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Ticha Penicheiro sabe uma coisa ou duas sobre Sacramento. E sobre o draft: "Quando o nome do Neemias saiu foi uma alegria dupla"

Ao primeiro jogador português a chegar à NBA, a primeira jogadora portuguesa a chegar à WNBA diz que Sacramento é a melhor cidade para começar a carreira, os adeptos não lhe vão falhar e um lugar de destaque na equipa está totalmente ao seu alcance. No dia em que Neemias Queta é escolhido pelos Sacramento Kings, a Tribuna Expresso falou com Ticha Penicheiro

Rita Meireles

Lisa Blumenfeld

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Está encontrado o primeiro português a chegar à NBA e há apenas mais uma pessoa em Portugal que conhece o sentimento de ser o primeiro a chegar à liga norte-americana de basquetebol. Neste caso, a primeira: Ticha Penicheiro, que chegou à WNBA em 1998. Mas mais do que isso, porque o percurso de ambos ainda não tinha semelhanças suficientes, os dois foram escolhidos para jogar o ano de rookies na mesma cidade.

“É um dia especial e único, que nunca vai acontecer outra vez, mas também imagino que seja um dia de ansiedade e de nervos porque uma pessoa está ali à espera para ver o que vai acontecer. Quando o nome dele saiu e vi que ele ia para Sacramento foi uma alegria dupla porque foi a cidade onde eu também comecei”, afirma Ticha Penicheiro à Tribuna Expresso.

Para a antiga jogadora dos Sacramento Monarchs, onde foi campeã e colecionou distinções individuais notáveis (que lhe permitiram alcançar o Hall of Fame), os Sacramento Kings são a equipa perfeita para Neemias começar uma carreira na NBA. Com um pavilhão relativamente novo, e “dos melhores da NBA”, numa cidade que, mesmo sendo a capital do Estado da Califórnia, é pequena e pacata, Neemias tem tudo o que é preciso para sem “distrações em termos sociais, estar focado e começar da melhor maneira a sua carreira”.

Igualmente importante, desconfia, nos Kings o jogador vai ter espaço para jogar. Neemias vai encontrar uma equipa longe da sua melhor forma. A dificuldade que têm sentido para chegar às vitórias faz com que sejam uma das equipas da NBA que mais épocas ficou afastada dos play-offs (desde 2007). Sendo assim, trata-se de uma equipa à procura de se reinventar e de desenvolver o seu jogo.

A principal vantagem para Neemias, segundo Ticha, passa pela ausência de um nome de peso na sua posição, que pode garantir ao jogador mais minutos do que os esperados num ano de rookie.

“Não têm nenhum poste que tenha um nome grande, com quem ele vá ter que competir por minutos. É difícil às vezes sair da universidade, ir para a NBA e jogar logo muitos minutos e ter um papel importante na equipa. Acho que o Neemias tem as condições reunidas para realmente conseguir jogar minutos importantes e ser um dos principais jogadores da equipa”, considera.

David Becker

Mas se tivesse que falar hoje com Neemias sobre as suas memórias dos anos que passou em Sacramento, seria sobre os adeptos que Ticha lhe contava. “Desde o primeiro dia que aterrei, aceitaram-me de braços abertos. Acho que é uma cidade que ele vai gostar, acho que as pessoas o vão adorar pela sua personalidade e a maneira como ele joga. É um jogador que dá tudo e os fãs de Sacramento também são incríveis, são muito barulhentos. Acho que é uma cidade perfeita para ele".

A nível individual, Ticha destaca a capacidade física e defensiva de Neemias, além de ser um jogador que se move muito bem, considerando a sua altura. Resumindo, “tem todas as condições físicas para ter sucesso na NBA” e, para a antiga jogadora da WNBA, “vai ser isso mesmo que ele vai conseguir”.

Na conversa com a Tribuna Expresso, Ticha Penicheiro não escondeu a felicidade e orgulho. Até pelo que Neemias representa para o basquetebol português. Os jovens, que o têm ou vão ter como referência, ficam agora a saber que “ser português não é um handicap”. Sejam quais forem as dificuldades, com trabalho e dedicação é possível dar a volta.

“Ele conseguiu, tendo uma juventude também um bocado difícil, dar a volta com muito trabalho e dedicação e acho que é uma referência para todos os jovens portugueses. Muitas vezes com todo esse trabalho e dedicação é possível chegarmos às nossas metas e conseguir alcançar os nossos sonhos”, conclui a portuguesa.