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Com a vontade e os sonhos lá dentro, esta era a vez deles

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Danny Lawson - PA Images

A imagem apareceu enquanto os jogadores do Liverpool festejavam com os adeptos aquela reviravolta dos diabos frente ao Barcelona, do 0-3 fora para o 4-3 em casa. Uma tarja, plantada pendurada numa das bancadas de Anfield, onde se lia:

With the drive

And the dreams inside

This is my time

Eu, que já estava ligeiramente (ok, muito) emocionada com aquela 2.ª parte que tinha acabado de ver, com o “You’ll never walk alone” cantado pelas lágrimas de alegria de 50 mil almas, então é que me desmanchei.

Diz-se que “I won’t share you”, de onde esse pedaço de lírica que li na tarja foi retirada, é uma canção de ciúme, o ciúme que Morrissey sentiria de Johnny Marr e que também ajudou a que os The Smiths acabassem - “I won’t share you” é, curiosamente ou não, a derradeira canção do derradeiro álbum de originais da banda, “Strangeways, Here We Come”.

Mas lida assim, sem contexto, ou melhor, naquele contexto épico de 11-mais-3 homens a darem a volta a um 3-0 para chegarem à final da Liga dos Campeões, um par de dias depois de verem a última esperança de se tornarem campeões ingleses a desvanecer-se num remate do meio da rua do capitão do City, nesse contexto, a frase não é uma frase de ciúme, mas sim de força de vontade, de esperança, da ousadia de quem sonha e não acredita no que todos dizem ser impossível (e, não me venham com coisas, vocês também o disseram), mesmo depois de um esforço inglório.

Era o tempo deles, a vez deles, do Liverpool, só vice-campeão da Premier League mesmo com 97 pontos, de Jurgen Klopp e as suas seis finais perdidas, do futebol rock and roll e até de quem manda no clube, que teve a coragem de manter o alemão de óculos engraçados e sentido de humor impagável, mesmo com um 8.º lugar na primeira época e dois 4.º lugares nas que se seguiram. Mesmo com uma final da Taça da Liga perdida, uma final da Liga Europa perdida, mesmo com uma final da Champions perdida.

Os mesmos The Smiths cantaram que “it takes guts to be gentle and kind” e eu também acho que é preciso coragem para, nos dias de hoje, se manter um treinador que demora a ganhar, mesmo que tenha uma ideia de jogo verdadeiramente entusiasmante. E também foi por isso que no sábado torci pelo Liverpool, por Klopp, por Van Dijk e Salah e Mané e Alexander-Arnold e Milner, apesar de também ter muita simpatia pelo Tottenham, por Pochettino, por Eriksen e Alli e Son. Até porque muito do que se aplica ao Liverpool, também se aplica à equipa de Londres.

O jogo, diga-se, foi de uma pobreza franciscana. Achávamos todos que íamos ver um jogo eléctrico, de parada e resposta, com muitas transições, muitos remates e muitos golos, mas calhou-nos 90 minutos de passes falhados, chutão para a frente, ocasionais remates e um resultado desde logo marcado por uma grande penalidade quando ainda estávamos na fila para ir recolher a primeira cerveja da noite. Como se as duas meias-finais épicas que tinham levado Liverpool e Tottenham ao Wanda Metropolitano de Madrid tivessem sugado toda a energia e criatividade às duas equipas, como se o peso daquele título fosse demasiado, numa temporada boa para ambos, mas ainda desprovida de títulos - os títulos não têm per se de validar uma grande época, mas ajudam, sem dúvida.

Ganhou, portanto, o Liverpool, com um golo a abrir e outro a fechar, o primeiro de Salah, o outro de um Origi que ainda há um par de meses estava de malas feitas para um empréstimo triste ao Huddersfield. Klopp cantou, talked about six, foi o rei da festa empoleirado no autocarro que atravessou as ruas vermelhas de Liverpool, que por acaso nem é a cidade natal dos The Smiths, essa fica ali a 50 quilómetros, em Manchester, mas talvez não haja banda em Liverpool (nem sequer “a” banda) que cante as emoções vividas em Anfield como Morrissey e Marr um dia fizeram.

Esta era a vez deles.

O que se passou

Vou começar pelo que se vai passar. Quarta-feira, Portugal recebe a Suíça na final four da primeira edição da Liga das Nações, que terá ainda Inglaterra e Holanda. Os jogos realizam-se em Guimarães e no Porto e convém recordar a certas e determinadas pessoas que são jogos de Portugal e não do Benfica, Sporting, FC Porto, Arrentela ou do Freixo de Espada à Cinta. De Portugal.

De resto, passou-se que Jorge Jesus, depois de um curto mas intenso namoro, foi confirmado como treinador do Flamengo.

Passou-se ainda que a Seleção Nacional sub-20 foi inesperadamente eliminada na fase de grupos do Mundial da categoria, onde era uma das equipas favoritas à vitória.

Passou-se também que o estónio Ott Tanak (Toyota) foi o vencedor do Rali de Portugal e que Miguel Oliveira foi 16.º no GP Itália, mesmo com um dedo partido, após queda no warm up.

Mas a notícia mais trágica da semana foi a morte de José Antonio Reyes, antigo jogador do Benfica, Sevilha, Arsenal, Real Madrid e Atlético Madrid, vítima de um acidente de viação na sua Andaluzia natal. O extremo partiu cedo, com apenas 35 anos.

Klopp e o capitalismo de rosto humano

O escritor Bruno Vieira Amaral escreve sobre o triunfo do Liverpool na Liga dos Campeões - e, sobretudo, sobre o triunfo da Premier League

Jesus mora num país tropical, o peitoral de Ronaldo, os troncos de Pepe e Rúben e as épicas contas de Klopp (by Insónias em Carvão)

Boa segunda-feira a todos, com o alto patrocínio do nosso curador implacável das redes sociais. Esta semana temos Carnaval, tatuagens, treinos pesados e alguns copos a mais

O slackline do Sun Tzu de Alverca e alguns recados: ponham-se finos e um digital detox, amigo Salvio (top of the flops, by Um Azar do Kralj)

Vasco Mendonça escolhe os piores dos piores do Benfica de 2018-19 numa análise cuidada, aprofundada, irónica e metafórica que podem ler aqui primeiro

Roderick Miranda: “Num treino, o Ola John tenta fazer um chapéu e o Jorge Jesus: 'Olha, olha, ainda nem arroz come e já quer comer camarão'”

Diz que não quer voltar a Portugal tão cedo, sobretudo depois de ter sido constituído arguido por suspeita de ter participado num esquema para perder um jogo, enquanto estava no Rio Ave. De regresso ao Wolverhampton, após um ano de empréstimo ao Olympiacos da Grécia, Roderick refuta todas as acusações de que é alvo e explica as passagens por Suíça e Espanha, antes de rumar a Inglaterra. Pelo meio conta histórias de balneário, fala do Benfica, de Jorge Jesus e confessa que nunca foi ao Brasil, a terra natal do seu pai, um ex-futebolista que agora é taxista

Foi uma época incrível, não falhou um treino, não falhou um jogo: Paulinho, no top of the tops do Sporting (por Diogo Faro)

Estes então são os melhores dos melhores do ano desportivo do Sporting - ainda nesta tarde sábado, saberá quem são os melhores dos piores, mas lá iremos. Então, nesta primeira análise humorística encontramos política, muito amor e dedicação

O Éder do Eskada e meia dúzia de jogadores que curtiram um verãozinho gostoso (o top of the flops, por Lá em Casa Mando Eu)

Pronto, depois do top of the tops, eis que Catarina Pereira se dedica a elencar os piores jogadores do FC Porto na época 2018-19

Sérgio Vieira: “Isto de se meter o aspeto tático em primeiro lugar no futebol, como foi vendido por aí, não é muito lógico”

Ao contrário do que é habitual para um treinador português - ou até europeu -, a carreira de Sérgio Vieira começou no Brasil. Depois de ter sido observador do Sporting de Braga e do Sporting, foi treinar Guaratinguetá, Atlético Paranaense, Ferroviária, América Mineiro e São Bernardo. Só regressou a Portugal a meio de 2017/18, para assumir o Moreirense, onde nem chegou a terminar a época, à semelhança do que aconteceu este ano, quando saiu do Famalicão pouco antes da equipa subir à Liga NOS. Agora, volta à 2ª Liga, para assumir o histórico Farense: "A vida de treinador é essa: é uma arte de cair, levantar e engolir sapos, até chegar onde nós queremos. E quando chegamos ao nível onde queremos chegar já engolimos menos sapos"

Zona mista

"Este vencedor que está aqui vai disputar a Copa do Mundo e nós se ganharmos a Libertadores também. Já estou a ver com antecedência"

Jorge Jesus, numa entrevista à Eleven Sports no relvado do Wanda Metropolitano, em Madrid, momentos antes do início da final da Liga dos Campeões, já a mostrar serviço ao presidente de Flamengo. Mesmo que isto já seja futurologia avançada.

O que aí vem

Segunda-feira, 3

Nos oitavos-de-final do Mundial sub-20, acompanhe o Uruguai-Equador (16h30, RTP2), o Ucrânia-Panamá (16h30, RTP Play) e o Senegal-Nigéria (19h30, RTP Play).

Logo de manhã, e durante toda a semana, continua a jogar-se em Roland Garros (a partir das 10h, Eurosport).

Terça-feira, 4

Seguem os oitavos-de-final do Mundial sub-20: Japão-Coreia do Sul (16h30, RTP Play), França-EUA (16h30, RTP2) e Argentina-Mali (19h30, RTP Play).

Quarta-feira, 5

É a estreia de Portugal na final four Liga das Nações. Nas meias-finais, a Seleção Nacional defronta a Suiça (19h45, RTP1).

Já noite dentro, há um Brasil-Qatar (1h30, Sport TV1) e um México-Venezuela (2h00, Sport TV3) de preparação para a Copa América.

Também de madrugada, Toronto Raptors e Golden State Warriors continuam a sua demanda pelo anel de campeão da NBA, no jogo 3 das finais (2h, Sport TV1).

Quinta-feira, 6

Joga-se a segunda meia-final da Liga das Nações: Holanda-Inglaterra (19h45, Sport TV1).

Sporting e Benfica continuam a disputar a final da liga de futsal, a uma hora esquisita (21h55, RTP1).

Sexta-feira, 7

Arranca o Mundial feminino, com a anfitriã França a jogar com a Coreia do Sul no Parque dos Príncipes, em Paris (20h, RTP2).

O futebol de clubes está de férias, mas antes dos jogadores irem a banhos ainda há jogos de qualificação para o Euro 2020: Geórgia-Gibraltar (17h, Sport TV1), Ilhas Faroé-Espanha (19h45, Sport TV1), Ucrânia-Sérvia (19h45, Sport TV2), Dinamarca-Irlanda (19h45, Sport TV3), Noruega-Roménia (19h45, Sport TV5).

Fórmula 1: treinos livres do GP Canadá (15h e 19h, Eleven Sports3).

Jogo 4 das finais da NBA entre Warriors e Raptors (2h, Sport TV1).

Sábado, 8

Mais jogos de qualificação para o Euro 2020: Croácia-País de Gales (14h, Sport TV1), Islândia-Albânia (14h, Sport TV2), Rússia-São Marino (17h, Sport TV1), Finlândia-Bósnia (17h, Sport TV2), Estónia-Irlanda do Norte (17h, Sport TV3), Azerbaijão-Hungria (17h, Sport TV5), Bielorrússia-Alemanha (19h45, Sport TV1), Turquia-França (19h45, Sport TV2), Bélgica-Cazaquistão (19h45, Sport TV3), Grécia-Itália (19h45, Sport TV5).

No Mundial feminino jogam-se o Alemanha-China (14h, RTP Play), o Espanha-África do Sul (17h, RTP Play) e o Noruega-Nigéria (20h, RTP Play).

Final feminina de Roland Garros (14h, Eurosport).

Qualificação para o GP Canadá de Fórmula 1 (19h, Eleven Sports3).

Domingo, 9

Na Liga das Nações joga-se a final (19h45, RTP1), onde esperemos que esteja Portugal. E antes disso aquele jogo que ninguém quer jogar: o encontro de definição do 3.º e 4.º lugares, onde esperemos que não esteja Portugal (15h, Sport TV1).

No Mundial feminino joga-se o Austrália-Itália (12h, RTP Play), o Brasil-Jamaica (14h30, RTP Play) e o Inglaterra-Escócia (17h, RTP Play).

Há ainda mais uns quantos jogos de preparação para a Copa América. Brasil-Honduras (20h, Sport TV2) e México-Equador (0h30, Sport TV1).

Final masculina de Roland Garros (14h, Eurosport).

Segue a final do campeonato nacional de futsal, entre Benfica e Sporting (16h15, RTP1).

Fórmula 1: GP Canadá (19h10, Eleven Sports3).

Hoje deu-nos para isto

Futebol, Jesus, Maracanã, Flamengo. Vêm aí tempos interessantes e como gostamos de facilitar o trabalho aos outros, deixamos aqui para os nossos irmãos brasileiros um pequeno amuse bouche daquilo que podem esperar de Jorge Jesus, o mais recente habitante do Rio de Janeiro

Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, beijinhos, "I love you". Uma introdução a Jorge Jesus aos brasileiros

Ao cuidado dos nossos irmãos brasileiros, aqui ficam os <em>highlights </em>da entrevista que Jorge Jesus concedeu à Bola TV no final de 2018, quando ainda treinava na Arábia Saudita. Uma espécie de introdução à obra e ao homem, antes de iniciar uma nova odisseia no Flamengo