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Dizem que Kyrie Irving quer ser “uma voz para os sem voz”, mas o que diz ele? “Se isto significa que vou ser demonizado, esse é o meu papel”

Até agora, Kyrie Irving recusou-se a ser vacinado contra a covid-19 e, como tal, não tem treinado com os Brooklyn Nets. O jogador norte-americano falou pela primeira vez sobre a polémica, dizendo que está "a fazer o que é melhor" para ele e que não se vai retirar. O site "The Athletic" falou com fontes próximas de Irving, que falaram de alguém a querer ser um representando de quem não pretende ser condicionado por uma suposta obrigação da vacinação

Diogo Pombo

Emilee Chinn/Getty

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"Vocês pensam mesmo que quero desistir do meu sonho de ir atrás de uma liga? Acham que quero desistir do meu trabalho? Pensam que quero ficar sentado em caso e não fazer as coisas com os meus companheiros de equipa com quem aprendi e cresci?"

Foi a primeira vez que Kyrie Irving se pronunciou sobre o muito que se tem escrito e dito da decisão que tomou. Um dos melhores jogadores da NBA optou por não se vacinar contra a covid-19, postura que, jogando ele nos Brooklyn Nets, equipa nova-iorquina, o impede de competir na mais mediática, seguida e milionária liga de basquetebol.

O estado de Nova Iorque obriga qualquer atleta a ter a vacinação completa e Kyrie Irving não tem, sequer, treinado com os Nets. Mas, na terça-feira, um tribunal declarou que o pavilhão usado pelo clube é um espaço privado e, portanto, o jogador poderá regressar aos treinos, talvez já na próxima semana.

Perante a sua recusa em ser vacinado, o sete vezes escolhido para a equipa All-Star da NBA apenas poderia participar em certos jogos fora de casa, consoante as restrições impostas por cada estado do país. Não podendo jogar as partidas em casa, a liga já informou não será pago por essas partidas e ficará sem cerca de 35 milhões de dólares relativos ao seu contrato.

Na quarta-feira, o base de 29 anos recorreu ao Instagram para garantir que não está a desistir do que seja. "Estou a fazer o melhor para mim. Conheço as consequências e se isto significa que serei julgado e demonizado, é o que é, é o papel que irei desempenhar", disse, garantindo que este não será o seu fim na NBA: "Não, não me vou retirar. Não vou sair do jogo desta forma. Ainda há tanto trabalho a ser feito".

Antes de Kyrie Irving se pronunciar, contudo, o "The Athletic", citando várias fontes próximas do jogador, avançou que o americano não é anti-vacinas nem negacionista, mas sim alguém preocupado com as vidas das pessoas que estão a ser afetadas por um suposto controlo da sociedade pela obrigação de vacinação. "Kyrie quer ser uma voz para os sem voz", explicou uma dessas pessoas.

Na NBA, perto de 96% dos jogadores já terão a vacinação completa, apurou o mesmo site americano. Kyrie Irving estará a lutar para que a escolha de vacinação seja voluntária e não condicionada. "Tomou a sua decisão pessoal e respeitamos o seu direito individual de escolha. Mas, atualmente, a sua escolha restringe a capacidade de ser um membro a tempo inteiro da equipa. Não vamos permitir a qualquer membro da equipa que participe só em part-time", explicou Sean Marks, o general manager dos Brooklyn Nets.