. Considera-o um grande poste, que consegue proteger o aro e tem uma variedade de habilidades, um excelente passador, bom nos ressaltos e que corre bastante bem. O colunista é um dos que defende que a decisão que Neemias tomou em 2019, quando se declarou elegível ao draft e depois recuou, foi a melhor.

“As suas hipóteses são melhores agora do que em 2019? Penso que tomou a decisão certa. Melhorou bastante ofensivamente desde 2019 e, como resultado, penso que tem muito mais hipóteses de ser selecionado desta vez”, afirma.