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A seleção das Nações na sobra da Liga das Nações

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Os três jogadores que aparecem nesta imagem, e que jogaram ontem por Portugal, partilharam uma particularidade (e não foram os únicos)

Os três jogadores que aparecem nesta imagem, e que jogaram ontem por Portugal, partilharam uma particularidade (e não foram os únicos)

ANDY BUCHANAN

Não sei, com exatidão, quão longe o inventor da mais novata competição da UEFA, ou, pelo menos, a pessoa que ficou incumbida de a batizar, queria ir com o nome da Liga das Nações.

A intenção, fácil de deduzir, seria aludir ao facto de ser uma prova para juntar nos campos de futebol os vários países que há na Europa, para ver qual acaba por ser o melhor. O que está correto, até vermos a Liga das Nações como ela é: uma laranja com várias camadas de casca, peça de fruta que vai virando um imbróglio quanto mais a formos descascando, por maior que possa parecer a contradição. Porque o conceito de melhor, para a UEFA, mexe com coeficientes e rankings, mexidos por uma lógica que diz mais à entidade do que aos adeptos, que são quem faz mexer o futebol.

É uma prova algo confusa e complexa que, confesso, me faz sentir um totó por, volvido tanto tempo, ainda ter de consultar um manual (se quiserem, está aqui, escrito pela Mariana Cabral) para tentar entender o porquê de Portugal estar metido num grupo de três seleções e ainda ter jogos como o de ontem, contra a Escócia, mais amigável do que uma partida de sueca ao domingo, com os amigos.

Havendo grupos ímpares no número de equipas que têm, há a cada jornada a necessidade de se emparelhar quem sobra. E sobrou-nos ver um jogo particular no qual se selecionaram segundas e terceiras linhas, algumas caras estreantes e um imortal herói para ganhar, em Glasgow, à seleção que está na Liga C (nós estamos na A). O jogo não contou para a Liga das Nações, mas aconteceu por consequência à forma como ela está organizada - uma sobra que criou as condições para Portugal jogar com uma seleção com muitas nações dentro.

Porque os titulares Cédric, Kévin, Danilo, Eder, Hélder e Bruma são bem portugueses, mas vieram ao mundo pela Alemanha, França, Guiné-Bissau e Angola, como Pedro Mendes e Gedson Fernandes, suplentes que ainda correriam no encontro, que também nasceram longe, na Suíça e em São Tomé e Príncipe.

Mais de metade dos titulares que jogaram por Portugal (seis em 11) e quase outra meia, entre quem jogou contra a Escócia (oito em 17), nasceu fora de Portugal.

O futebol é o reflexo da sociedade. E se vivemos, cada vez mais, com a multiculturalidade e a mescla de culturas e de origens, jogaremos com elas, em campo, na mesma medida. É fiel, fidedigno e natural, como é perfeitamente normal ver um tipo nascido em Touro, terra em Vila Nova de Paiva, ascender à seleção nacional de futebol.

Ou talvez escalar seja a palavra mais apropriada para Cláudio Ramos,.

Ele é o gigante em forma de guarda-redes, ostentador de uma das melhores aptidões para proteger balizas e parar bolas em Portugal, que apenas se estreou na primeira liga em 2015, com o Tondela. É o mesmo clube pelo qual veste luvas há oito anos, onde chegou a ser suplente na terceira divisão, na segunda e até na primeira. Nunca passou por um grande e jamais jogara pela seleção até aos quatro minutos que Fernando Santos lhe deu, contra os escoceses.

Resumindo:

2010: estreia-se na 3.ª divisão (Amarante)
2011: estreia-se na 2.ª divisão B (Tondela)
2012: estreia na 2.divisão (Tondela)
2015: estreia na 1.ª divisão (Tondela)

Ou, olhando para o copo meio vazio, foram 86 minutos (a menos) com que o selecionador não premiou os 26 anos do melhor parador de remates português, a jogar em Portugal, numa partida desinteressante, monótona e amigável - das que a Liga das Nações nasceu para acabar -, optando, ao invés, por dar a baliza aos 36 anos já de pouco futuro e progressão de Beto.

Qualquer um deverá ficar coberto pela sombra de Rui Patrício ainda durante uns bons tempos, se lesões ou momentos de forma não pregarem partidas. Portanto, porque não dar tempo ao futuro?

O que se passou

Apesar do vento, rabugento, se ter chateado com rajadas a soprarem mais rápido do que é legalmente permitido acelerar nas autoestradas, mais a chuva, o frio e toda a adversidade causada pelo furacão "Leslie", houve condições para se correr na Maratona de Lisboa. E, repetindo, apesar de tamanha intempérie que provocou feridos e estragos no país, foi possível correr os 42,195 quilómetros maratonistas e fazê-lo em 2:07.34 horas, um tempo recorde.

A proeza pertenceu a Limenih Getachew, um etíope que, ainda assim, ficou a uns bons minutos da melhor marca de sempre que, em setembro, o queniano Eliud Kipchoge estabeleceu em Berlim (2:01.39). O segredo é ter uma dieta à base de frutos e vegetais, "beber muito chá, com muito açúcar, cerca de dois litros", em vez de batidos de proteína", segundo Matt Fox, escritor australiano que passou um mês com Kipchoge no Quénia, na sua aldeia. Toca a praticar.

Eder e os Segundas Linhas

O escritor Bruno Vieira Amaral escreve sobre uma vitória limpa e profissional, sem grande dispêndio de energias e emoções supérfluas, que nos habituámos a associar a seleções insensíveis perante o sofrimento alheio como a Alemanha

Folha: “Preparo a minha equipa para jogar sem medo de perder. Gosto de um jogo de ataque e gosto que as minhas equipas produzam bom futebol”

À entrada para a 7ª jornada da Liga, o Portimonense era o último classificado, com quatro pontos, uma vitória, um empate, seis golos marcados e treze sofridos. Mas a posição na tabela não afetou a forma de jogar que o treinador António Folha mais diz valorizar: a ofensiva. Foi assim que a equipa algarvia venceu o Sporting, por 4-2, e ascendeu ao 15º lugar. E é assim que vai continuar a jogar, porque é tudo uma questão de “mentalidade”, explica à <strong>Tribuna Expresso</strong> o ex-treinador do FC Porto B: “Até parece que é proibido uma equipa pequena jogar ao ataque”

“Na Grécia, fiz uma piada no balneário sobre a mulher do tipo que me contratara. Correu-me mal: o guarda-redes andava enrolado com a filha”

Edgar Marcelino tem 34 anos e foi considerado uma das maiores promessas do Sporting, a par de Cristiano Ronaldo e Quaresma, mas a imaturidade, reconhece hoje, afastou-o do clube do coração e levou-o a construir carreira mundo fora. No currículo só lhe falta carimbo do continente americano; de resto, passou por 18 clubes em nove países diferentes, o que faz dele um dos, senão mesmo o mais viajado dos jogadores portugueses. No meio de tantas aventuras, das quais partilha algumas à <strong>Tribuna Expresso</strong>, chegou a frequentar o 1.º ano do curso de Economia, tem quatro filhos, criou um torneio de futebol para os miúdos da terra que o viu crescer, Miranda do Corvo, e joga agora no Amora. E confessa que ainda não consegue pensar no dia em que tiver de pendurar as chuteiras
Zona Mista

"A força e a forma como transmitia as mensagens faziam-me recordar o meu pai. Lembro-me de que ele não gostava quando lhe respondia: 'sim, senhor'. Dizia: 'Fredy, diz sim, mister ou sim, Jesus'"

Fredy Montero
Jogador do Sporting, sobre Jorge Jesus

O que aí vem

Terça-feira 16

Arranca o período de espera do Meo Rip Cur Pro, em Peniche. É a décima etapa do circuito mundial de surf e será a décima edição do evento português, que se realizará na praia de Supertubos (até 27 de outubro).

Portugal - Bósnia-Herezgovina (19h), a contar para a qualificação para o Campeonato da Europa de sub-21, de futebol

Brasil - Argentina (18h45), um dos clássicos do futebol mundial, em futebol

Quarta-feira 17

Jogam-se os 16 avos de final da Taça de Espanha (mas ainda sem as equipas da primeira divisão)

Quinta-feira 18

Os grandes entram na Taça de Portugal e o primeiro a jogar é o Benfica, contra o Sertanense às 20h45 (RTP1). Pode contar com o acompanhamento desta partida, e das que envolvem os restantes grandes, ao minuto, na Tribuna Expresso, mais a respetiva crónica no final.

Sexta-feira 19

O FC Porto vai jogar a casa do Vila Real - FC Porto, a partir das 20h15 (Sport TV).

Sábado 20

O Loures recebe o Sporting às 20h45 (RTP1).

Hoje deu-nos para isto
É dia de dar os "parabéns a você" na data que é tão querida para Vítor Baía.

É dia de dar os "parabéns a você" na data que é tão querida para Vítor Baía.

Ross Kinnaird

A parada de um jovem Vítor Baía

Este 15 de outubro é o dia em que Vítor Baía chega aos 49 anos e como ficámos a saber desta efeméride através do Twitter da Federação Portuguesa de Futebol, é condizente recordar uma das melhores paradas que o antigo guarda-redes português fez com a seleção nacional. Aconteceu em 1995 e teve lugar em Viena da Áustria