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Uma laje para Rui Vitória

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Passemos rapidamente o trocadilho à frente que o assunto não tem assim tanta piada; isto é sobre a vida de pessoas.

Bom, Rui Vitória sabia que o seu tempo acabara após a humilhante derrota com o Bayern de Munique e na penosa viagem de casa até ao Seixal, na manhã seguinte, já estava a fazer contas de cabeça para o pós-Benfica. Inesperadamente, ele e Arnaldo Teixeira, o seu fiel adjunto, foram condenados a uma morte lenta, ao vivo e a cores e em direto, por causa de uma curiosa luzinha que aparecera a Luís Filipe Vieira. O presidente do Benfica, à falta de argumentos racionais para explicar aos adeptos que não tinha outro treinador para aquele lugar, justificou-se com feelings, e assim, deixando nas mãos de Vitória a decisão final: sair dependia exclusivamente dele e ele que desse o primeiro passo.

Obviamente, como empregado-do-mês diligente que é, Rui Vitória não se queixou publicamente do processo, e representou o papel do morto-vivo enquanto pôde, enquanto a ilusão da retoma o aguentou. Depois, inevitavelmente, como a estrutura tinha cinicamente planeado, Vitória chegou-se à frente, caiu, viu o ex-patrão mandar-lhe um abraço num programa daytime, rescindiu pelo Benfica e assinou pelo Al-Nassr. Só que uma vez liberto do fardo ético de um contrato, Vitória respondeu: à TVi, queixou-se da falta de apoio e de solidariedade da administração, sobretudo nos momentos em que os jornalistas lhe perguntavam por práticas alegadamente menos saudáveis dos dirigentes.

Num clube como o Benfica, um treinador tem de ser protegido, disse Rui Vitória, que também aprendeu a mãe de todas as lições que encabeça o manual de sobrevivência no futebol: o treinador tem de ter a sua própria agenda mediática e comunicacional; alinhar de olhos fechados com a estratégia empresarial é suicídio, porque a determinada altura os interesses de ambos colidirão e a força está sempre do lado de quem paga. Jorge Jesus, neste particular, é realmente o mestre da tática.

Mas não é Jesus quem vem aí, para mal de Vieira que tanto o queria, mas Bruno Lage, o homem da B que passa à A, uma promoção que arrasta várias promoções consigo, pois todos os técnicos da formação irão subir um escalão. Renato Paiva, por exemplo, comandará o Benfica da II Liga.

Ora, Luís Filipe Vieira, por exclusão de partes (Mourinho não quer, Jesus só lá para junho) manteve Bruno Lage que irá, agora, submeter-se a um exame bisemanal até ao fim da época. O jovem técnico contará com a ajuda musculada de Luisão e o capote institucional de Rui Costa para controlar um balneário a pedir melhores dias e a precisar de renovação. É de esperar que o Benfica jogue em 4x4x2, e é de esperar que outros putos apareçam nos convocados: o pontapé de saída para esta nova carreira será anunciado por Luís Filipe Vieira que, mais luz menos luz, irá manifestar o apoio presidencial ao homem da casa, o escolhido, alinhado com o modelo de negócio da formação, etcetera, etcetera, etcetera, etcetera.

Rei morto, rei posto, e até à próxima.

O que se passou

Houve um clássico, muito mal jogado por sinal, o Benfica ganhou ao Santa Clara na sexta-feira, o Open da Austrália arrancou esta madrugada, e algumas histórias de amor e afeto pelo meio. Para ler, ver, discutir e, porque não?, rir.

Digam ao Vieira que não estou na casa da Cristina. Mais o bigode de Pepe, o pombo de Keizer e o cabedal de Lage (por Insónias em Carvão)

O implacável Insónias em Carvão voltou a fazer das suas, usando a pouco subtil arte de espreitar pela fechadura das redes sociais à procura das melhores histórias dos bastidores para deleite do internauta comum. Neste episódio de cinco vinhetas, o 15.º da série na Tribuna, há Mourinho e Vieira, mas também um árbitro, dois treinadores e um regresso de um emigrante

Um clássico com muitos salamaleques, cortesias, “por quem sois” e satyagrahas de Gandhi (por Bruno Vieira Amaral)

O escritor Bruno Vieira Amaral escreve sobre um clássico filantrópico, a fazer lembrar uma bonita história de 1914, poucos meses antes do início da I Grande Guerra

O Benfica foi Ivan Drago, mas o Santa Clara não foi Rocky, foi Apollo Creed

Um erro garrafal aos 22 minutos (que deu golo) e uma expulsão no final da 1.ª parte deitaram os açorianos ao ringue. O Benfica venceu em São Miguel por 2-0 e pelo que fez no arranque da 2.ª parte até podia ter ganho por mais. Está de regresso à vice-liderança do campeonato e na expectativa pelo que vai acontecer no clássico de sábado

A emocionante carta que Nick Kyrgios escreveu sobre Andy Murray: "Estou sempre a dizer-lhe: 'Meu, és tão melhor que o Djokovic'"

O talentoso tenista australiano, tantas vezes criticado pela sua atitude fora e dentro dos courts, colocou o seu tom mais sério para relatar ao "The Guardian" as saudades que vai ter do amigo e daquele que era, provavelmente, o único companheiro de profissão que compreendia o seu carácter extrovertido e desafiante

Miguel Garcia: “Houve uma altura em que fui oferecido a toda a gente e ninguém me queria. Foi o Jorge Costa que me deu uma oportunidade”

Aos 35 anos, Miguel Garcia, alentejano de Moura, mais conhecido pelo "herói de Alkmaar", está focado na sua empresa de gestão imobiliária e em recuperar o tempo que esteve afastado da família, sobretudo dos filhos, por causa do futebol. Sportinguista desde pequeno, esteve nas mesmas equipas por onde passaram Ronaldo e Quaresma, entre outros. Foi defesa direito do Olhanense e do SC Braga, e depois de uma breve passagem por Itália onde não chegou a jogar devido a lesão, foi à procura de melhores condições financeiras na Turquia e na Índia, onde acabou por despedir-se dos relvados

De volta ao clube que o lançou, sem receber um tostão e ainda avança com dinheiro para pagar salários: um herói chamado Blaszczykowski

O extremo polaco, o mais internacional de sempre pela sua seleção, está de regresso ao Wisla Krakow depois de mais de uma década na Bundesliga. E com o clube em graves dificuldades e sob ameaça de bancarrota, o jogador de 33 anos decidiu não receber e ainda investir mais de 300 mil euros para que os salários em atraso dos colegas sejam pagos

Djokovic e Federer em busca do hepta, Serena em busca de Court e os tiebreaks como nunca os conhecemos: as histórias deste Open da Austrália

Arranca lá do outro lado do Mundo na madrugada de domingo para segunda-feira o primeiro torneio do Grand Slam do ano e há recordes à espera de cair, regressos em força, mudanças nas regras e uma possível despedida. Até dia 27 vamos andar todos com os sonos trocados

O Mangostão +, o velhaco do Casillas, o gato que não morreu e um uruguaio apreciador de cinema indiano e adepto de mikado (por Diogo Faro)

Frente ao FC Porto, Diogo Faro viu ainda aqueles dois minutos de sonho de Petrovic mas também Mathieu a limpar Maregas e Tiquinhos com a tranquilidade de um Rei Sol

Lá em Casa Mando Eu lamenta que Alex Telles não tenha tido pernas para chutar pelo menos um daqueles pombos para a área

A nossa cronista de apoio à causa portista pede também mais respeito pelos mais velhos, já que a hora do jogo não deixou Maxi Pereira fazer a sua sesta e, consequência, não aguentar nem 45 minutos

André Almeida, uma assistência para golo e dezoito cruzamentos para a comunidade portuguesa em New Jersey (por um Azar do Kralj)

Vasco Mendonça compara ainda a exibição João Félix frente ao Santa Clara a Gustavo Dudamel prestes a actuar no Grande Auditório da Gulbenkian, de batuta em riste mas simultaneamente a encaminhar os espectadores para o seu lugar enquanto guarda as cunhas dois bilhetes no bolso

No dia em que Keizer abraçou o pragmatismo, o Clássico terminou a seco

Foi um Sporting de muitas cautelas e pouca vertigem (e, por isso, muito pouco à imagem do seu treinador) aquele que recebeu o FC Porto em Alvalade. Depois da derrota em Tondela, Keizer terá percebido que, às vezes, mais vale evitar riscos, mas com isso o Clássico tornou-se num jogo altamente tático, com poucas oportunidades e apenas alguma emoção no final. Não houve golos, naturalmente, e o campeonato ficou de repente um bocadinho mais aberto

Zona mista

“Não sou um candeeiro de rua”

Rui Vitória, ex-treinador do Benfica, em entrevista à TVi, arrependido de não se ter defendido mais publicamente

O que aí vem

A Taça de Portugal e a Liga (outra vez) antes do fim de semana. Na quarta-feira, a Supertaça italiana que tem dois motivos para a seguirmos: um bom (pode ser o primeiro título de Ronaldo na Juventus) e um péssimo (disputa-se na Arábia Saudita, o que encerra problemas sociais graves, como o facto de as mulheres não poderem assistir ao jogo).

Terça-feira, 15 de janeiro
Quartos de final da Taça de Portugal: Desportivo das Aves - SC Braga (18h), Leixões - FC Porto (19h30), Vitória de Guimarães - Benfica (20h45).

Quarta-feira, 16 de janeiro
Quartos de final da Taça de Portugal: Feirense - Sporting (20h45)
Supertaça de Itália: Juventus - AC Milan (17h30)

Sexta-feira, 18 de janeiro
Liga: Chaves - FC Porto (19h) e Vitória de Guimarães - Benfica (21h)

Sábado, 19 de janeiro
Liga: Sporting - Moreirense (18h)

Hoje deu-nos para isto

O antigo médio da seleção nacional apresentou-se no Lip Sync Portugal com uma exibição de luxo, cheia de adereços, maneirismos e imitações.