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Joia Nakajima e a autodestruição do futebol português

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É um dos grandes mistérios do futebol português: como é que Shoya Nakajima ainda está no Portimonense?

É um dos grandes mistérios do futebol português: como é que Shoya Nakajima ainda está no Portimonense?

LUIS FORRA/LUSA

Uma das minhas séries preferidas quando era mais moçoila era a "Missão: Impossível", na qual Jim Phelps (Peter Graves, melhor dizendo) liderava um departamento tão secreto, tão secreto, tão secreto que as missões eram entregues em cassetes (ainda se lembra do que é uma cassete?) que se autodestruíam em cinco segundos. Foi disto que me lembrei quando, este fim de semana, Banksy decidiu, num ato de trollanço máximo, pôr uma obra a autodestruir-se depois da mesma ser vendida na Sotheby's por mais de um milhão de libras. “Parece que acabámos de ser banksiados”, disse então o responsável do departamento de arte contemporânea da leiloeira, Alex Branczik.

E o que é isso tem a ver com futebol, pergunta o excelso leitor? Tudo, explicarei eu. No domingo, entre tantos jogos para ver, consegui dar um olho no Sporting-Benfica em juniores (0-3), no Académica-Estoril da 2ª Liga (2-7 - sim, foi mesmo 2-7), no Southampton-Chelsea da Liga inglesa (0-3), no Atlético de Madrid-Bétis da Liga espanhola (1-0), no Liverpool-Manchester City da Liga inglesa (0-0) e no Portimonense-Sporting (4-2). Ah, sim, e no clássico dos clássicos: Benfica-FC Porto.

Entre sete jogos, de tantos níveis e competições diferentes, consegue adivinhar qual foi, de longe, o pior? O meu colega Diogo Pombo dá uma ajudinha, com o título que deu à sua crónica do clássico: "Futebol procura-se, urgentemente".

A quantidade de faltas, passes falhados e bolas pelo ar (66 duelos aéreos no clássico? A sério?) que se viram na Luz fizeram lembrar um jogo da distrital, no que deveria ser, supostamente, um dos melhores jogos da nossa Liga, já que envolvia duas das melhores equipas. Mas a verdade é que, comparando com os outros jogos que citei (e com o Braga-Rio Ave do dia anterior, por exemplo), nem parecia estar a disputar-se um jogo da mesma modalidade (felizmente para os programas do costume, houve uma expulsãozita, para terem tema de conversa para a semana toda, não fossem ter de efetivamente falar de futebol).

É como o discurso dos intervenientes. Em Espanha, Quique Setién diz: "Isto não é uma questão de intensidade, nem de ter mais tomates, nem de correr mais; é uma questão de capacidade, de inteligência, de precisão nos passes, de boas receções, de bons remates"; em Inglaterra, Pep Guardiola diz: "Não nos vamos pôr a defender contra o Liverpool, porque isso seria aborrecido. Temos de jogar como sabemos. Se perdermos, parabéns para eles e tentaremos melhorar e conseguir da próxima vez"; também em Inglaterra, Jurgen Klopp diz: "Acredito mesmo que o mais importante no futebol é entreter as pessoas. Não salvamos vidas, não criamos nada, não somos bons em cirurgias médicas, só somos bons a jogar futebol. Se não jogamos para entreter as pessoas, então para que é que jogamos?"

Em Portugal, entre aqueles que deveriam ser dos intervenientes mais influentes, temos um que pouco gosta de falar de futebol e repete banalidades; outro que teve uma tirada deveras infeliz a enviar os adeptos para o teatro; e um clássico que tem um amarelo para um guarda-redes a perder tempo na 1ª parte, uma televisão que no intervalo tem um ex-árbitro a comentar "os casos" e uma estilista a falar de desfiles, e uma música de tourada a fechar "o espectáculo" no final.

Enquanto isso, em Portimão, pé ante pé, com a classe que lhe é habitual, Shoya Nakajima ("qualidade ao centímetro", como escreve o treinador Blessing Lumueno) espalhava magia, juntamente com um grupo de jogadores talentosos colocados em campo por António Folha (onde andavam Zivkovic, João Félix, Óliver...?), um treinador corajoso, que mesmo em último lugar joga como se estivesse em primeiro: "Eu quero jogar este futebol, porque este futebol é o futebol que projeta equipas e jogadores e dá espetáculo. Posso perder, mas não sou treinador para jogar para o ponto. Hoje foi possível ganhar, porque não tivemos medo de perder com o Sporting."

O futebol português é uma espécie de tourada e o mais provável é autodestruir-se em breve. Mas, enquanto isso não acontece, ainda temos alguns baixinhos a dar-nos esperança.

O QUE SE PASSOU

Cristiano Ronaldo foi obviamente nomeado para a Bola de Ouro da "France Football", enquanto continua a debater-se com o caso da alegada violação - antes de opinar sobre o mesmo, vale a pena ler a reportagem do "Der Spiegel", publicada na íntegrada pelo Expresso; o clássico, enfim, foi o possível; o Sporting voltou a jogar mal e foi derrotado pelo Portimonense (e Salin bateu com a cabeça num poste, mas já está bem); o Real Madrid voltou a perder e já se contesta Lopetegui; Mbappé continua a brilhar pelo PSG, com quatro golos; houve porrada no combate UFC entre McGregor e Khabib (mais do que a que seria expectável, bem entendido); Miguel Blanco sagrou-se campeão nacional de surf.

E o Boavista fez isto, restaurando a nossa fé no futebol português.

O improvável Seferovic e o supersónico Nakajima

Em vez de uma, são duas as figuras deste fim de semana futebolístico. E é sobre elas que o escritor Bruno Vieira Amaral escreve nesta crónica que começa com uma célebre noite de julho de 2016

André Almeida lançou a aplicação "Find My Brahimi", disponível em Android, iOS e FCP (por Um Azar do Kralj)

Vasco Mendonça, de Um Azar do Kralj, também gabou a "bojarda" que o capitão do Benfica mandou contra o corpo de Éder Militão, não sendo esta a única referência a acertar em corpos de adversários. As outras, misturou com alusões a Rúben Dias e Samaris

A tarefa de fazer Seferovic parecer um jogador de um nível superior ao Atlético da Artrite Reumatóide de Baixo foi cumprida (por Porta19)

Jorge Bertocchini, do Porta19, está a fazer figas, e pede aos portistas que dêem as mãos, para que Felipe não faça com que o mesmo a aconteça com Luc Castaignos, quando chegar a altura de o FC Porto defrontar o Sporting, após ter perdido contra o Benfica

Ristovski levou um massacre tão grande de Nakajima que o pode passar a tratar por Hiroshima. Ou tsunami, para os restantes (por Diogo Faro)

Diogo Faro repete e reitera o uso da palavra tsunami, fora analogias a coisas como caravelas a irem ao fundo, bacias deslocadas, sardinhas a tentarem nadar contra ondas gigantes devido ao pequeno japonês que aniquilou o Sporting em Portimão

“O meu nome é Kathryn”: publicação na íntegra do artigo que comprometeu Ronaldo

Uma mulher norte-americana alega que Cristiano Ronaldo a violou em Las Vegas. Há alguns anos, a estrela de futebol pagou-lhe para ficar em silêncio. Agora, vem a público pela primeira vez e apresenta queixa contra Ronaldo. Tem na sua posse um documento que pode ser extremamente perigoso para o jogador. Este artigo é da autoria da equipa da DER SPIEGEL, jornal parceiro do EXPRESSO no consórcio internacional de jornalistas de investigação EIC

Ricardo Fernandes: “Tive ataques de pânico, ficava a tremer, o coração acelerava muito. Quando paravam parecia que tinha feito ginásio”

Deixou os relvados há uns meses, já perto dos 40 anos, depois de uma carreira que passou por Sporting e FC Porto e, lá fora, Chipre, Grécia, Ucrânia e Israel. Arrepende-se de não ter conseguido impôr-se no FC Porto, clube de onde gostava de não ter saído, e conta algumas histórias vividas no famoso autocarro dos dragões. Diz que gostava de ser treinador, já experimentou o agenciamento de jogadores e está a pôr de pé um restaurante-bar, em Vizela, depois de ter transformado a casa de família num turismo rural. Sobre Cristiano Ronaldo, que conheceu quando este tinha 17 anos, diz que era muito mais arrogante do que hoje

Bob McTavish, o pioneiro das pranchas pequenas que experimentou LSD antes de encontrar as Testemunhas de Jeová

Tinha 14 anos e quando mexeu na primeira prancha de surf, que lhe custou 10 dólares. Depois, na década de 60, foi dos primeiros <em>shapers</em> a fazer <em>shortboards,</em> numa época em que o surf ainda tinha toda a gente a colocar-se de pé em cima de <em>longboards</em>. Já esteve falido duas vezes nesta vida de fazer pranchas e foi “um <em>hippie </em>da contracultura”, que experimentou marijuana e ácidos, antes de as Testemunhas de Jeová lhe baterem à porta e darem a explicação para “o mundo estar uma bagunça”. Aos 74 anos, Bob McTavish não quer parar e gosta de fazer pranchas para “o surf bonito, que mostra o melhor das pessoas”
ZONA MISTA

"Se chover em Londres, será por culpa minha. Se houver problemas com o Brexit, será por culpa minha. Julgo que há demasiada maldade, é uma clara perseguição"

José Mourinho
(Ainda) Treinador do Manchester United, depois da vitória frente ao Newcastle (3-2)

O QUE AÍ VEM

Segunda-feira 8

A seleção portuguesa de futebol entra hoje em estágio e há Dallas Mavericks-Philadelphia 76ers, da pré-época da NBA (13h, SportTV).

Quarta-feira 10

Às 12h30, há sorteio da 3ª eliminatória da Taça de Portugal, já com as equipas profissionais; há um amigável entre Ucrânia e Itália (19h45, SportTV); um Botafogo-Vasco, do Brasileirão (1h, PFC); um Benfica-Fundão em futsal (19h, BTV); um FC Porto-Sporting da Horta em andebol (20h30, Porto Canal); um Benfica-Dinamo Sassari em basquetebol (20h30, BTV).

Quinta-feira 11

A seleção defronta a Polónia, para a Liga das Nações (19h45, RTP1) e, antes, os sub-21 defrontam o Lichtenstein, para a qualificação para o Europeu (17h30, CMTV).

Dmingo 14

Portugal vai à Escócia defrontar a seleção local, num amigável (17h, RTP1), e há tantos amigáveis e jogos da Liga das Nações - entre quinta-feira e domingo - que mais vale conferir todos aqui.

HOJE DEU-NOS PARA ISTO

Esta rubrica costuma conter um vídeo, mas dado que hoje é dia de estreia do Insónias em Carvão na Tribuna Expresso, aqui vai o sítio onde pode ver as obras de arte deste artista moderno, que é uma espécie de Bola de Ouro do Photoshop e que vai ter um espaço semanal onde resume o fim de semana desportivo, através das redes sociais dos intervenientes. Veja, ria-se e não se esqueça: isto são apenas montagens (ainda que muito bem disfarçadas).