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O Mundial dos sonhos delas

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Esta é a festa de quem sofreu cinco golos... mas marcou um

Esta é a festa de quem sofreu cinco golos... mas marcou um

Hannah Peters - FIFA

"Eh pá, se eu fosse tailandesa, já podia estar a jogar um Mundial".

Quando recebi esta mensagem, durante o primeiro jogo da Tailândia no Mundial feminino que decorre em França, ri-me. Sim, foi insensível (perdão), mas a minha amiga - também ela ex-jogadora - tinha razão: as tailandesas, ainda que estejam no 34º posto do ranking mundial (por comparação, Portugal é 30º - e recentemente ganhou 4-1 à Tailândia), não tinham qualidade suficiente para segurarem as campeãs mundiais e, por isso, foram atropeladas pelas norte-americanas, por 13-0, naquela que ficou para a história como a maior goleada de sempre em Mundiais femininos.

Os EUA não fizeram, obviamente, mais do que a sua obrigação - ganhar, querendo marcar mais golos, do princípio ao fim -, mas foi difícil, ainda assim, não sentir pena do underdog, que está no Mundial mas não tem, ao contrário do adversário, jogadoras 100% profissionais.

Foi por isso que, domingo, mesmo perdendo e mesmo já tendo havido golos bem mais espetaculares na prova, o golo de Kanjana Sung-Ngoen foi o mais emocionante do Mundial. A Tailândia já perdia por 4-0 com a Suécia, mas quando a capitã tailandesa marcou o primeiro golo da seleção na prova, até os adeptos suecos bateram palmas, e houve uma mulher (a de branco na foto que encabeça esta newsletter) que não conteve as lágrimas.

Além de diretora executiva da Muang Thai, uma das maiores empresas de seguros da Tailândia, Nualphan Lamsam é presidente do Port FC, clube tailandês, e é líder do futebol feminino do país, porque é a principal contribuinte para que o mesmo exista: não só o financia diretamente, como emprega muitas das jogadoras da seleção, para que elas tenham tempo e possibilidades de treinar condignamente - a história é contada pelo "The New York Times".

Como o nosso Diogo Pombo escreveu na edição mais recente do Expresso, o Mundial feminino está a ser uma montra do enorme crescimento do futebol feminino na última década - inclusive em Portugal, onde o número de federadas tem crescido todos os anos. Ainda nem todas as federações olham para ele - ou melhor, para elas - de forma séria, como se vê pelo exemplo tailandês, que ainda está longe de ter as condições que têm as norte-americanas, mas enquanto houver gente a lutar por ele - no campo, nos escritórios ou nas bancadas (45 mil pessoas encheram o Parque dos Príncipes para o EUA-Chile) - o futuro será bonito.

Se ainda não viu um jogo, aproveite hoje, às 17h, no RTP Play (lamentavelmente, os jogos não estão nas televisões portuguesas, o que diminui drasticamente o impacto da competição, particularmente entre as jovens praticantes, mas adiante): é que Portugal, depois de ter estado no Europeu, não se qualificou para o Mundial, mas há lá uma árbitra portuguesa, que apitará o África do Sul-Alemanha. Parabéns, Sandra Bastos - tão pioneira quanto Nualphan Lamsam.

O que se passou

Depois de cinco dérbis incríveis, o Benfica sagrou-se campeão nacional de futsal; Maurizio Sarri vai mesmo treinar a Juventus; Miguel Oliveira conquistou pontos na Catalunha; Alonso brilhou em Le Mans; e a Argentina continua uma desgraça.

Ninguém é professor na sua terra

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Nesta manhã de segunda-feira, nada como um bom pãozinho para começar o dia, cortesia do nosso curador das redes sociais, que nos fala ainda da problemática da falta de pólvora e de um treinador que gosta do seu cigarrinho

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Foi da cabeça do Diretor Geral da Federação Portuguesa de Futebol que nasceu a Liga das Nações que Portugal venceu. Craveiro, ao Expresso, descreve o processo de criação que teve, inevitavelmente, de ultrapassar algumas resistências

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Varandas tira um workshop de cerâmica, Bruno de Carvalho é o novo baterista dos Xutos, Jonas casa-se com Rúben: a silly season de Diogo Faro

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Uma carta de Lá Em Casa Mando Eu aos amigos brasileiros: Jesus é um treinador do caraças e com ele tudo é possível. Até acabar de joelhos

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O all in de Masai Ujiri, a SMS de Kawhi Leonard e aquela pontinha de sorte: como é que os Toronto Raptors venceram o seu primeiro título

Chegar a uma final da NBA e vencer é difícil. Chegar a uma final da NBA e vencer os Golden State Warriors mais difícil é. Mas os Raptors conseguiram, levando o troféu Larry O'Brien pela primeira vez para o Canadá. Para tal foi preciso um presidente corajoso, uma estrela tímida mas certeira de palavras e uma espécie de apocalipse em Oakland

Zona mista

"Apercebemo-nos que até o Tonga nos pode ganhar. O que é a camisola? Sentem a camisola é a c*** da vossa mãe”.

- Diego Armando Maradona, ex-treinador dos mexicanos do El Dorados, reagiu de forma compreensiva à derrota da Argentina com a Colômbia, na Copa América

O que aí vem

Segunda-feira, 17

Prossegue o Mundial feminino e quem não o vir é um enorme ovo podre - começando obviamente pela RTP, que teima em só transmitir os jogos na RTP Play. Às 17h, há África do Sul-Alemanha, apitado pela árbitra portuguesa Sandra Bastos, e há também China-Espanha. Às 20h, há Nigéria-França e Coreia do Sul-Noruega. Às 17h30 e às 20h, outro desperdício de futebol também na RTP Play: Sérvia-Áustria e Alemanha-Dinamarca, respetivamente, no Europeu sub-21. À meia-noite (na prática já é terça-feira mas continuemos) há Copa América na SportTV, com o Japão-Chile, e há também Gold Cup. Em basquetebol, Benfica e Oliveirense voltam a defrontar-se no quarto jogo da final do campeonato: o Benfica venceu um e a Oliveirense dois.

Terça-feira, 18

Mais Mundial feminino: Jamaica-Austrália e Itália-Brasil, às 20h; e mais Euro sub-21: Roménia-Croácia, às 17h30, e Inglaterra-França, às 20h. Na Copa América, há Bolívia-Peru, às 22h30.

Quarta-feira, 19

Há futebol de madrugada: à 1h30 da manhã, o Brasil defronta a Venezuela, na Copa América, e, às 3h, os EUA defrontam Guiana, na Gold Cup - ambos na SportTV. Às 17h30, há Espanha-Bélgica e, às 20h, Itália-Polónia, para o Euro sub-21 - ambos na RTP Play. No Mundial feminino, há Japão-Inglaterra, e Escócia-Argentina, às 20h.

Quinta-feira, 20

À 1h30, a Argentina de Messi volta a jogar, agora contra o Paraguai. Às 17h, no Mundial feminino, a Holanda defronta o Canadá e os Camarões defrontam a Nova Zelândia; às 20h, há Suécia-EUA e Tailândia-Chile. No Euro sub-21, há Dinamarca-Áustria, às 17h30, e Alemanha-Sérvia, às 20h.

Sexta-feira, 21

Começa a CAN 2019, com o Egito-Zimbabué a ser transmitido na Eurosport2, às 21h. No Euro sub-21 há Inglaterra-Roménia, às 17h30, e França-Croácia, às 20h. No Mundial feminino, não há jogos, porque os oitavos de final começam sábado. Em voleibol, Portugal defronta o Irão, na Liga das Nações (15h, SportTV1).

Hoje deu-nos para isto

Eduardo Verdugo

Maradona sem filtros, como habitualmente

Depois da qualificação para o Mundial 2010, quando os argentinos não acreditavam na própria seleção, o selecionador de então, Diego Armando Maradona, desabafou contra os críticos, em conferência de imprensa: " <em>Que la chupen</em>"

Um dos vídeos que vejo periodicamente de Maradona é o "life is life" - e se o caro leitor nunca o viu, então tem de clicar AQUI imediatamente, uma vez que constitui o melhor aquecimento da história do futebol. Mas, como o ex-internacional argentino criticou este domingo a seleção, depois da derrota contra a Colômbia, lembrei-me de outro vídeo, igualmente histórico, de uma altura em que era Maradona o criticado e não o crítico. A Argentina quase ficava fora do Mundial 2010 e o selecionador de então respondeu assim a quem duvidava: "Que la chupen e que la sigan chupando". Mudam-se os tempos...