Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
NBA

No ano em que Portugal diz presente à chamada da NBA, os favoritos estão em Brooklyn e LA. Está de regresso o melhor basquetebol do mundo

A pré-temporada já deu muito que falar, mas os próximos meses não vão ficar atrás. A época 2021/22 da NBA, a 75.ª da história da liga e que arranca esta terça-feira, madrugada de quarta-feira por cá, terá direito a comemorações, muito talento e a estreia de Portugal, pelas mãos de Neemias Queta. Quem são os favoritos? O que esperar do poste português? Pode haver surpresas? Carlos Barroca, vice-presidente das Operações da NBA na Ásia, falou com a Tribuna Expresso e respondeu a todas estas questões

Rita Meireles

Harry How/Getty

Partilhar

Se podíamos começar por dizer que a temporada 2021/22 da NBA vai ser histórica por ter pela primeira vez um jogador português? Podíamos. Mas a verdade é que a época que esta terça-feira se inicia tem vários ingredientes que podem fazer dela uma das especiais. Antes de mais por ser a 75.ª e por isso estar reservada para muitas comemorações, a começar pela eleição dos melhores 75 jogadores da história da liga. Numa fase pós-vacinação, esta é também a temporada em que se prevê, até que a situação pandémica o permita, um regresso à normalidade.

E a competição? Continua a aumentar ano após ano.

Os Milwaukee Bucks são os atuais campeões, mas mesmo antes da nova época começar o favoritismo já tinha trocado de equipa. Numa pesquisa realizada pela própria liga, que contou com a participação dos 30 general managers dos clubes, os Brooklyn Nets, com 72% dos votos, aparecem como os claros favoritos a vencer o título em 2022. Ainda que alguns não ponham de lado os campeões da ‘bubble’ de 2020, os Los Angeles Lakers.

“Há muita qualidade quer no Este, quer no Oeste, mas eu diria Nets de um lado e Lakers do outro, embora os campeões em título sejam os Bucks, mas estas duas equipas parecem reunir consenso que foram as que se equiparam melhor. O tempo dirá se isso foi mesmo assim”, diz Carlos Barroca, vice-presidente das Operações da NBA na Ásia, à Tribuna Expresso.

Ambas as equipas reúnem nomes de peso do basquetebol norte-americano, com Kevin Durant e LeBron James como cabeças de cartaz dos Nets e Lakers, respetivamente. Mas foi a equipa de Los Angeles uma das que melhor atacou o mercado de transferências, ao contratar nomes como Russell Westbrook, Carmelo Anthony e Dwight Howard. “No plano teórico penso que os Lakers se equiparam de forma fantástica, gosto da disposição do plantel que têm”, considera o também comentador

Russell Westbrook vai jogar ao lado de LeBron na cidade onde nasceu

Russell Westbrook vai jogar ao lado de LeBron na cidade onde nasceu

Kevork Djansezian

Esta é a história em teoria, mas é impossível negar o talento de muitas outras equipas que podem acabar por contrariar as contas.

“A qualidade competitiva vai ser maior, nunca houve tanto talento na NBA como há neste momento, não há nenhuma equipa que não tenha um super jogador, algumas têm dois, outras três, outras quatro”, explica Carlos Barroca. “A menos que haja aquelas coisas normais que acontecem nas épocas, que são imprevisíveis, como as lesões, castigos, eu diria que vamos ter mais uma vez um campeonato onde é muito difícil apontar favoritos, porque há seguramente entre seis a 10 equipas que têm qualidade para serem finalistas de conferência e sendo finalistas de conferência podem ser campeãs da NBA”, garante.

A prova disso é que o vice-presidente das Operações da NBA na Ásia consegue encontrar motivos para não deixar de fora da conversa dos favoritos outras equipas: os Bucks, por defenderem o título, os Atlanta Hawks, que não passaram despercebidos na época passada, os New York Knicks, após terem surpreendido na época regular e nos play-off do ano anterior, os Los Angeles Clippers, equipa muito forte, os Golden State Warriors, por terem voltado a reunir jogadores que já deram muitas alegrias aos adeptos, ou os Miami Heat, que além de terem progredido nos últimos anos, aproveitaram também o mercado ao contratarem Kyle Lowry aos Toronto Raptors.

“As recentes temporadas mostraram que ser favorito é apenas um estado de graça inicial na teoria e na boca das pessoas, mas depois na prática é lá dentro que se resolvem os jogos e os campeonatos”, lembra Barroca.

Drama na pré-temporada

Ainda que a liderança das conferências e a chegada à final da liga pareçam facilmente ao alcance de algumas equipas, há situações que fogem ao controlo dos jogadores e equipas técnicas. Como o que correu mal na época passada para as duas equipas agora vistas como mais fortes.

“A questão das lesões em jogadores veteranos é crucial: no ano passado vimos o que aconteceu quer com os Lakers quer com os Nets, em que o facto de terem chegado às partes decisivas da temporada com metade da equipa lesionada provoca naturalmente uma menor qualidade de jogo”, explica Barroca.

Kevin Durant vai liderar os Nets na busca do título

Kevin Durant vai liderar os Nets na busca do título

Elsa

Mas talvez o mais inesperado, antes mesmo da época começar, tenha sido o que dita desde o início da pré-época a ausência de um dos nomes grandes dos Nets.

Kyrie Irving optou por não se vacinar contra a covid-19 e o clube decidiu não contar com o jogador até que este siga as regras em vigor. É que nos Estados Unidos, como em todo o mundo, cada estado adotou medidas para combater a pandemia e, atualmente, em Nova Iorque é necessária pelo menos uma dose da vacina para entrar em restaurantes, bares ou recintos desportivos fechados, como é o caso do Barclays Center, casa dos Nets, no bairro de Brooklyn.

Durante algum tempo ainda se falou da possibilidade de Kyrie fazer apenas os jogos fora de casa, mas o clube acabou por não aceitar ter um jogador em regime part-time. Já do lado do jogador, que reagiu à decisão dos Nets através das redes sociais, reinou a surpresa visto que garante ter recebido a promessa de que seria aberta uma exceção no seu caso.

“Isto não foi algo que eu tenha previsto ou uma situação para a qual me tenha preparado ou tenha tido a oportunidade de traçar uma estratégia sobre o que seria melhor para mim e para a minha família”, afirmou o jogador que, até ao momento, continua a optar por não se vacinar.

O caso de Kyrie não é único na liga, mas talvez seja o mais extremo. Andrew Wiggins dos Golden State Warriors também solicitou, por motivos religiosos, uma exceção para que pudesse jogar sem a vacina - no estado da Califórnia é exigida a vacinação completa para entrar em recintos fechados. A liga recusou e o jogador acabou por optar pela vacinação.

Por não estar vacinado, Kyrie Irving está fora das contas dos Brooklyn Nets

Por não estar vacinado, Kyrie Irving está fora das contas dos Brooklyn Nets

Julio Aguilar

Não muito longe de Nova Iorque há uma outra cidade onde a pré-temporada foi, no mínimo, agitada. Ben Simmons, jogador dos Philadelphia 76ers, deixou clara a sua vontade de deixar a equipa e recusou-se a marcar presença nos treinos e jogos de preparação. Desde então já regressou ao grupo, mas não deixa de ser apontado como solução para o problema dos Nets, numa possível troca.

NBA em português

Prontos para entrar em campo estão Kevin Durant, Luka Doncic, Giannis Antetokounmpo, Joel Embiid, James Harden e Stephen Curry, os favoritos, por esta ordem, a vencer o prémio de MVP (jogador mais valioso) esta época, de acordo com a pesquisa da NBA. Também LeBron James, que “enquanto jogar será sempre candidato [ao prémio de MVP]”, considera Carlos Barroca. Ou Jalen Green, Cade Cunningham e Jalen Suggs, apontados como prováveis vencedores do prémio de rookie do ano.

Mas quando se fala em jogadores da NBA em português, o nome que se destaca é outro.

“Há rookies fantásticos, mas eu gosto mais de falar dos de segundo ano porque já provaram no primeiro que têm capacidade para continuar a progredir. O único rookie para onde olho com mais atenção é para o Neemias Queta, por razões óbvias”, afirma o comentador, realçando que, de acordo com o feedback que tem recebido na NBA, “as pessoas estão a gostar imenso dele, da sua ética de trabalho, as suas qualidades atléticas e do seu espírito divertido e positivo”.

O jogador dos Sacramento Kings assinou um contrato two-way e por isso estará também ao serviço dos Stockton Kings, da G League. Se no momento do draft o cenário parecia perfeito para o poste português, desde então as coisas mudaram um pouco no plantel dos Kings. “É verdade que de repente parecia que ele ia ser o segundo poste da equipa ou algo assim, porque eles não tinham reforçado o jogo interior, mas acabaram por decidir contratar jogadores de jogo interior, alguns veteranos”, explica.

Além disso, Luke Walton, treinador dos Sacramento Kings, prevê que a rotação seja feita entre um grupo de 8-9 jogadores, segundo avançou Franklin Cartoscelli, da rádio KHTK, no Twitter. Uma vez que fazem parte do plantel 17 atletas, incluindo Neemias e Louis King com contrato two-way, fica claro que nem todos terão muito espaço na equipa esta época.

Neemias Queta é o primeiro português a ser escolhido no draft da NBA. Mas terá de lutar por minutos na sua época de estreia

Neemias Queta é o primeiro português a ser escolhido no draft da NBA. Mas terá de lutar por minutos na sua época de estreia

Sacramento Kings

Mas nem tudo é mau. Para Carlos Barroca, Neemias está numa situação semelhante à que esteve quando se declarou elegível ao draft e depois optou por recuar para continuar a evoluir e melhorar as suas chances de ser escolhido. “Ficarei muito contente por cada minuto que ele jogar da NBA e pelos muitos minutos que seguramente vai jogar na G League, que vai ser um ótimo local para ele desenvolver as qualidades que tem. Acho que é a competição perfeita para ele mostrar as suas capacidades e triunfar. É forte, rápida, tem um jogo muito intenso. Tudo o que ele fizer de bom ali é transportado rapidamente para o lado de cima, portanto o jogo é dele, deem-lhe a bola”, diz.

E deixa o apelo para os mais impacientes: “Que ninguém fique desapontado se ele jogar poucos minutos na NBA, fiquem todos felizes com os minutos que ele vai jogar na G League. E quando surgir a oportunidade, que ele tenha armas para a agarrar com unhas e dentes. Isso é o que todos nós desejamos”.

Por agora sabemos que os Kings começam a época 2021/22 na madrugada da próxima quinta-feira, às 3h (Sport TV), frente aos Portland Trail Blazers. Mas antes disso, nesta terça-feira, já quarta-feira (00h30) em Portugal, os Milwaukee Bucks e os Brooklyn Nets dão início à edição número 75 da NBA.