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Um ano depois, Chris Paul recorda a greve dos jogadores da NBA: “Conseguimos perceber o poder e influência que temos”

A bolha da NBA, constituída para evitar a pandemia, foi palco para o basquetebol, mas também para protestos de jogadores e equipas. Quando saiu de casa para jogar, Chris Paul não sabia que, além da sua equipa, iria ter que liderar um grupo tão grande de jogadores

Rita Meireles

Harry How

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Na mesma altura em que as equipas da NBA se reuniram em Orlando, na Flórida, para disputarem na famosa bolha os jogos da época que foram adiados por causa da pandemia causada pela covid-19, nas ruas dos Estados Unidos milhares de pessoas juntavam-se para protestar contra a violência policial a que a comunidade negra está sujeita.

Os protestos já tinham começado na altura do assassínio de George Floyd, em maio de 2020, e intensificaram-se em agosto do mesmo ano após a polícia disparar contra Jacob Blake. Dentro da ‘bubble’, os jogadores deram seguimento às mensagens que a população gritava nas ruas. Ao ponto de os Milwaukee Bucks se terem recusado a entrar em campo no jogo frente aos Orlando Magic, em protesto. Faz esta quinta-feira exatamente um ano. Decisão que outras equipas acabaram também por tomar, como os Oklahoma City Thunder, Toronto Raptors, Los Angeles Lakers e Portland Trail Blazers, uma greve que marcou de forma indelével o verão desportivo de 2020.

Chris Paul, na altura da equipa dos Thunder, era um dos jogadores presentes na Flórida, sendo que, à data, era o presidente da Associação Nacional de Jogadores de Basquetebol (NBPA). Um ano depois, recordou, em entrevista à revista ‘TIME’, os sentimentos que se viveram na bolha da NBA após os jogos cancelados.

“O meu primeiro instinto foi meter toda a gente numa sala", disse. “Quando decidimos jogar na 'bubble', falámos de como esta seria uma das primeiras vezes na história em que estaríamos todos no mesmo local. Assim, talvez pudéssemos ter algumas conversas e falar sobre coisas que queríamos ver".

A reunião começou por ser destinada apenas a jogadores, mas depois Paul em conjunto com Andre Iguodala, vice-presidente da NBPA, decidiram abrir as portas também a treinadores. Aliás, a sugestão para que os jogadores se fossem registar para votar nas eleições de novembro veio da parte de Armond Hill, treinador adjunto dos Los Angeles Clippers. No fim, mais de 95% dos jogadores da NBA registaram-se para votar nas eleições que marcou um virar político nos Estados Unidos, com a derrota de Donald Trump.

Os árbitros também mostraram interesse em participar, mas acabaram por ficar de fora, uma vez que o objetivo de Paul e Iguodala era que os jogadores se sentissem “o mais confortável possível para falar”.

Paul recorda que a reunião foi tensa, principalmente na hora de debater se os jogadores e equipas técnicas continuariam ou não na bolha da Disney World de Orlando. No fim, e após uma chamada entre Paul, LeBron James e Barack Obama, em que o ex-presidente aconselhou os jogadores a aproveitar a visibilidade que tinham para continuar a lutar, a decisão foi de voltar a jogar.

Os jogadores passaram também por uma fase de negociação com os proprietários das equipas, que se comprometeram, entre outras coisas, a converter as arenas onde geralmente decorrem os jogos em locais para votação e dedicar algum espaço publicitário à promoção do envolvimento cívico.

“Como jogadores, conseguimos perceber o poder e influência que temos. Eu sabia-o, mas quando tudo isso aconteceu recebi chamadas de jogadores da liga de basebol, jogadores de futebol, das nossas irmãs na WNBA. Todas as ligas e organizações telefonavam para perceber qual era o nosso plano”, contou Paul.

A bolha da NBA continuaria até ao fim, sem casos de covid-19 e com a vitória dos LA Lakers. E vários outros triunfos no campo dos direitos civis.