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Um Petit souci chamado cartões amarelos

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Gualter Fatia

Li no Financial Times deste fim de semana que o desporto jamais poderia ser usado como uma metáfora para a vida. O texto interessou-me por múltiplas razões: nestas andanças andamos sempre à procura de imagens e parábolas (este foi um dos motivos) e não tinha uma abertura digna para esta newsletter até então (o motivo de força maior).

O título é “Why Tiger Woods is a hard act to follow” e o tema é obviamente o Masters de Tiger Woods; o autor, Janan Ganesh, escreve em três colunas de opinião sobre como os jornalistas se tornaram demasiado redundantes, anestesiados pelos argumentos da redenção, da autoconfiança e da resiliência – as tais virtudes que trouxeram heroicamente o golfista de volta. Ganesh concordou que a história de Woods era bonita, tal como foi a de Michael Jordan e regressos semelhantes, mas impossível de replicar na vida real.

Explicou porquê:
Primeiro, porque no desporto vale a “meritocracia”: um miúdo genial que viva em nenhures será descoberto por alguém e chegará longe se quiser. Na vida, diz ele, não é bem assim que funciona, e um tipo brilhante, apto e com a ética de trabalho de um calvinista – digamos, Cristiano Ronaldo– ficará pelo caminho por falta de oportunidades ou inabilidade profunda para as politiquices de escritório.

Segundo, porque falhar num jogo resulta num empate ou derrota, e falhar na vida pode acabar com “uma morte” ou uma “prisão”. Pelo meio, Ganesh também disse que o desporto tem regras escritas e que toda a gente sabe quais são e que na vida vamos fazendo as regras à medida que avançamos.

Talvez Ganesh se tenha esquecido de como morreu Ayrton Senna (a teoria do erro) e dos inacreditáveis relatos de Carlos Kaizer (a teoria da meritocracia); e certamente, Ganesh não está tão atento ao fenómeno da bola como garante estar – o que não falta é gente a contornar regulamentos neste métier em que um dos melhores até marcou um golo com a mão e foi aclamado por isso.

O futebol é realmente inclusivo e nele cabem génios, trabalhadores, rebeldes, transgressores, o artista, no sentido literal do fazedor da arte, e o muito português “artista”, aquele que domina a cavalheiresca arte da manha. São eles os fiteiros, os mergulhadores de piscinas, os que se atrasam a sair de campo, os que sofrem dolorosos achaques de cãibras – e os que fazem tudo isto de uma só vez para sacar um cartão amarelo que os desobrigue de jogar o jogo seguinte.

E assim, inesperadamente, como uma chuvada de abril, se passa da abertura para o assunto desta newsletter: o Benfica - Marítimo desta noite (20h15, BTV e Tribuna Expresso); ou melhor, o Benfica - Marítimo, menos Edgar Costa e Joel.

Os dois jogadores viram o quinto amarelo contra o Feirense, ficaram fora da Luz e provavelmente nada mais se diria sobre isto, não tivesse Petit assumido que aquilo fora estratégia. Parafraseando Petit: “vamos enfrentar uma equipa forte (o Benfica) e já fizemos isso também no Dragão, em que poupámos jogadores que tinham quatro amarelos”. Automaticamente, levantaram-se as críticas, a FPF instaurou um processo ao treinador e aos futebolistas, os programas da especialidade tomaram o assunto a peito – vide Calado contra Otávio Machado em horário nobre, no domingo à noite.

Um bocadinho de contexto: depois do Benfica, o Marítimo joga a sobrevivência contra o Tondela (casa, um rival direto), Braga (casa), Portimonense (fora, adversário direto) e Boavista (casa, adversário direto).
Um pedacinho de história: nada disto é novo desde o momento em que se decidiu que a sucessão de cartões em jogos diferentes resultaria, algures, num descanso forçado.

Eticamente é questionável. Mas será legal?

A UEFA, em 2011, estabeleceu castigos para quem quisesse fintar o protocolo, para evitar – passe o trocadilho e uma desculpa ao Rui Santos – as inverdades desportivas. Foi por isso que nada aconteceu a Sergio Ramos e Xabi Alonso (ambos no Real) quando, em 2010, se fizeram expulsar contra o Ajax para limpar cartões; e foi precisamente por isso que Sergio Ramos ficou fora da segunda-mão dos oitavos de final contra o Ajax, há coisa de semanas. Jesus Corona, aqui no FC Porto, também falhou o jogo deste ano em Roma porque o árbitro interpretou o atraso na marcação de um livre, contra o Schalke, como uma chico-espertice.

Obviamente que, se em Portugal a lei fosse igual (o artigo 167.º é omisso em casos destes), é possível que ninguém se desse à morte. Petit, Edgar Costa e Joel sofrerão um castigo que não deve passar de uma multa – quando o castigo sair, que em Portugal é tudo bastante demorado.

O problema é outro, é a percepção. E é como na vida: a ética também se legisla.

O que se passou

A Juventus foi campeã e Ronaldo tornou-se o primeiro futebolista da história a conquistar o título nacional em Inglaterra, Espanha e Itália. Em França, o PSG também conquistou o campeonato, tal como o PAOK na Grécia, onde jogam dois portugueses. Cá no burgo, o Sporting bateu o Nacional por 1-0, na passada sexta-feira, e o Porto derrotou o Santa Clara, no sábado, pelos mesmos números. Por outro lado, em Inglaterra, o Everton de Marco Silva humilhou o Manchester United com um resultado expressivo: 4-0.

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“O meu pai era polígamo e eu tinha 24 irmãos. Só havia uma refeição completa por dia, o jantar. O pequeno-almoço era os restos da véspera"

Meyong tem a calma e o sorriso fácil dos africanos, mas criou hábitos europeus. Nunca aceitou viver em poligamia, como é tradição na sua família dos Camarões, e casou com uma setubalense, com quem tem duas filhas. Melhor marcador do campeonato português em 2005/06, diz que foi Jorge Jesus quem fez dele jogador a sério, ainda que garanta ter sido muito melhor e mais conhecido do que Samuel Eto'o, quando era criança. O treinador adjunto do Vitória explica à <strong>Tribuna Expresso</strong> como a morte do pai lhe definiu a vida e revela que o seu principal <em>hobby</em> é... dormir

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O Sporting venceu o Naciona (1-0), na 30ª jornada da Liga portuguesa, o que significa que o humorista Diogo Faro está um jogo mais próximo de ser testemunha de algo a que não quer assistir: "Lágrimas nos meus olhos a cada jogo que nos apercebemos da saída inevitável de um dos melhores jogadores que já passaram no Sporting"

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O que aí vem

Terça-feira, 23 de abril
FC Porto B - Varzim (II Liga, 15h, Porto Canal)
Tottenham - Brighton (Premier League, 19h45, SportTV1)
Watford - Southapton (Premier League, 19h45)
Hamburgo - Leipzig (meias finais da Taça da Alemanha, 19h45, SportTV2)
Huesca - Eibar (Liga espanhola, 18h30, Eleven Sports 1)
Valladolid - Girona (Liga espanhola, 19h30, Eleven Sports 2)
Alavés - Barcelona (Liga espanhola, 20h30, Eleven Sports 1)

Quarta-feira, 24 de abril
Werder Bremen - Bayern Munique (meias finais da Taça da Alemanha, 19h45, SportTV1)
Atlético Madrid - Valência (Liga espanhola, 18h30, Eleven Sports 1)
Espanyol - Celta (Liga espanhola, 19h30, Eleven Sports 4)
Leganés - Athletic Bilbau (Liga espanhola, 19h30, Eleven Sports 2)
Levante - Bétis (Liga espanhola, 20h30, Eleven Sports 1)
AC Milan - Lazio (2.ª mão das meias finais da Taça de Itália, 19h45, SportTV2)
Wolverhampton - Arsenal (Premier League, 19h45)
Manchester United - Manchester City (Premier League 20h, SportTV1)

Quinta-feira, 25 de abril (viva a Revolução)
Atalanta - Fiorentina (2.ª mão das meias finais da Taça de Itália, 19h45, SportTV)
Sevilha - Rayo (Liga espanhola, 18h30, Eleven Sports 1)
Real Sociedad - Villarreal (Liga espanhola, 19h30, Eleven Sports 2)
Getafe - Real Madrid (Liga espanhola, 20h30, Eleven Sports 1)

Sexta-feira, 26 de abril
Treinos livres do GP do Azerbaijão, quarta prova do Mundial de Fórmula 1
Rio Ave - FC Porto (Liga, 20h30, SportTV1)

Sábado, 27 de abril
Portimonense - Feirense (Liga, 15h30)
Santa Clara - V. Setúbal (Liga, 15h30)
Sporting - V. Guimarães (Liga, 18h)
Aves - Belenenses (Liga, 20h30)

Domingo, 28 de abril
Chaves - Nacional (Liga, 15h)
Braga - Benfica (Liga, 17h30)
Boavista - Moreirense (Liga, 20h)

Hoje deu-nos para isto

Empresário César Boaventura publicou no Facebook conversa que revela quais os árbitros nomeados para três jogos desta jornada